CEZAR CANDUCHO

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TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA., MG, Brazil

quinta-feira, 30 de julho de 2015

FHC vê país com amnésia, por isso acusa PT de “não saber governar”

fhc capa

A televisão aberta está veiculando inserção publicitária do PSDB que constitui uma afronta ao povo brasileiro. No vídeo, Aécio Neves e José Serra aproveitam situação da economia que até parte da mídia antipetista já atribui ao comportamento da oposição.
Contudo, há uma participação, nesse vídeo, que é inaceitável. Quem fala é Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República (1995 – 2002) pelo PSDB. Eis a locução:
“Não sabem governar. Nós estamos assistindo, com os nossos olhos, a desmoralização do funcionamento do atual sistema político”.
Assista, abaixo, à prova de que o que vai relatado acima  não é invenção.
Ao fim dessa exibição insuperável de caradurismo e falta de respeito para com o povo brasileiro, o PSDB ainda tem a coragem de cravar uma frase que vai de encontro a tudo que o partido tem feito no âmbito de uma crise que não é só econômica, mas política.
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Será mesmo que a oposição que o PSDB faz é “a favor do Brasil”? Quem diz o contrário não é este Blog, mas um veículo da grande mídia que ao longo dos governos do PT notabilizou-se por lhes fazer oposição cerrada.
Leia, abaixo, o que diz a Folha de São Paulo sobre a forma do PSDB e de outros partidos de oposição de exercerem seus papéis constitucionais.
FOLHA DE SÃO PAULO
29 de julho de 2015
EDITORIAIS
editoriais@uol.com.br
Quanto pior, pior
Mudança de perspectiva da nota de crédito do país aumenta importância de consenso político capaz de reerguer economia nacional
Marcado para esta quinta-feira (30), o encontro da presidente Dilma Rousseff (PT) com os governadores de todos os Estados adquiriu importância ainda maior com a decisão tomada terça-feira (28) pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.
A companhia norte-americana alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil para negativa, aumentando as chances de o país perder o grau de investimento. Apenas um andar abaixo está a categoria especulativa, em que, aos olhos dos credores, é alta a possibilidade de calotes.
Nem mesmo os oposicionistas mais aguerridos deveriam desejar essa cereja podre no bolo estragado que se tornou a economia no governo Dilma. Agências como a S&P ficaram desacreditadas depois de 2008, pois não anteviram a crise que se desenhava nos EUA, mas suas avaliações não deixaram de interessar a quem procura porto seguro para o próprio dinheiro.
A expectativa crescente de que o Brasil venha a perder o atestado de bom pagador já produz efeitos: investidores exigem juros cada vez maiores para compensar os riscos e o dólar bate recordes de alta.
Tanto pior, já se considera que outras duas companhias, a Moody’s e a Fitch, podem fazer análise semelhante à da S&P, rebaixando a nota brasileira até o fim do ano.
Combater esse cenário sombrio deveria ser um objetivo de todos os que se importam com o futuro nacional, mesmo que não deem a mínima para o destino de Dilma.
Ao expor suas razões, a S&P reconhece mudanças neste segundo mandato da petista, mas afirma que aumentaram as incertezas na política e na economia. Diminuí-las, portanto, é um imperativo.
Tudo se resume, no fundo, à instabilidade da relação entre o Executivo e o Legislativo, agravada pelos desdobramentos da Operação Lava Jato e traduzida no comportamento pernicioso do Congresso.
Notoriamente incapaz de mobilizar deputados e senadores em torno de uma agenda positiva, a presidente Dilma Rousseff resolveu pedir ajuda aos governadores. Espera que eles convençam suas bancadas a rejeitar projetos que tornem ainda mais penoso o necessário ajuste das contas públicas.
