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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

FHC e Aécio conspiram e, como a Justiça, consideram o brasileiro idiota.



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

Passaram-se mais de 13 meses das eleições presidenciais vencidas pelo PT de Dilma Rousseff, que não consegue governar o País, conforme decidiu, por intermédio da soberania das urnas, a maioria do povo brasileiro. São muitos meses de uma crise que se tornou meramente policial, mas de conotação política, de tal forma que o Governo Trabalhista não consegue aprovar quase nada no Congresso, e, quando aprova, somente por meio de duras negociações, a ter ainda o oba-oba da imprensa venal e de tradição golpista, que distorce os fatos, manipula os acontecimentos e mente descaradamente para que seus aliados do PSDB e DEM possam ter uma agenda, que permita aos demotucanos atacar, sistematicamente, o Governo do PT.

Agora, Aécio Neves, o pior político deste País, pois incrivelmente incendiário, além de ser um péssimo perdedor por ser antidemocrático e autoritário, anuncia pelas redes sociais seu encontro, no domingo, com seu "mestre" Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, aquele ex-presidente tucano exacerbadamente "competente", que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, a pedir esmolas para a gringada neocolonial, porque quebrou o Brasil três vezes.

Aécio não se fez de rogado e publicou foto do jantar, em seu facebook, com o grão-tucano de 84 anos, no qual, "inspirados" e irresponsavelmente golpistas, conspiraram, recorrentemente, contra o mandato da presidente trabalhista, Dilma Rousseff, eleita legalmente, constitucionalmente e que, como política e cidadã, não incorreu em malfeitos, não foi autora de crime de corrupção, ou seja, não meteu a mão no dinheiro público, bem como não cometeu crime de responsabilidade, porque se submete à Constituição e ao Código Penal deste País.

Aécio Neves, o playboy machão de Ipanema, que, absurdamente, ofendeu  uma senhora de "leviana" em um dos debates presidenciais, sabe disso. Bem como também sabe o playboy veterano e sociólogo, que não entende nada de povo, porque com o povo nunca andou e jamais o compreendeu. A verdade é que a crise não é econômica, como já demonstram a recuperação dos números e índices da economia. A crise é política e direcionada, estritamente, pela direita para a efetivação de um impeachment presidencial contra Dilma Rousseff.

Esses tucanos querem porque querem dar um golpe, e não esperar pelas eleições de 2018. Impedem, de todas as formas e maneiras, que o Governo Trabalhista governe e efetive suas ações por meio de seus programas e projetos, tanto no âmbito da infraestrutura e logística quanto no que diz respeito às dezenas de programas de inclusão social e de igualdade de oportunidades, realidades que, definitivamente, os tucanos não efetivaram e muito menos concretizaram nos oito anos de seus governos neoliberais e privatistas, dispostos a governar para poucos, ou seja, para as castas sociais historicamente privilegiadas.

Contudo, a irresponsabilidade institucional e constitucional dessa gente é de chamar a atenção. O vale tudo na política brasileira é algo que impressiona até os analistas e críticos conservadores da Europa e dos Estados Unidos, que são referências dos coxinhas de classe média brazucas e da casa grande eternamente nostálgica da escravidão ou das empregadas domésticas sem carteiras de trabalho assinadas.

Todavia, os tucanos mais parecidos entre todos os emplumados do PSDB foram à comezaina em um restaurante qualquer de luxo como se estivessem a decidir os destinos do Brasil, com a intenção de melhorar a vida do povo brasileiro. Mas, como, se tucanos e a direita em geral não pensam o Brasil e muito menos se importam com isto? Não. A verdade é que eles, de acordo com as declarações do menino mimado que ficou sem o presente de Natal de 2014, ou seja, a Presidência da República estão a gerar factoides para que a imprensa de mercado os repercuta e dê continuidade ao processo de desconstrução do Governo Trabalhista e da imagem da presidente Dilma e do ex-presidente Lula.  

