CEZAR CANDUCHO

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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Preconceitos, Discriminações e Poder.



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


As diferenças são as essências da condição humana, da humanidade, dos indivíduos e das individualidades, que convergem quando vivemos em coletividade e sociedade, porque somos animais racionais, que vivem e se unem para sobreviver, a ter como combustível principal dessa química a solidariedade, que produz união, e, consequentemente, a tolerância, a paciência, a resignação, a generosidade, a compreensão, sendo que todas essas virtudes juntas, formam o amor, que também se traduz na luta para que os interesses comuns sejam concretizados.
A humanidade não teria condições de sobreviver se não fosse a solidariedade, que se baseia no amor e nos interesses comuns de uma nação, de um estado, de uma cidade, de um bairro, de uma vila, de uma rua e de uma família. Todos estamos no mesmo barco, que é o planeta Terra, a nave-mãe que nos transporta no decorrer de toda uma existência por mais curta que ela seja.
Contudo, a humanidade teima em errar, a trilhar por veredas tortuosas, que sempre terminam em conflitos morais, religiosos, políticos, ideológicos, sexistas, étnicos, raciais, de classe social e de nacionalidade. São enfrentamentos que, aparentemente, são impossíveis de serem solucionados e discutidos, porque, evidentemente, muitos deles acabam em guerras, tanto no âmbito de nações contra nações, países contra países, quanto em termos localizados, quando são deflagrados conflitos violentos, no que concerne às questões religiosas, étnico-raciais e sexistas, como ocorre, inclusive e até de maneira mais comum e repetitiva, nos países desenvolvidos, a exemplo de França, Estados Unidos, Itália e Inglaterra, dentre muitos outros.
Geralmente as discriminações e preconceitos são demonstrados e efetivados por grupos sociais dominantes em todas suas esferas, a começar pela família, que é a representação da sociedade em forma de célula, que, unida a outras células, transforma-se em sociedade, que, de acordo com seu desenvolvimento e o acúmulo de riquezas, esta se torna dominante, a criar aparatos de defesa e ataque, bem como desenvolver instrumentos e ferramentas ideológicas, políticas, militaristas e propagandísticas.
Esse conjunto de coisas faz com que se deixe claro a quem circunda pelas fronteiras das sociedades dominantes ou mesmo àqueles que estão geograficamente longe delas, que seu valores, princípios e crenças são os que tem de ser seguidos, copiados, admirados e, por sua vez, impostos, por bem ou mal, aos países e nações que, porventura, não conquistaram um desenvolvimento socioeconômico, que as sociedades dominantes conquistaram, sendo que a ter como fundamental o poder militar e policial, porque é por intermédio da força que os grupos dominantes das diferentes sociedades deste planeta edificam seus nichos de poder, e, evidentemente, tornam-se sectários.
Por serem assim, tal sectarismo passa a funcionar com um instrumento de preservação dos interesses do status quo, ou seja, das pessoas e grupos que são inquilinos do pico da pirâmide social. Esta máquina mundial que ordena as castas e distribui ou concentra as riquezas em âmbito mundial, apresenta-se de várias formas, em suas diferentes máscaras, mas que no fundo se tornam iguais quando se trata de manter, a qualquer custo, os privilégios e os benefícios das classes hegemônicas em todos os países, sejam eles ricos ou pobres.
E por quê? Porque independente dos valores e princípios que cada diferente sociedade agrega à sua cultura e modo de viver através do tempo, as classes dominantes, que detêm em suas mãos os meios de produção e também os capitais financeiros, além do poder militar, negam-se a distribuir as riquezas produzidas aos seus povos. As chamadas elites, que existem em todos os grupos sociais, sejam eles compostos por negros, brancos ou amarelos; muçulmanos, judeus ou cristãos; budistas ou bramanistas; espíritas ou confucionistas; comunistas, socialistas ou capitalistas; e homoafetivos ou heteros, não estão dispostas a, realmente, distribuir as riquezas produzidas por seus povos, ou seja, pelos trabalhadores, independente de suas nacionalidades.
A verdade é que os grupos hegemônicos controlam o poder e por causa de seus benefícios e privilégios fazem tudo para mantê-lo, desde o pequeno proprietário de uma vila humilde, mas que possui mais bens do que seus conterrâneos, até os países poderosos, que da mesma forma, só que agora de maneira macro, em termos mundiais, também se negam a distribuir renda e riqueza e, consequentemente, uma parcela enorme da humanidade passa necessidades inomináveis, à mercê de intempéries sociais, econômicas e financeiras.
