CEZAR CANDUCHO

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

As mentiras do sionista da Folha de S. Paulo.

 


Um colunista da Folha de S. Paulo, João Pereira Coutinho, escreveu nesta quarta-feira (10) um artigo no jornal paulista intitulado “O adeus de Caetano Veloso” onde, a pretexto de criticar o cantor e compositor baiano, que condenou os crimes israelenses contra o povo palestino, desfia, em um tom falsamente tolerante, um rosário de mentiras visando justificar o genocídio contra o heroico e martirizado povo palestino. 


A falsa indulgência com que o colunista finge tratar o assunto é desmascarada logo no início do texto quando ele explica que a paz não existe porque “a parte árabe sempre recusou” trocar territórios pela paz. Notem a sutileza do raciocínio (e da linguagem, que fala em parte “árabe” e não parte “palestina”, embora os palestinos sejam árabes o que se busca com este recurso é negar a existência dos palestinos como povo). Se não existe paz, a culpa é da “intransigência dos árabes”. Imagine o leitor a seguinte situação: ao voltar para casa você encontra ocupando o quarto dos seus filhos um invasor fortemente armado. Depois de tentar desalojá-lo sem sucesso você assiste, já muito ferido, o invasor ocupar a sala, a cozinha e o banheiro. Do último espaço que lhe resta, o corredor, você ainda resiste ao agressor superior em armas que lhe acusa, por sua resistência, de ser .... intransigente. Seria cômico se não fosse absolutamente trágico. Subjacente ao hipócrita texto perpetrado pelo sionista da Folha está a noção de que o Estado de Israel foi criado em uma terra de ninguém, corroborando aliás o slogan da propaganda sionista da época: “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Na verdade, toda a argumentação de João Pereira Coutinho apenas repete, com outras palavras, as falsas teorias sionistas sobre o conflito (leia aqui o artigo do colunista da Folha reproduzido por um blog). É certo que não existia um Estado Palestino na região quando da ocupação israelense, mas é inquestionável que existia sim um povo que era o dono da terra desde tempos imemoriais: o povo palestino.

O sionista “cândido”

Quando da ocupação israelense, viviam naquela região mais habitantes por quilômetro quadrado do que na Argentina ou nos Estados Unidos na mesma época. Desde então, os palestinos, que tinham 100% das terras, passaram a ter 45% em 1947, cerca de 35% em 1967 e com as negociações de paz de 1993, possuem hoje o controle de menos de 22% da Palestina histórica. Realmente, são muito intransigentes estes palestinos. Mas vocês acham que a culpa dos palestinos pelo conflito termina aí? Pois estão redondamente enganados. O sionista da Folha afirma que a ocupação da Faixa de Gaza só continua por conta dos mísseis que o Hamas joga contra Israel, e conclui candidamente: “o fim da ocupação da Cisjordânia foi adiado ‘sine die’, não por opção de Israel – mas porque os radicais deixaram Israel sem opções”. É assim que a 5ª potência militar do mundo, Israel, que recebe de seus parceiros estadunidenses ajuda militar de US$ 3 bilhões anuais (e o premiê israelense Benjamin Netanyahu já anunciou que pretende pedir mais US$ 50 bilhões) é atrozmente ameaçada por um povo sem exército, sem marinha, sem aeronáutica, que tem em sua defesa grupos guerrilheiros armados de forma precária.

O avassalador poder militar palestino.

Segundo o relatório anual do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU, divulgado em maio de 2015, apenas a operação “Barreira de Proteção”, lançada pelo exército israelense contra a Faixa de Gaza em 2014, deixou um saldo de mais de 1.500 civis palestinos mortos, 11.000 feridos e 100.000 deslocados. Prestem atenção na palavra CIVIS. No total, 2.200 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza, incluindo combatentes e 550 crianças. Prestem atenção na palavra CRIANÇAS. E do lado israelense? Do lado israelense, segundo o mesmo relatório da ONU, 73 pessoas morreram, incluindo 67 soldados. Realmente, o colunista da Folha tem razão: a máquina de guerra palestina é avassaladora. Mas o maior absurdo de todo este texto de propaganda sionista assinado pelo Mossad, quer dizer, desculpem, por João Pereira Coutinho, acontece quando ele afirma que Israel “expressa o tipo de cosmopolitismo e familiaridade que não se encontra nas capitais islâmicas da vizinhança. Capitais de países onde democracia, respeito pelos direitos humanos ou igualdade entre os sexos são produtos raros. Seria uma pena que Caetano Veloso, um homem inteligente, trocasse Tel Aviv por Damasco, Teerã ou Riade”. Realmente, é muito cosmopolita um Estado onde seu Ministro de Relações Exteriores defende o extermínio de todo um povo. Declaração textual de Avigdor Lieberman: “Nossos soldados estão fazendo bem o trabalho em Gaza, mas a solução não é a invasão, a solução é como a que os Estados Unidos usaram com o Japão, em Hiroshima e Nagasaki”.