Se mantido estritamente nesses termos, o encontro pode resultar em algo proveitoso. Muitas das medidas que ampliam os gastos têm impacto direto nos cofres estaduais.
Que fique claro: cobrar responsabilidade dos congressistas não significa aceitar conchavos ou dividir a culpa pelo descalabro atual. Esta cabe só ao governo Dilma, e a oposição decerto teria muito a perder se fosse vista como sócia da crise.
O país, contudo, terá ainda mais a perder se não houver renovados esforços na busca por soluções. Já se sabe quão venenosa pode ser uma oposição que aposta no lema “quanto pior, melhor”. Como atestam as agências de classificação de risco, quanto pior, pior.
Este Blog vem dizendo há meses que a crise econômica já poderia ter sido superada caso a oposição, a mídia e até a Operação Lava Jato não se comportassem como sabotadores da economia.
Nesse aspecto, a matéria da Folha simplesmente expõe a posição do mercado, do capital, que já começa a ficar preocupado com a irresponsabilidade de gente como esses três que protagonizam o vídeo que postei aí em cima.
FHC dizer que o PT não sabe governar é uma afronta ao povo brasileiro porque fazê-lo revela que o ex-presidente acha que o Brasil é um país de amnésicos idiotizados, incapazes de lembrar do que foi sua gestão desastrosa, com apagão, crise da dívida externa, monitoramento do FMI, desemprego e inflação recordes, abafamentos sucessivos de escândalos e investigações…
Para refrescar a memória do ex-presidente tucano e dos que lhe dão crédito, informo, abaixo, dados oficiais comparando o governo dele com os dos sucessores.
  1. Produto Interno Bruto:
2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões
  1. PIB per capita:
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil
  1. Dívida líquida do setor público:
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB
  1. Lucro do BNDES:
2002 – R$ 550 milhões
2013 – R$ 8,15 bilhões
  1. Lucro do Banco do Brasil:
2002 – R$ 2 bilhões
2013 – R$ 15,8 bilhões
  1. Lucro da Caixa Econômica Federal:
2002 – R$ 1,1 bilhões
2013 – R$ 6,7 bilhões
  1. Produção de veículos:
2002 – 1,8 milhões
2013 – 3,7 milhões
  1. Safra Agrícola:
2002 – 97 milhões de toneladas
2013 – 188 milhões de toneladas
  1. Investimento Estrangeiro Direto:
2002 – 16,6 bilhões de dólares
2013 – 64 bilhões de dólares
  1. Reservas Internacionais:
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares
  1. Índice Bovespa:
2002 – 11.268 pontos
2013 – 51.507 pontos
  1. Empregos Gerados:
Governo FHC – 627 mil/ano
Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano
  1. Taxa de Desemprego:
2002 – 12,2%
2013 – 5,4%
  1. Valor de Mercado da Petrobras:
2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões
  1. Lucro médio da Petrobras:
Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano
  1. Falências Requeridas em Média/ano:
Governo FHC – 25.587
Governos Lula e Dilma – 5.795
  1. Salário Mínimo:
2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)
2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)
  1. Dívida Externa em Relação às Reservas:
2002 – 557%
2014 – 81%
  1. Posição entre as Economias do Mundo:
2002 – 13ª
2014 – 7ª
  1. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas
  1. Salário Mínimo Convertido em Dólares:
2002 – 86,21
2014 – 305,00
  1. Passagens Aéreas Vendidas:
2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões
  1. Exportações:
2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares
  1. Inflação Anual Média:
Governo FHC – 9,1%
Governos Lula e Dilma – 5,8%
  1. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas
  1. Taxa Selic:
2002 – 18,9%
2012 – 8,5%
FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário
 Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas
  1. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas
 Capacidade Energética:
2001 – 74.800 MW
2013 – 122.900 MW
  1. Criação de 6.427 creches