"Para que pensar o Brasil?" — se indagam os tucanos, que complementam sua falta de discernimento quanto aos interesses e destino da Nação: "Somos párias das cortes europeias e estadunidenses, além de antidemocráticos, porque somos parte de uma elite que não consegue viver no regime democrático. Somos golpistas. Trata-se do nosso DNA". Por isto e por causa disto aconteceu um encontro em que FHC — o Príncipe da Privataria I — e o Aécio Neves, ao invés de discutirem os rumos para desenvolver o Brasil, e, por seu turno, apresentarem propostas ao povo brasileiro, discutem apenas como dar um golpe, com consequências imprevisíveis para a Nação, a América do Sul e o mundo.

O Brasil não é qualquer País. É um País poderoso, de imensa extensão, populoso, com uma economia gigante e um mercado interno que poucos países no mundo tem ou podem ter. Trata-se da sétima maior economia do mundo, a despeito de suas dificuldades econômicas e problemas sociais graves. O Brasil é uma liderança regional, que está a ser influente no mundo, cuja liderança, de forma conjunta, expressa-se no G-20, nos Brics, no Mercosul, na Unasul e em outros fóruns internacionais, a lutar, inclusive, para integrar o Conselho de Segurança da ONU, que, propositalmente, continua a se comportar como se vivenciasse o fim da II Guerra, ou pior, como estivesse no tempo da Guerra Fria.

Nossas elites ainda não saíram desse tempo, e continuam irresponsavelmente a conspirar para dar golpes. Como a casa grande deve estar a sofrer por não poder ser mais vivandeira de quartel. Como deve estar inconformada a burguesia tupiniquim por perceber que os generais não querem mais participar de presepadas, traições e cafajestadas contra o povo brasileiro, porque uma elite de índole escravocrata, mas que se recusa, afirmo novamente, a pensar o Brasil para desenvolvê-lo, como o fizeram as elites da França, da Alemanha, do Japão, dos Estados Unidos, da Inglaterra, além de outros países, a despeito de serem democráticas ou não.

Aécio Neves e seu "guru", Fernando Henrique, são mais parecidos com dois capiaus de província do que propriamente como se fossem cidadãos cosmopolitas, mesmo a terem por toda vida acesso às classes dominantes, até porque são membros delas. É inacreditável que dois dos mais importantes políticos do maior partido de oposição do Brasil se resumirem politicamente a arquitetar golpes contra o povo brasileiro, que, em sua maioria, não compactua com tal atitude e conduta, porque não votou em uma candidata para ser derrubada ao bel-prazer de tucanos inconformados e amargos com a quarta derrota eleitoral para o PT.

A verdade é que se notabiliza cada vez mais que os tucanos vão trilhar por qualquer caminho que, porventura leve ao golpe. Esqueça ética, Estado de Direito, responsabilidade, Constituição, estabilidade política e institucional. Esqueça. O que importa é o poder pelo poder, mesmo se os tucanos não puderem assumir agora, contanto que o PT seja destituído do poder. Acontece que os escândalos vão chegar aos tucanos, porque, indubitavelmente, os mesmos agentes financiadores de campanhas, as mesmas empresas e os mesmos presos — corruptos e corruptores — agiram e atuaram dos dois lados.

O que se quer, na verdade, é isonomia jurídica e judicial por parte dos juízes do STF, do STJ, do TSE e da Justiça Federal, mesmo a de primeira instância do senhor juiz condestável, Sérgio Moro. O que se quer é isonomia e igualdade de tratamento por parte da PGR e dos ministérios públicos nos estados. O que se quer é isonomia e o fim dos vazamentos dos autos de processos por parte de juízes, procuradores, promotores e delegados federais. Que todos eles se submetam à Lei e parem de fazer política e que guardem suas ideologias e partidarismos para as urnas. Ou se candidatem, ora bolas...

Que os tucanos parem de fazer proselitismos e deixem de ser deletérios quando se trata de apoiar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mesmo sabendo das acusações sobre crimes de autoria do deputado fluminense e do PMDB, que virou um cadáver político e esqueceram de avisá-lo.