Mais cosmopolitismo israelense.

O cosmopolitismo israelense se releva inteiramente pela sinceridade do cosmopolita Ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman: “Quando existe contradição entre valores democráticos e valores judaicos, os valores judaicos e sionistas são mais importantes”. Este tipo de declaração de maneira nenhuma é um caso isolado. O cinismo dos líderes sionistas vem de longe. A decantada Golda Meir declarou em 8 de março de 1969: "Como podemos devolver os territórios ocupados, se não existe para quem devolvê-los?" O que era perfeitamente compatível com sua afirmação taxativa de que “não existe um povo palestino”. O que o sionista da Folha tenta esconder é claro como o sol: o Estado de Israel é racista e teocrático, com muros do apartheid sendo construídos impunemente, pessoas constantemente expulsas de suas terras e obrigadas a usar documentos com cores diferentes apenas porque não são judeus “puros”, etc. A involuntária ironia final do João Pereira Coutinho está na citação à Riade como contraponto à “cosmopolita” Tel Aviv. Riade é a capital da Arábia Saudita, país com governo ditatorial e teocrático. Pois Israel, em conjunto com Arábia Saudita, EUA e Otan, faz na prática uma aliança militar com o Estado Islâmico contra o governo Sírio, que é, este sim, um governo laico, solidário, onde convivem fiéis de diferentes religiões e que garante direitos iguais às mulheres. No artigo do sionista da Folha aparece a ilustração de uma mão cheia de sangue, com certeza uma referência sádica ao sangue do povo “que não existe”, mas que, queiram ou não os sionistas e suas penas de aluguel, resiste, luta e vencerá.

Enquanto isso, em Portugal.

Nesta quarta-feira (10) caiu o governo de direita de Portugal. É que estes portugueses - orgulhosos que são por um compatriota dar nome ao maior clube de futebol do mundo, o Vasco da Gama - não leem o colunista de uma nota só que escreve em O Globo, Nelson Motta, que conforme abordei na última Notas Vermelhas, havia informado “que a aliança de liberais e conservadores que sustenta o governo impôs uma derrota humilhante ao Partido Socialista”. Você só impõe uma “derrota humilhante” aos adversários se obtiver, por óbvio, uma vitória esmagadora. Pois não é que depois da “vitória esmagadora” a direita perdeu a maioria no parlamento e, portanto, a condição de sustentar um primeiro-ministro? Mais umas três vitórias ao estilo Nelson Motta e o Partido Comunista Português ganha o poder e constrói o socialismo em Portugal. Mas o interessante é como a mídia brasileira noticiou – ou escondeu – a queda do gabinete conservador, que perdeu a maioria mesmo com o apoio em bloco da mídia hegemônica portuguesa, desgastado pela receita neoliberal que aplicou. Não foi destaque em nenhum jornal ou portal do Brasil. O site da Revista Exame, por exemplo, deu a notícia, e lá pelas tantas reportou: “Enquanto no interior do plenário a oposição derrubava o governo, duas manifestações díspares aconteciam às portas do parlamento, uma em apoio dos conservadores e outro favorável aos grupos de esquerda. Milhares de pessoas se juntaram na região, separadas por um corredor de segurança e atentamente vigiadas pela polícia, que reforçou o esquema de segurança para evitar incidentes.” O texto da Exame, publicação da Editora Abril (sempre ela) dá a entender que as manifestações eram equivalentes, certo? Mas vejam a foto ao final do texto. A parte de cima é a manifestação da direita e abaixo a manifestação que exigia a queda do governo conservador. Essa nossa mídia empresarial parece piada. Ora, pois, pois.


 
 

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