CEZAR CANDUCHO

sábado, 11 de julho de 2015

Banco dos BRICs é oficializado.



Líderes do Brasil, da Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics) assinaram ontem, na 7ª cúpula do bloco, realizada na cidade russa de Ufá, o memorando de criação do novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ou Banco do BRICS. O banco terá sede em Xangai, na China, com capital inicial de US$ 50 bilhões e deve começar a operar a partir do próximo ano, financiando projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável para os países do bloco e, posteriormente, para outros países em desenvolvimento.
Os cinco países também assinaram o Tratado do Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês), uma barreira de proteção contra eventuais turbulências financeiras internacionais e ataques especulativos, no valor de US$ 100 bilhões. Do total de recursos do CRA, US$ 41 bilhões virão da China. O Brasil, a Rússia e a Índia contribuirão com US$ 18 bilhões cada e a África do Sul aportará US$ 5 bilhões.
De acordo com o Opera Mundi, o início do funcionamento do banco e do CRA, um fundo de reservas em moeda estrangeira, que o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, qualificou como “um mini FMI”, foi considerado pelos cinco líderes dos BRICS um marco no desenvolvimento do bloco. “Podemos dizer que este é um ano histórico para os BRICS, um grande passo adiante”, afirmou o dirigente da África do Sul, Jacob Zuma, sobre as novas instituições financeiras.
O presidente russo, Vladimir Putin, fez um discurso em nome dos líderes presentes. Ele afirmou que durante a sétima cúpula a situação da economia global foi discutida em detalhes. “Estamos preocupados com a instabilidade dos mercados, com a alta volatilidade do preço do petróleo e das commodities, com o acúmulo da dívida soberana de uma série de grandes países. Todos esses desequilíbrios estruturais causam impacto direto na dinâmica de crescimento de nossas economias. Nessas condições, os países do BRICS pretendem usar ativamente seus próprios recursos para o desenvolvimento interno,” disse.
A presidenta Dilma Rousseff citou a nova agenda do Desenvolvimento Sustentável (ODS) pós-2015, da Organização das Nações Unidas, e destacou que as iniciativas lançadas pelo BRICS contribuirão de modo construtivo para o novo momento das relações internacionais, mais focado no desenvolvimento sustentável. Ela acrescentou que desde a última cúpula do BRICS, em Fortaleza, no ano passado, todos os acordos para a criação do banco do BRICS e do Arranjo Contingente de Reservas foram ratificados.
No dia 7 de julho, o governo publicou um decreto de nomeação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como governador do NBD, tendo como suplente o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. E como vice-presidente, representando o Brasil na instituição, o economista Paulo Nogueira Batista.

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