  1. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados
  1. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados
  1. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza
  1. Criação de Universidades Federais:
Governos Lula e Dilma – 18
Governo FHC – zero
  1. Criação de Escolas Técnicas:
Governos Lula e Dilma – 214
Governo FHC – 11
De 1500 até 1994 – 140
  1. Desigualdade Social:
Governo FHC – Queda de 2,2%
Governo PT – Queda de 11,4%
  1. Produtividade:
Governo FHC – Aumento de 0,3%
Governos Lula e Dilma – Aumento de 13,2%
  1. Taxa de Pobreza:
2002 – 34%
2012 – 15%
  1. Taxa de Extrema Pobreza:
2003 – 15%
2012 – 5,2%
  1. Índice de Desenvolvimento Humano:
2000 – 0,669
2005 – 0,699
2012 – 0,730
  1. Mortalidade Infantil:
2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos
  1. Gastos Públicos em Saúde:
2002 – R$ 28 bilhões
2013 – R$ 106 bilhões
  1. Gastos Públicos em Educação:
2002 – R$ 17 bilhões
2013 – R$ 94 bilhões
  1. Estudantes no Ensino Superior:
2003 – 583.800
2012 – 1.087.400
  1. Risco Brasil (IPEA):
2002 – 1.446
2013 – 224
  1. Operações da Polícia Federal:
Governo FHC – 48
Governo PT – 1.273 (15 mil presos)
  1. Varas da Justiça Federal:
2003 – 100
2010 – 513
  1. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)
  1. 42 milhões de pessoas saíram da miséria
FONTES:
47/48 – http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
39/40 – http://www.washingtonpost.com
42 – OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU
37 – índice de GINI: www.ipeadata.gov.br
45 – Ministério da Educação
13 – IBGE
26 – Banco Mundial
Claro que, neste momento, a situação parou de melhorar e até piorou um pouco, mas se pegarmos 12 anos de PT (2003 – 2014) e compararmos com 8 anos de PSDB, veremos que os problemas está acontecendo após mais de uma década de bonança, de crescimento do emprego, da renda e de melhoria dos indicadores sociais.
Um presidente que largou o país com 12% de inflação, 12% de desemprego, sem reservas internacionais e vigiado pelo FMI, entre outras desgraças, não pode fazer de conta que não teve problemas até piores que os de Dilma quando governou. E deveria ter, portanto, a compostura de não dizer que “eles não sabem governar”. Até em respeito à inteligência das pessoas.
Os três patetas do vídeo acima, porém, esquecem que mais da metade dos brasileiros votou contra eles no ano passado. Apesar dos problemas na economia, a maioria mostrou que não esqueceu do que foi o governo desses três no final dos anos 1990, começo dos anos 2000.
A Folha foi injusta com Dilma, apesar de ter criticado acertadamente a oposição. A crise era absolutamente contornável. O ajuste fiscal de 1,1% do PIB poderia ter ocorrido rapidamente e a esta altura estaríamos retomando o crescimento.
Durante reunião com ministros e o vice-presidente Michel Temer, na tarde de segunda-feira, porém, Dilma traduziu ainda melhor essa “oposição a favor do Brasil”; responsabilizou a Operação Lava-Jato por parte da queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
Ao discorrer sobre as dificuldades econômicas que o país enfrenta, a presidente citou a operação da Polícia Federal dizendo que provocou queda de um ponto percentual no PIB: “Para vocês terem uma ideia, a Lava-Jato provocou uma queda de um ponto percentual no PIB brasileiro
Diante de tudo isso, este Blog acredita que o oportunismo e a irresponsabilidade do PSDB não só já começam a revoltar quem tem um mínimo de apreço por seu país, mas, também, que apoio tucano à manifestação golpista que se avizinha poderá até esvaziá-la.
Muita gente que odeia o PT não quer ver o PSDB nem pintado de ouro.
O que o PSDB não percebe, portanto, é que a maioria esmagadora dos brasileiros pode até estar insatisfeita com o início do segundo governo Dilma, mas não é idiota a ponto de esquecer do quanto sofreu quando FHC e companhia governavam.
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