CEZAR CANDUCHO

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O mundo bizarro de Eduardo Cunha, João Doria Jr e Batzarro.

Eles
Eles.


O conceito de “Mundo Bizarro” foi criado pela editora de quadrinhos DC nos anos 60. Um planeta fictício, em forma de cubo, chamado Arret, é habitado por clones esquisitos do Super Homem, Lois Lane e outros personagens, incluindo o Batzarro, o “Pior Detetive do Mundo”.
Num hotel desse universo paralelo, aconteceu um almoço em torno de Eduardo Cunha. Ele deu uma palestra para 502 empresários. O tema era “democracia participativa e relação com a sociedade civil”, seja lá o que isso signifique.
Quem organizou foi João Doria Jr, presidente do Lide, grupo que reúne companhias com faturamento igual ou superior a 200 milhões de reais ao ano.
Antes do evento, Doria elogiou as “transformações” que Cunha “tem procurado realizar”. Estava feliz com o recorde de presentes em reuniões desse tipo. Iria abrir para perguntas dos convidados, lembrando que não admitiria “nenhum tipo censura”.
Não foi preciso. Ninguém quis saber absolutamente nada sobre a acusação de que a estrela do convescote teria recebido 5 milhões de dólares em propina.
A certa altura, Cunha afirmou que foi “vítima de uma violência com as digitais definidas. Não poderia me acovardar”. Doria quis saber de quem eram as digitais. O deputado respondeu: “Isso é público. Houve interferência do poder executivo”. Então está tudo explicado.
João Doria sempre foi um sujeito preocupado com os rumos do país. Escreveu num artigo para a Folha, há alguns meses, que “a corrupção, como metástase, propaga-se e a sociedade clama por uma cirurgia rápida.” Indicado por Aécio Neves, foi nomeado por Marco Polo Del Nero chefe de delegação da CBF, entidade reconhecida mundialmente pela probidade administrativa.
Cunha dissertou sobre os mais variados assuntos, sendo aplaudido em muitos momentos. Mencionou o rompimento com o governo federal (“Cada um tem seu posicionamento, cada um tem sua ética partidária e sua lógica de ver o processo”), o PMDB (“Acho que a maioria hoje tem uma posição contra a manutenção da aliança”), a terceirização (“O que foi feito é simplesmente a regulamentação de direitos dos trabalhadores terceirizados”).
Também abordou a redução da idade penal (“Em caso de crime hediondo, a maioridade penal varia entre 16 a 18 anos nos Estados Unidos; na França, é de 13 anos. Na América do Sul, só aqui e na Colômbia está em 18 anos. Então por que será que causa tanta polêmica?”) e o impeachment (“Isso não pode ser tratado como recurso eleitoral. É um processo muito complexo e tem que ter seus fundamentos, tem que ter base legal. Mas claro que a decisão é política”).
No final, consagrado, concedeu uma coletiva, mas deixando claro que não responderia tudo. “Não falo mais sobre Lava Jato por orientação do procurador Antonio Fernando de Souza. Ele acha que eu falo demais”, contou.
Do lado de fora, dez jovens protestavam com camisetas amarelas e uma faixa. Eram membros de um grupo que defende, entre outras bandeiras, a legalização do aborto e os direitos LGBT. Aos gritos de “Fora, Cunha”, pediam seu afastamento.
Foram sumamente ignorados. João Doria, numa entrevista, ainda confessou seus planos de concorrer à prefeitura de São Paulo pelo PSDB. “Eu vou em frente”, disse. E vai, alguém duvida?
Coisas como corrupção, afastamento, democracia e almoço são de natureza diferente no mundo habitado por, Eduardo Cunha, Doria, Batzarro e seus amigos.

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