CEZAR CANDUCHO

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segunda-feira, 20 de julho de 2015

E a CBN lança Eduardo Cunha para a presidência da República.

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O que vira um jornalista quando se transforma em torcedor?
Vira Merval.
Merval Pereira.
Ele deixa de enxergar o mundo como ele é. Enxerga-o como gostaria que fosse.
Circula na internet, como motivo de piada, um áudio em que Merval analisa, na CBN, a postura do PMDB depois da ruptura anunciada por Eduardo Cunha.
Pobres ouvintes.
Merval fala nos possíveis candidatos do partido para 2018. Aliás, faz uma ressalva: essa candidatura pode vir antes. Merval anseia pela deposição de Dilma.
Entre os nomes do PMDB, ele inclui Eduardo Cunha.
Isto caso ele não seja “condenado ou preso” depois do depoimento do delator que temeu pela integridade de sua família quando considerou a hipótese de contar sua história com Eduardo Cunha.
“Merval lança Eduardo Cunha para a presidência”, foi assim que circulou o áudio da CBN.
Quer dizer: no Planeta Merval, caso Cunha escape da Justiça, é um nome forte para 2018.
Nos debates, na campanha, tudo que foi dito sobre o presidente da Câmara não vai, segundo Merval, inviabilizar Cunha.
É algo em que nem a mulher de Cunha pode acreditar.
O brasileiro teria que ser muito idiota para obliterar o depoimento do delator.
Mas é uma coisa que a turma da Globo faz com frequência: tratar o brasileiro como imbecil.
Dias atrás, numa rede social, o editor do Globoesporte, Gustavo Poli, postou uma foto de Dilma com Collor num palanque num tom incriminatório. Poli parecia ter esquecido de que Collor é sócio da Globo, nada menos que isso.
“Ninguém está acima da lei”, bradou uma publicação dos Marinhos dias atrás.
Ninguém?
Quais as consequências enfrentadas pelos Marinhos, por exemplo, ao trapacear a Receita Federal na famigerada compra dos direitos da Copa de 2002?
O que pesa contra a Globo pela cumplicidade com Ricardo Teixeira durante tantos anos?
Nada.
Um dos melhores frasistas da cena política nacional, o jornalista e escritor Palmério Dória, resumiu a situação no Twitter.
“Globo diz que ninguém está acima da lei”, escreveu Palmério. “No caso dos Marinhos, das leis americanas. Por isso mantêm prudente distância dos Estados Unidos.”
Clap, clap, clap.
De pé.
Hoje, depois do escândalo da Fifa, consciência tranquila significa a coragem de apanhar um avião e ir para os Estados Unidos, ou mesmo para a Suíça.
O presidente da CBF acaba de desistir de uma viagem para a Suíça, para tratar de assuntos da Fifa, por medo de fazer companhia a Marin.
Não sei se os Marinhos embarcariam para os Estados Unidos.
Mas suspeito que Palmério tenha toda a razão. Ao contrário de Merval, que consegue ver possibilidades presidenciais em Eduardo Cunha e compartilha isso com seus ouvintes da CBN – mais uma rádio aparelhada pela direita.

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