A prisão de Delcídio Amaral volta a mobilizar o PSDB quanto a dar um golpe, como se fosse igual a comer pipoca e beber refrigerante. Durma-se com um barulho desses. Aécio e FHC estão cheios de esperanças, juntamente com seus colegas de bancada. Rompem com o Cunha e depois voltam às boas se ele abrir o processo de impeachment. Hipocrisia na veia e irresponsabilidade à toda prova. Como assim, camarada? O PT, independente de qualquer coisa tem de obrigatoriamente ser favorável à cassação de Eduardo Cunha. Que se dane o resto. Cunha que dê início ao processo de impeachment e vamos ver até que ponto ele chega e como essa miscelânea política e bagunça acabam.

Que Dilma Rousseff e o PT enfrentem a realidade e vamos ver até onde o PSDB, o DEM, o PPS e seus aliados esticam a fita métrica do golpe, sem se preocuparem com o retorno, que são as consequência advindas de tal irresponsabilidade, que já causa imensos prejuízos ao Brasil e, principalmente, a uma empresa do porte da Petrobras, que está à mercê da agenda da imprensa familiar e historicamente golpista e de políticos de direita que lutam para atender aos interesses dos grandes trustes econômicos e de governos internacionais.  

Vamos ver se os tucanos vão impedir de o Governo Dilma aprovar projeto que o permite fechar as contas com déficit. Se não aprovar, o Governo terá suas contas reprovadas e, com efeito, a oposição de caráter predatório vai, mais uma vez, apostar no impeachment. Pedaladas aconteceram em todos os governos, inclusive os estrangeiros de países desenvolvidos, menos para Dilma Rousseff, porque os tucanos querem dar um golpe.

Contudo, mesmo com a crise política superdimensionada pela imprensa de negócios privados, derrubar uma presidente constitucional não é fácil, ainda mais quando se trata de um País poderoso como o Brasil. Os tucanos estão a ser acusados e possuem inúmeros processos na Justiça que ora estão engavetados. Delcídio Amaral, por exemplo, demonstra grande preocupação sobre revelações relativas a negócios com a Alstom, um escândalo emplumado e bicudo de bilhões, lá em São Paulo.

O senador preso, juntamente com o banqueiro André Esteves, homem ligado ao PSDB e padrinho de Aécio Neves, foi diretor da Petrobras no Governo FHC, além de ser muito próximo aos tucanos durante toda sua carreira. São fatos e não apenas conjecturas. Delcídio cansou de votar com o PSDB, além de servir de ponte entre os partidos. Ele sempre foi considerado mais tucano do que muitos tucanos, bem como muito questionado no PT, principalmente por seus grupos de esquerda.

Os escândalos na Petrobras era tudo o que a direita queria. Os grupos empresariais e políticos conservadores nunca preservaram a Petrobras. Pelo contrário, desde antes de sua fundação combatem a poderosa estatal, porque sabem que a empresa, assim como o foi a Vale do Rio Doce e a Telebras, é muito importante para o desenvolvimento do Brasil e seu projeto nacional de independência.

A casa grande sabe disso. A imprensa burguesa, o grande empresariado e, principalmente, o PSDB de FHC — o Neoliberal I  — e Aécio Neves sabem disso. Tanto é verdade que entregaram mais de 125 estatais, fatiaram a Petrobras, colocaram suas ações na Bolsa de Nova Iorque, afundaram a maior plataforma do mundo, a P-36, pararam com os investimentos para que a estatal fosse sucateada e vendida, enfim, a sabotaram, como sempre o fez a direita brasileira subalterna e subserviente aos interesses estrangeiros. Agora, neste momento, o trabalho é de desqualificação e desconstrução da empresa pública, pois está em jogo o destino do Pré-Sal. A verdade é que FHC e Aécio conspiram e, como a PF, o MP e a Justiça, consideram o brasileiro idiota. É isso aí.
  

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