CEZAR CANDUCHO

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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Um presidente de bens.


Cunha tem patrimônio 37 vezes maior do que informou à Justiça; havia conta secreta até nos EUA.
-Brasília- O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem patrimônio estimado 37 vezes maior que os valores oficialmente declarados por ele à Justiça Eleitoral, conforme indicam os documentos que deram origem ao segundo inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. À Justiça Eleitoral, Cunha declarou ano passado patrimônio de R$ 1,6 milhão. Mas, na abertura de quatro contas na Suíça em nome dele e da mulher, Cláudia Cruz, entre 2007 e 2008, o banco Julius Baer estimou que o patrimônio de Cunha era de US$ 16 milhões (R$ 61,3 milhões). As novas revelações acabaram deteriorando ainda mais a situação política do parlamentar na Câmara. Ele continua negando ser titular das contas.
A estimativa foi feita pelo banco Julius Baer, a partir da relações de bens fornecidas pelo próprio Cunha na abertura das contas secretas. "Seu patrimônio estimado, à época da abertura da conta, era de aproximadamente US$ 16 milhões" diz trecho da peça entregue pelo procurador-geral em exercício, Eugênio Aragão, ao Supremo. O procurador informa que até o patrimônio oficial declarado pelo deputado teve crescimento suspeito. Entre 2002 e 2014, o patrimônio de Cunha teve um aumento de 214%.
DINHEIRO NÃO DECLARADO TAMBÉM NOS EUA


 O presidente da Câmara tem atualmente patrimônio declarado de R$ 1,6 milhão. Em 2002, quando já estava na política, ele tinha bens da ordem de R$ 525.768,00. O patrimônio declarado do deputado também é inferior aos valores que ele e a mulher movimentaram nas quatro contas suíças entre 2007 e 2008: mais de R$ 22 milhões.
O pedido de abertura de inquérito informa ainda que, além das contas secretas na Suíça, Cunha tinha também uma conta não declarada no banco Merril Lynch, nos Estados Unidos. "A análise de risco e perfil do cliente demonstram que Eduardo Cunha já mantinha conta junto ao banco Merril Lynch nos EUA há mais de 20 anos, de perfil agressivo e com interesse em crescimento patrimonial. Sua fortuna seria oriunda de aplicações no mercado financeiro local e do investimento no MERCADO IMOBILIÁRIO carioca" escreveu Aragão.
O procurador pediu abertura de inquérito para investigar a suspeita de que Cunha e a mulher usaram as contas secretas para receber e gastar dinheiro desviado da PETROBRAS. Rastreamento da movimentação financeira mostra que uma das contas de Cunha, a Orion SP, recebeu cinco depósitos no valor total de US$ 1,3 milhão do lobista João Augusto Henriques depois de um negócio de US$ 34,5 milhões intermediado por ele entre a Companie Beninoise Hydrocarbures, do Benin, e a PETROBRAS, em maio de 2011.
Documentos repassados ao Brasil pelo MINISTÉRIO PÚBLICO da Suíça mostram que Cunha usou passaporte diplomático, endereço residencial no Rio e telefones da Câmara e do Palácio do Planalto para abrir as contas da Suíça. As assinaturas atribuídas a Cunha no cadastro das contas conferem com a do passaporte e a de documentos assinados por ele no Brasil. Numa tentativa de esconder as contas, Cunha pediu, no entanto, que as correspondências do banco suíço fossem enviadas para um endereço dele em Nova York, com a alegação de que o serviço postal brasileiro não é confiável. Na abertura das contas, Cunha informou que trabalhava no Palácio do Planalto, o que jamais ocorreu, e Cláudia Cruz informou que sua profissão é dona de casa.
AFASTAMENTO DO CARGO PODE SER PEDIDO
Com base nas informações reunidas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, cogita a possibilidade de pedir ao STF que determine o afastamento do presidente da Câmara nos próximos dias, caso não surja nenhuma iniciativa neste sentido dentro do próprio Congresso.
Para auxiliares do procurador-geral, os indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, narrados no pedido de abertura do inquérito sobre as contas na Suíça e na denúncia sobre propina em intermediação de navios-sonda para a PETROBRAS, são contundentes e exigem respostas das instituições à altura da gravidade dos crimes imputados ao deputado. Há também a possibilidade de a Procuradoria-Geral pedir o desmembramento do inquérito e transferir as investigações sobre a mulher e sobre a filha Danielle Dytz da Cunha Dorovitch para a 13? Vara Federal de Curitiba, sob o comando do juiz Sérgio Moro.
- Não está descartado o pedido de afastamento de Cunha e nem o desmembramento do inquérito - disse um dos investigadores.
Para a Procuradoria-Geral da República está claro que o presidente da Câmara mentiu ao dizer que não tinha contas no exterior. Na denúncia apresentada contra Cunha em agosto e ampliada na quarta-feira, o procurador-geral, Rodrigo Janot, acusa o deputado de receber US$ 5 milhões do lobista Júlio Camargo para facilitar a contratação de dois navios-sonda da Samsung Heavy Industries pela PETROBRAS, um negócio de US$ 1,2 bilhão. Em um dos depoimentos da delação premiada, que levaram ao aditamento da denúncia, o lobista Fernando Soares, o Baiano, informa que Cunha recebeu propina em várias parcelas até o primeiro semestre do ano passado. O presidente da Câmara não se conteve nem mesmo depois do início da Operação Lava-Jato.
Segundo Baiano, entre junho e julho do ano passado, Cunha se reuniu com Camargo para acertar o pagamento final da propina. Cunha queria receber mais R$ 1,2 milhão. Camargo entendia que o restante da dívida não passava de R$ 400 mil. Com dificuldades de caixa, Camargo pediu a Baiano que o ajudasse a quitar o suborno de Cunha. Baiano repassaria R$ 300 mil ao deputado e Camargo completaria com R$ 700 mil. Deste total, R$ 500 mil seriam pagos na forma de créditos para uso de táxi aéreo. Baiano deixa claro ainda que, só não pagou a parte dele (R$ 300 mil) porque, antes disso, acabou sendo preso por ordem do juiz Sérgio Moro.
Banco Julius Baer estimou o patrimônio de Eduardo Cunha em US$16 milhões, o equivalente a R$ 61,3 milhões. Globo.

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