CEZAR CANDUCHO

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domingo, 30 de agosto de 2015

Pôr boneco infamante a Lula na ponte da Folha faz todo sentido.

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Não poderia ser mais apropriada a escolha da ponte Octavio Frias de Oliveira (fundador falecido da Folha de São Paulo) para que um bando de energúmenos endinheirados atacasse a honra do ex-presidente Lula com um boneco inflável de 300 quilos e 12 metros altura, confeccionado ao custo de 12 mil reais – dinheiro que não se sabe de onde veio.
A Folha, vale lembrar, é o único órgão de imprensa do país que tem uma ponte para chamar de sua. Inaugurada em 2008 pelo então prefeito Gilberto Kassab, a ponte da família Frias, vulgo “ponte estaiada”, custou à viúva 184 milhões de reais e mais 40 milhões para sinalização de trânsito no local.
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Detalhe: a ponte tem baixíssima utilização.
Enfim, a chamada da matéria de capa sobre o boneco na edição da Folha do dia seguinte ao ato infamante deixa claro por que a ponte do jornal foi escolhida para o ato. A manchete: “Operação pixuleco”.
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A reportagem feita em tom jocoso tanto quanto outras de veículos de linha editorial antipetista análogas reflete o oposicionismo militante do jornal desde que, há pouco mais de 12 anos, durante a campanha eleitoral de 2002, Lula deixou falando sozinho o filho do fundador do jornal (Otavio Frias Filho, o “Otavinho”) durante em almoço em que este ofendeu aquele que naquele ano se elegeria presidente da República – o dono da Folha queria saber como Lula poderia ousar querer ser presidente sem ter diploma universitário e sem falar inglês. O então candidato a presidente se levantou da mesa e deixou o herdeiro de velho Frias falando sozinho.
Desde então, a Folha protagonizou os ataques mais baixos contra a honra de Lula que se possa imaginar, tendo como ponto alto a publicação de uma matéria que acusava o petista de ter tentado estuprar um colega de cela quando esteve preso durante a ditadura militar.
O mais interessante em tudo isso é a inversão de valores que vivemos. Se Lula fosse presidente da República ou ocupasse qualquer cargo público, confeccionar o caríssimo boneco e gastar uma nota preta para transportá-lo e montá-lo não deixaria de ser um crime contra a honra, mas por certo a Justiça entenderia que um governante tem que suportar esse tipo de coisa por ser um gestor público. Porém, atualmente Lula é só um cidadão comum. Não tem que aguentar isso.
O boneco não faz uma crítica, comete uma calúnia. Lula não foi condenado a nada. A investigação contra ele no Ministério Público é só uma ação preparatória para apurar sabe-se lá o que. Não há fato concreto contra o ex-presidente, apenas uma especulação de que as palestras que deu para empreiteiras envolvidas na Lava Jato poderiam ser produto de algum tipo de acordo envolvendo os crimes que essas empresas cometeram.

Não há acusação de quando, onde, como e por que haveria sido pago algum tipo de propina. A investigação em curso no MPF baseia-se em notícias de jornal sem um fato determinado que as justifique, até onde se sabe.
O que espanta é o alto custo para fazer esse tipo de manifestação caluniosa, difamatória e injuriosa. Os responsáveis pela criação do boneco contrataram frete para transportá-lo até São Paulo – foi lançado em Brasília, nos protestos de 16 de agosto último. A operação de transporte e montagem do boneco é complexa, pois requer um grande gerador e um potente ventilador.
Para completar o quadro de inversão de valores, a estudante de Direito Emmanuelle Thoazielo, de 21 anos, integrante do movimento União da Juventude Socialista, simpatizante de Lula e do PT, foi “presa” por “suspeita” de ter “esfaqueado” – e, portanto, esvaziado – o boneco inflável durante uma contramanifestação de simpatizantes de Lula, que se revoltaram com a iniciativa infamante e foram ao local protestar.
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A mídia vem considerando mais grave “esfaquear” um boneco do que atirar uma bomba contra o Instituto Lula. Colunistas como Merval Pereira e Ricardo Noblat fizeram tal afirmação.
Então ficamos assim: levar uma difamação caluniosa e injuriosa à rua contra alguém que não foi condenado a nada e que, portanto, detém direito à preservação da própria imagem – até por ter sido presidente da República -, pode; reagir à agressão, não pode.
O mais grave é o enfrentamento entre grupos pró e anti Lula nas ruas por causa desse episódio. Após o boneco ser furado na ponte estaiada, os seus proprietários rapidamente o consertaram e o levaram para diante da prefeitura, onde ocorreu o enfrentamento.
Como a esquerda já começa a ir às ruas contra os golpistas, é previsível que comecem a ocorrer nas ruas choques entre petistas e antipetistas cada vez mais virulentos. É mais do que previsível, pois, que é uma questão de tempo para que pessoas acabem feridas e até mortas nesses choques, pois a polícia não estará sempre nos locais em que venham a ocorrer.
Enquanto isso, a mídia trata de pôr lenha na fogueira – como se vê na primeira página da Folha deste sábado.
De vez que a violência comece, vai ser duro fazer com que reflua. Além de todos os problemas econômicos que a crise política está causando, a mídia e esses movimentos fascistas vão acabar desencadeando uma (literal) guerra civil nas ruas do país. E que não se enganem os que desejam essa situação. Dos dois lados haverá gente disposta ao enfrentamento.
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