CEZAR CANDUCHO

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Samarco é acusada de estar por trás dos que a defendem na internet.

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O jornal O Tempo, de Belo Horizonte, divulgou nesta quinta-feira (12) que a página Somos Todos Samarco foi criada no Facebook no dia anterior e “ganhou visibilidade, com uma série de compartilhamentos, a maioria criticando a iniciativa”.
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A empresa, responsável pelas barragens que se romperam na última quinta-feira (5) e destruiu o distrito de Bento Rodrigues, na região Central de Minas, deixando pelo menos seis mortos, nega que tenha relação com a iniciativa.
“Esse movimento visa dar apoio a SAMARCO, uma empresa que gera milhares de empregos, hoje ela conta com o nosso apoio. SOMOS TODOS SAMARCO”, diz a descrição, que ressalta ainda que a iniciativa não foi da empresa.
Uma das postagens que mais revoltaram as pessoas exibe foto de lixo atirado nas ruas e diz que quem faz isso “não é melhor que a Samarco”.
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A reação foi imediata. Praticamente todos os comentários, compreensivelmente, foram de revolta com a comparação descabida entre uma empresa que, para lucrar, provocou um desastre de proporções gigantescas, perda de vidas e que riscou uma cidade do mapa com um problema que ocorre em regiões carentes até por omissão do poder público com a limpeza urbana.
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A última postagem publicada na página é um texto cheio de erros de português que aprofunda teorias tortas em defesa da empresa, que, como todas as outras postagens, provocou ainda mais indignação.
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Uma das postagens, em tom oficial, elenca uma série de medidas que a empresa estaria tomando para minimizar o desastre que causou.
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Clicando no link, a postagem remete a uma página com 12 comunicados oficiais da Samarco dando conta do que “está fazendo” após ter riscado comunidades inteiras da face da Terra.
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Na manhã desta quinta-feira, o Blog recebe mensagem via What’s App de uma pessoa que se diz irmão de funcionário da Samarco. A fonte afirma que a página “Somos Todos Samarco” é uma das várias iniciativas “fake” da empresa para se defender em redes sociais.
A pessoa diz que não pode dar maiores detalhe sobre essa ação de “limpeza de imagem” da Samarco porque se citar nomes seu irmão pode ser identificado.
A fonte ainda relata que funcionários da empresa estão recebendo pressões “sutis” para sair em sua defesa nas redes sociais, mas nenhum funcionário que trabalhava no local da tragédia faria defesa da empresa porque praticamente todos foram igualmente atingidos e estão igualmente revoltados.
O denunciante diz, ainda, que espera que “o governo seja duro na defesa dos funcionários”, que “não têm culpa pelos desatinos da empresa”, que é “muito rica” e, “além de ter que se responsabilizar pela indenização dos atingidos, tem que se responsabilizar pelas condições socioeconômicas de seus funcionários”.
Apesar do anonimato pedido pelo denunciante, o viés da página é claramente de iniciativa de alguém com interesse no saneamento da imagem da Samarco, como se isso fosse possível.
Na verdade, a possibilidade de essa empresa estar promovendo essa suposta “operação de limpeza de imagem” e pressionando funcionários a defendê-la, caso se confirme pode configurar mais um ato criminoso. Com a palavra, as autoridades.
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