CEZAR CANDUCHO

sábado, 1 de agosto de 2015

O atentado terrorista contra o Instituto Lula é filho da permissividade com que manifestações de ódio vem sendo tratadas no Brasil.

Marcello Reis, do Revoltados Online, é um dos propagadores do ódio e da violência
Marcello Reis, do Revoltados Online, é um dos propagadores do ódio e da violência.

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O atentado terrorista contra o Instituto Lula é filho da permissividade com que manifestações de ódio vem sendo tratadas no Brasil.
A impunidade leva a novos degraus.
Primeiro você xinga, calunia, massacra nas redes sociais. Depois, começa a jogar bombas.
O Brasil tem que adotar uma política de tolerância zero com o ódio.
Em Nova York, nos anos 1990, o então prefeito Michael Bloomberg revolucionou o combate à criminalidade com a adoção da tolerância zero.
O sujeito que fazia xixi em área pública, se não coibido, depois estava cometendo pequenos furtos, e depois sabe-se lá o que ele faria.
O papel da extrema direita na disseminação do ódio impune, em geral pela mídia, é central.
Veja o que algumas pessoas falaram a respeito do atentado.
No Twitter, Danilo Gentili escreveu que Lula forjou o ataque, e que o máximo que ele conseguiu foi as pessoas lamentarem que ele não estivesse lá na hora.
Piada?
Na verdade, crime. Gentili acha que pode fazer uma acusação grave dessas sem nenhuma consequência.
E não dá para culpá-lo. Ele foi processado por racismo por um negro depois de mandá-lo comer bananas.
O juiz disse que não havia ofensa.
Felipe Moura Brasil, blogueiro da Veja que ultrapassou qualquer limite da sanidade, também disse que Lula inventou a bomba.
“A melhor defesa para o PT é se atacar”, escreveu ele no Twitter.
Lobão fez o que se espera de Lobão.
Numa sociedade civilizada, você não pode fazer uma acusação tão grave, e com tamanha dose de ódio irracional, e não responder por isso criminalmente.
Mas é o que acontece no Brasil de hoje.
A Justiça é o que é, mas mesmo assim os promotores do ódio e os assassinos de reputação têm que ser processados.
No mínimo, eles enfrentarão aborrecimentos. E terão que arcar com despesas de advogados.
O que não pode acontecer é nada.
Neste sentido, Lula merece aplausos por decidir processar o diretor de redação da Veja e os repórteres que assinaram a matéria sobre a delação que não existiu.
Romário deveria fazer o mesmo.
Talvez a perspectiva de um passivo jurídico elevado leve as empresas jornalísticas a refrear seus aloprados.
O Brasil não haverá de ser para sempre a terra do valetudo jornalístico. Uma hora a opinião pública exigirá penas duras para assassinos de reputação homiziados na mídia.
Aconteceu em países avançados, e acontecerá também no Brasil.
Agora mesmo, nestes dias, a revista americana Rolling Stone enfrenta uma ação de indenização de 7,5 milhões de dólares por haver relatado um estupro numa universidade com uma série de erros factuais.
No plano das coisas previsíveis, até o momento em que escrevo não aparecera nenhuma manifestação de solidariedade a Lula de FHC, de Aécio e do PSDB.
Mas o que importa agora é reprimir os agentes do ódio. Tolerância zero com eles.
Ou o Brasil acaba com o ódio ou o ódio acaba com o Brasil.
É tempo de fazermos a escolha.
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Vídeo do atentado ao Instituto Lula.



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DEPOIS DO ATAQUE AO INSTITUTO LULA, FHC ACEITA CONVERSAR COM FHC.

Ele



Depois de insistentes pedidos por parte de sua assessoria, o ex-presidente FHC aceitou conversar com o ex-presidente FHC.
Nada mais natural, numa democracia, que dois políticos se encontrem para trocar ideias, especialmente neste momento delicado para o país.
Um dos Fernandos deu entrevista a uma revista alemã de economia, Capital, em que isentou Dilma do escândalo de corrupção da Petrobras.
“Eu a considero uma pessoa honrada”, afirmou. “Eu não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, [ódio] que se volta agora contra o PT.”
O outro Fernando Henrique, que participou da convenção do PSDB falando que “nunca antes neste país se errou tanto nem se roubou tanto em nome de uma causa”, estranhou o tom sóbrio.
O FHC que não deu entrevista aos alemães é um sujeito diferente. No congresso tucano, afirmou que “o país foi iludido com o sonho de grandeza, enquanto a roubalheira corria solta”.
Mais: namora o impeachment apelando ao populismo. “Não somos donos do que vai acontecer nas próximas semanas ou nos próximos meses, mas estamos prontos para assumir o que vier pela frente”, discursou para a galera.
O ex-presidente que conversou com a Capital elogiou Lula. “Ele certamente tem muitos méritos e uma história pessoal emocionante”, disse. “Um trabalhador humilde que conseguiu ser presidente da sétima maior economia do mundo.”
O outro FHC quer entender melhor que palhaçada é essa de dar mole para o Molusco. A regra agora, para ele, é agir como alguém que joga gasolina na fogueira, e não como bombeiro.
Com o ataque ao Instituto Lula, esperava-se que um dos FHCs aparecesse para acalmar os ânimos e fazer um apelo para a razão em nome da ordem democrática e do estado de direito.
Um dos Fernandos fica, no íntimo, preocupado quando um boçal — ou dois, ou três — atira artefatos explosivos por aí, ex-ministros são xingados em restaurantes, um débil mental persegue a comitiva presidencial nos EUA gritando impropérios, entre tantos absurdos.
Um deles olha para Aécio Neves e Carlos Sampaio e sente vergonha.
Eles vão conversar. Uma hora os dois entram num acordo para saber quem é o verdadeiro e quem é o farsante.
Um deles sabe que está enganando, mais do que a milhares de brasileiros, a si mesmo.

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