CEZAR CANDUCHO

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Dilma tem de ir à TV enfrentar o golpe e dar os nomes dos "bois"


Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

Há muito tempo a presidenta Dilma Rousseff deveria ter ido à televisão para enfrentar duramente os conspiradores do golpe e citar um por um para o povo brasileiro saber quem é quem nesta história de horrores, porque golpe contra mandatários que não cometeram crimes comuns e de responsabilidade é realmente uma coisa terrível, vide o golpe civil-militar de 1964, que durou intermináveis 21 anos.

Como agora a direita de índole escravocrata deste País não conta mais com os generais, e, ao que parece, as vivandeiras de quartéis estão extintas ou não tem mais espaço para choramingar o choro de crocodilo nos ombros dos militares, resta a essa gente irresponsável optar pelo golpe paraguaio, que, cinicamente e hipocritamente, tenta dar uma conotação de legalidade e legitimidade ao crime de derrubar presidentes constituídos pelo povo brasileiro por intermédio das urnas e de sua vontade soberana.

Evidentemente se percebe, até com certa facilidade para quem não se deixa ser tratado como idiota, que golpe sem motivos concretos é crime, bem como quem comete crimes é considerado criminoso, e fim de papo. Quem apoia criminoso, mesmo se não colocar diretamente a mão na massa, torna-se cúmplice, como ocorreu, vale lembrar novamente, com muitos brasileiros ideologicamente conservadores no ano desastrado de 1964.

Contudo, está mais do que na hora de a presidenta Dilma Rousseff mostrar sua autoridade, que se alicerça em 54,5 milhões de votos, bem como na sua condição de mandatária, que tem poder para enfrentar golpistas sem limites, que não aceitaram a derrota eleitoral, principalmente no que concerne à conduta e à postura do tucano Aécio Neves, o pior perdedor de eleições na história do Brasil.

Aécio Neves é o típico garoto perna de pau, mas dono da bola, que encerra o jogo porque não consegue superar seus adversários. Conheci alguns garotos assim na minha infância. Vencedor de eleições até então, o tucano torna-se mau perdedor por ser um playboy mimado, que nunca tinha sido derrotado eleitoralmente e, mais do que isto, seus desejos e caprichos nunca foram-lhes sido negados. Porém, o foram em 2014, por força de determinação e vontade do povo brasileiro, que, por sinal, ele não respeita.

A partir desta derrota, Aécio "enloqueceu", radicalizou seu discurso e se tornou o golpista-mor do Brasil para a vergonha de seu avô, Tancredo Neves, que se fosse vivo e por causa de sua biografia combativa não iria compactuar com os caprichos de seu neto, playboy mimado, que resolveu guardar mágoas e rancores de sua derrota eleitoral no freezer, ao ponto de criar factoides sem fim, como sua viagem à Venezuela, que foi uma verdadeira pantomima.

É o fim da picada, em pleno século XXI, a pauta do Brasil imposta por uma imprensa privada de caráter corrupto e antinacionalista se resumir a golpe de estado, com um "colorido" mequetrefe de golpe jurídico-parlamentar à moda paraguaia, cuja finalidade, ridiculamente, é legitimar as más ações de criminosos que querem derrubar uma mandatária como se derrubassem mangas de árvores.  Durma-se com um barulho desses, porque é inacreditável a que ponto chegam os inquilinos representantes da casa grande, uma das mais preconceituosas, corruptas, ricas e violentas do mundo.

Dilma tem de ir à televisão e dizer que Aécio Neves, Carlos Sampaio, Agripino Maia, Ronaldo Caiado, Cássio Cunha Lima, José Serra, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, Sérgio Moro, delegados aecistas, Deltan Dallagnol e companhia, bem como Rodrigo Maia, Roberto Freire, Paulinho da Força, Álvaro Dias, Jair Bolsonaro, além de Gilmar Mendes, Aroldo Cedraz, Augusto Nardes, dentre muitos outros personagens da direita brasileira que frequentam os poderes da República, apostam em golpe contra o Brasil, a democracia, o Estado de Direito, a Constituição, as instituições republicanas e, principalmente, contra o povo brasileiro, como ocorreu em 1954 e 1964.

Autoridades de oposição que são inquilinas do Congresso, do STF, do TSE, do TCU, da Polícia Federal e do Ministério Público, que vazam criminosamente processos e inquéritos para a imprensa de mercado dos magnatas bilionários sonegadores de impostos fazerem uma oposição sistemática e completamente divorciada do jornalismo isento, investigativo e que ouvisse os dois lados de um mesmo episódio, a fim de permitir o contraditório.

Tal realidade que, de forma surreal, acontece também nos âmbitos da PF, da Justiça e do MP, que são instituições integrantes do Estado nacional e que, em hipótese alguma, deveriam agir e se comportar como empresas privadas descompromissadas com a Nação, a exemplo das mídias corporativas e familiares, que editam e repercutem um jornalismo de péssima qualidade editorial.  