Questões que poderiam, com esforço, serem resolvidas ou bastante amenizadas se os governos, de fato, quisessem, por exemplo, erradicar a fome ou urbanizar todas as cidades, com saneamento básico e água potável, e, com efeito, diminuir, e muito, as doenças, o que não seria caro, porque caros são as guerras, o tráfico e a concentração de renda e riqueza por parte de uma pequena parcela da humanidade, que teima em viver de forma irresponsável e nababesca, bem como a financiar e a fomentar conflitos em todo o mundo.
E por que digo tudo isto, se quero falar de preconceitos, sejam eles com as máscaras que usarem e se apresentarem? Porque o preconceito religioso, étnico-racial, de gênero, de nacionalidade, de opção sexual, inclusive contra os portadores de deficiências, estão enraizados, sobretudo, por causa do poder econômico, que se multiplica em controles sob os domínios de uma classe abastada, no que concerne ao controle das terras, das indústrias, dos bancos e do acesso aos melhores empregos, à saúde e ao ensino de boa qualidade, às casas e aos bairros confortáveis e organizados, bem como às facilidades para se ter uma vida social nada tediosa.
Quero ratificar e reiterar que as discriminações tem fundo econômico, sendo que as de caráter raciais e de classe social são as ramificações mais visíveis dos preconceitos, porque o econômico e financeiro não são transparentes e, com efeito, não demonstrados às claras pelas casas grandes em âmbito mundial, que distorcem suas opulências para não discuti-las e, consequentemente, disfarçá-las.
As nações brigam por riquezas, como também as empresas, que, quando se tornam gigantes, são chamadas de trustes, monopólios, oligopólios, cartéis, que, na verdade, tem origens nas famílias, que podem até se associar, tornar seus negócios planetários, mas com alma familiar, e, portanto, provinciana, egoísta e miseravelmente violenta, porque não conhece o outro, cujos princípios e valores não lhes servem, sentimentos estes que são os nascedouros dos preconceitos, que, insofismavelmente, tornam-se colonizadores e imperialistas. A cara e a alma do poder!
E por quê? Porque o racismo, a intolerância religiosa, de gênero, de nacionalidade tem por finalidade manter intactos os princípios e valores dantescos e draconianos de castas sociais impostas pelo establishment mundial, que atua em todos os países e civilizações deste mundo. Contudo, há de se perceber que essa engrenagem ocorre em todas as esferas, desde a família até a comunidade internacional representada pelos governos das diferentes e irreconciliáveis nações, que entram em guerra em termos macros, mas sem perder a essência da alma provinciana e familiar.
O preconceito e a discriminação são as formas mais terríveis e hediondas que a humanidade implantou em suas sociedades para beneficiar e privilegiar, através de milênios, àqueles que controlam as riquezas e que para mantê-las é necessário subjugar as classes sociais que estão nas bases da pirâmide social. As formas principais para deixar o outro de joelhos se dão por meio da propaganda e publicidade, da cooptação das elites dos países menores e, por fim, pela diplomacia do porrete, que é a guerra, sejam os conflitos entre nações ou entre vizinhos de uma mesma rua.
Preconceito e discriminação são a negação do que é humano, da existência, do respeito e do direito de viver em paz e harmonia. Os preconceitos e as discriminações tem raízes, e elas são diabólicas porque negam o direito à vida. O domínio econômico, reitero, é o pai dos preconceitos, bem como a propaganda que coloniza o imaginário das pessoas, no sentido de elas considerarem aquele por quem elas são dominadas serem melhores em tudo, bem como civilizados, democráticos e desenvolvidos. Ou seja, o subjugado admira o subjugador, e, manso por ter uma mente colonizada, torna-se subserviente e subordinado, assim como feliz por ser dominado.
Quando uma pessoa tem a compreensão dessa perversa engrenagem de dominação, bem como percebe o porquê de viver em condições degradáveis à existência humana, ela se transforma em um ente humano realmente independente, ou, quiçá, revolucionário. Mesmo se for pobre, negro e morador de periferia das cidades e dos continentes do mundo. Os preconceitos e as discriminações tem, principalmente, propósitos econômicos.
Trata-se do poder em toda sua essência maléfica e demoníaca. Não é uma questão de choque de civilizações, como muitos apregoam com desonestidade intelectual e interesses acadêmicos, políticos, militares e, sobretudo, econômicos. Considero verdadeiramente uma questão de domínio econômico, tanto na esfera doméstica quanto em termos mundiais. O preconceito é a negação da vida. É isso aí.

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