CEZAR CANDUCHO

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Protestos murcham, ódio cresce - O plano da oposição golpista de realizar protestos cada vez mais massivos que forçassem a derrubada do governo fracassou. Números confiáveis ainda não estão disponíveis, mas em todas as capitais do país, visivelmente, as manifestações desse domingo (16) foram muito menores do que as ocorridas em abril.

Manifestação deste domingo em Brasília (DF).
Manifestação deste domingo em Brasília (DF).

Em alguns lugares, como na manifestação de Belo Horizonte, que contou com a presença do tucano Aécio Neves, os números foram vexatórios: 6 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar.

O fracasso é mais significativo se considerarmos que dessa vez o PSDB usou suas inserções de rádio e televisão para convocar a manifestação. O chamado dos tucanos não surtiu o efeito desejado, o que mostra que a crise não resulta necessariamente em um fortalecimento significativo do prestígio da oposição.

Os cardeais oposicionistas decidiram ser testemunhas oculares do fracasso da estratégia das manifestações crescentes: Aécio Neves, José Serra e Aloísio Nunes, para ficarmos em alguns exemplos, comparecem aos atos. Lá puderam assistir in loco ao crescimento do espírito de ódio e violência.

Isso porque, se os protestos foram menores, o ódio e a intolerância parecem ter crescido em relação às ocorridas no mês de abril. Fora os já tradicionais apelos a um golpe militar, novas palavras de ordem de incitação ao crime, algumas delas clamando pelo uso de violência contra a mandatária do país, se multiplicaram.

O plano oposicionista de realizar uma escalada de protestos cada vez mais massivos foi derrotado, mas os atos permanecem reunindo um número representativo de pessoas, o que preocupa lideranças dos movimentos sociais.

Segundo a presidenta da UNE, Carina Vitral: “Os protestos foram bem menores, mas ainda significativos. Isso faz com que tenhamos que ampliar a mobilização para a próxima quinta-feira (20), para dar uma resposta firme aos intentos antidemocráticos”.

Veja abaixo alguns dos cartazes que se multiplicaram nos protestos:









Do Portal Vermelho

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Ataques a Lula atingem democracia e conquistas.







Sob a manchete “Muitos Lulas” o jornal Movimento descreveu, em 14 de maio de 1979, a pronta reação dos trabalhadores em greve, em São Bernardo do Campo, à prisão do então sindicalista Luíz Inácio da Silva.

Isso ocorreu há 36 anos e os trabalhadores, que exigiam melhores salários, lutavam contra da ditadura militar e o arbítrio policial.

Aquele foi um episódio de grande visibilidade da luta de classes que se desenvolvia. E o preso pela repressão ia além da figura do líder sindical importante em que Lula se transformara. Ele era também a imagem da exigência de transformação que pulsava na mente dos trabalhadores e do povo, sentimento que aquela manchete foi feliz em traduzir. 

Nestas quase quatro décadas o Brasil mudou, com grande participação de Lula e dos trabalhadores. A ditadura militar foi derrotada e a disputa pela presidência da República deu lugar a embates decisivos, sobretudo desde 1989, quando Lula foi candidato pela primeira vez. Um fantasma passou a rondar o imaginário das classes dominantes brasileiras: o medo das mudanças e da democratização efetiva, simbolizados na figura de Lula. Fantasma que se traduziu desde então, em todas as campanhas presidenciais, na busca desenfreada pelo anti-Lula que socorresse a elite em seus devaneios continuístas. 

Foi um quadro de luta feroz, acentuado em 2002 quando, finalmente Lula e as forças progressistas representadas na Frente Brasil Popular venceram a eleição presidencial e puderam iniciar os governos que promoveram as mudanças em curso no Brasil desde então. 

Lula permanece no alvo da direita justamente porque representa esse conjunto de forças e o sentimento de mudanças que o Brasil exige. 

Hoje, o anti-Lula se transformou na tentativa de destruir a imagem do próprio ex-presidente, no esforço de diluir suas chances eleitorais em 2018. 

O fantasma que assusta da direita é o da continuidade do projeto de mudanças que anima o país e pode se aprofundar. O presidente eleito em 2018 - e Lula é talvez o mais forte pré-candidato - iniciará o quinto mandato das forças democráticas, patrióticas e progressistas; será o presidente que dirigirá, em 2022, a comemoração dos 200 anos da Independência do Brasil e, com certeza, consolidará as transformações iniciadas em 2003 no rumo de uma sociedade mais democrática, igualitária e desenvolvida. 

Por isso, a direita precisa destruir a imagem de Lula - e, com ela, derrotar os anseios pela mudança profunda. Precisa passar, para o país a imagem de que a esquerda e as forças progressistas são incapazes de dirigir a nação e resguardar os direitos sociais, democráticos e patrióticos. 

A imagem dos “Muitos Lulas”, de 1979, é atual como nunca. Atual neste momento em que setores conservadores do judiciário, a direita e sua mídia amestrada, acenam com imaginárias irregularidades para, eventualmente, levar o ex-presidente aos tribunais e à prisão. A ditadura militar de 1964 tentou o mesmo caminho, em 1979 - mas a prisão de Lula fortaleceu o sentimento de mudanças que ele representava. E ainda representa. Daí porque se impõe com urgência o mesmo sentimento. Mexeu com Lula, mexeu comigo! Mexeu com Lula, mexeu com os brasileiros e com a exigência de mudanças mais profundas no país!

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