Autoridades que formaram uma frente única de caráter conservador, que defendem seus interesses políticos, econômicos e ideológicos, com unhas e dentes, não dão ponto sem nó ao tempo que dão nó em pingo d'água, porque a finalidade, sem sombra de dúvidas, é conquistar a cadeira da Presidência da República antes das eleições de 2018, que poderá ter Lula como um dos candidatos favoritos. É tudo o que a direita antidemocrática brasileira, já desesperada, não quer: um presidente trabalhista novamente no poder.

A verdade é que os políticos de oposição tem muitos esqueletos escondidos em seus armários, notadamente o chefe da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que, apesar de ser do PMDB, sempre foi oposição as governos Lula e Dilma. Na presidência do Legislativo, Cunha se esmerou em efetivar pautas que prejudicassem o Governo Trabalhista e o País, bem como conspirou o tempo todo para que Dilma Rousseff fosse derrubada em um golpe por vias jurídicas e parlamentares.

Um verdadeiro absurdo, porque fatos são fatos e a verdade, nua e crua, é que a mandatária brasileira nunca cometeu crimes de responsabilidades. Dilma Rousseff não é o caso de Fernando Collor e, seguramente, jamais cairia sem reagir. Dilma tem base parlamentar, mesmo que atualmente frágil, mas que está a consolidá-la, de acordo com o enfraquecimento de Eduardo Cunha, que já abandonado pela mídia empresarial e pelo PSDB se tornou um cadáver político, bem como a reforma ministerial colocou os pontos em quase todos os 'is'.

Por seu turno, os militares querem distância do poder político, assim como os movimentos sociais apoiam a administração petista, mesmo a discordar de vários pontos, além de as confederações e federações sindicais, urbanas e rurais, estarem ao seu lado. A reação dos legalistas contra o golpe seria rápida e dura, as ruas seriam tomadas pelos brasileiros de bom senso e que não aceitam golpes tradicionais à base da força das armas, bem como os de embalagens matreiramente e sorrateiramente jurídicas, a fingir que são "legais". Pura hipocrisia...

Além disso, o Brasil não é um País de bananas, como o quer transformá-lo a direita brasileira, apátrida, antinacional e portadora de um incomensurável e inenarrável complexo de vira-lata, pois subalterna e subserviente à gringada, a quem a casa grande tanto admira e não se importa de perder a vergonha na cara, a fim de se submeter aos ditames dos países ricos e admirados pelas burguesia e pequena burguesia pusilânimes e ignorantes sobre a história do Brasil e de seu povo criativo, inteligente e corajoso. O povo é luxo. A burguesia é lixo, com exceções, obviamente.

Dilma Rousseff tem de fazer, o mais rápido possível, um pronunciamento em cadeia nacional e explicar, de forma didática, clara e objetiva o que está acontecer no Brasil, no que tange às tentativas de impeachment por parte da oposição, notadamente o PSDB e o DEM, com repercussão e cumplicidade das mídias nativas e de históricos lamentavelmente golpistas.

A presidenta trabalhista tem de dizer que Aécio Neves não aceitou a derrota e, por conseguinte, fomenta todo tipo de mentiras e manipulações para que o governo petista seja engessado, a impedir que se pense e debata o Brasil, bem como mostre os avanços conquistados pelo povo brasileiro.  A direita quer duas coisas: 1) derrubar, criminosamente, Dilma Roussef, em um golpe paraguaio; e 2) impedir o debate e, por sua vez, fazer com que o povo esqueça como sua vida melhorou nos últimos 13 anos. Ponto.

Dilma Rousseff tem de dizer: "Eu não roubo e não permito que roubem. Meu governo foi o que mais prendeu gente poderosa politicamente, economicamente e financeiramente, a exemplo de grandes empresários, funcionários públicos de alto escalão e políticos que se deixaram corromper. Meu governo prendeu os corruptos e, pela primeira vez, os corruptores. Sim, os corruptores, os mesmos que financiam os partidos que concorrem às eleições e dá no que dá: corrupção! Isto mesmo, o financiamento privado de campanhas eleitorais, que o PSDB, o DEM e o PPS, a imprensa familiar, certo juiz do STF, dentre outros personagens da direita brasileira apoiam. Mesmo a saber que campanhas financiadas por empresários são o mal principal da corrupção, essa gente lutou até o fim para que o financiamento continuasse, o que, felizmente, não aconteceu, porque a maioria dos juízes do STF não permitiu".   

Depois desta fala, Dilma deveria encerrar desse modo: "Jamais permitirei que me derrubem e que os votos dos brasileiros que votaram em mim sejam rasgados e jogados no ralo. Além disso, certamente que muitos brasileiros que não votaram em mim não apoiam golpes por serem legalistas e civilizados". Encerra-se a fala, com um "Boa noite". Ponto.

Dilma não vai cair, porque a direita está inconformada e histérica. Que esperem pelo ano de 2018. Depois veremos quem tem mais garrafa para vender. O Brasil não é e nunca será uma República das bananas. Jamais. Provinciana, subserviente e golpista é a "elite" também conhecida como casa grande. Quanto ao golpe, não somos indulgentes. Dilma tem de ir à TV enfrentar o golpe e dar os nomes dos "bois". É isso aí.

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