CEZAR CANDUCHO

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Chico Buarque retruca "leitores da Veja"


Por Altamiro Borges.

Os fascistas mirins, filhinhos de ricaços corruptos que se travestem de éticos, estão cada vez mais agressivos. Na noite desta segunda-feira (21), um grupo de playboys tentou intimidar o compositor, cantor e escritor Chico Buarque quando ele deixava um restaurante no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro. "Petista, vá morar em Paris", gritaram os direitistas mimados. Apesar das provocações, o renomado artista se manteve calmo e até polemizou com os fanáticos. "Vocês são leitores da Veja?", indagou Chico Buarque, com sua fina ironia.
O incidente, que revela a imbecilidade e hipocrisia destes falsos moralistas, foi registrado pelo site de fofocas Glamurama, hospedado no UOL:

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Chico Buarque, que circula sempre pelas ruas do Leblon, bairro onde mora, no Rio, foi provocado na noite dessa segunda-feira por conta de seu ativismo político em favor do PT. O músico, que saía de um jantar na rua Dias Ferreira com Cacá Diegues, foi cercado por uma turma de jovens entre 20 e 30 anos, que incluía o filho de Alvaro Garnero, empresário paulista, e o rapper Tulio Dek, ex-namorado de Cleo Pires. E começou um bate boca"
"Petista, vá morar em Paris. O PT é bandido", escutou Chico, que, ao se defender, disse que a posição do grupo era influenciada por veículos de comunicação e retrucou: “Eu acho que o PSDB é bandido”. A discussão, na porta do restaurante Sushi Leblon, um dos mais concorridos da região, tomou conta da rua. Chico xingou e foi xingado, mas manteve o tom de voz baixo, apesar da alta temperatura".

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Um dos pirralhos agressivos, o filho de Alvaro Garnero - o mimado "Alvarinho" - ganhou alguns minutos de fama em julho passado quando apareceu num vídeo beijando e acariciando o ex-craque aecista Ronaldo numa balada. O vídeo bombou nas redes sociais e gerou a revolta do empresário, que também é apresentador de programas de turismo na tevê. "Gente quanto absurdo! Muita maldade!", postou na ocasião. O empresário, que é filho de outra figura bastante controversa - o banqueiro Mário Garnero, que fez fortuna durante o regime militar e inclusive prestou serviços à sanguinária ditadura -, bem que poderia agora dar um puxão de orelha no seu filhinho provocador!
Sobre a provocação fascistoide contra Chico Buarque vale reproduzir o certeiro comentário publicado no blog Diário do Centro do Mundo:

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A lição de Chico na discussão no Leblon
Por Nathalí Macedo
No último dia 21, Chico Buarque foi provocado por um grupo de jovens que o insultavam por sua constante militância política:
“Petista, vá morar em Paris. O PT é bandido”
Sem alterar o tom de voz, Chico respondeu:
“Eu acho que o PSDB é que é bandido.”
E fim. Nenhum insulto, nenhum escândalo, nada que contradiga a personalidade pacífica – e não menos ativa do imortal artista brasileiro.
Chico Buarque é um verdadeiro mito da música e da militância. Um dos grandes artistas que burlaram a ditadura – como esquecer a genial Jorge Maravilha, que, reza a lenda, referia-se à filha do ex-presidente Ernesto Geisel?
É um artista brasileiro que jamais será esquecido. É aquele que já escreveu a sua história e ajudou – ainda ajuda, ao que nos parece – a escrever a história política de seu país. Ele definitivamente não precisa provar nada a ninguém.
Não precisa consumir os próprios neurônios discutindo com meia dúzia de jovens que provavelmente não têm a menor ideia do que estão dizendo. Não precisa, definitivamente, estragar o próprio jantar preocupando-se com os impropérios de quem – francamente! – não deveria sequer ter a pachorra de se dirigir a ele.
Chico não precisou levantar a voz para os fascistas que o abordaram na saída de um restaurante. Há pessoas que não merecem o nosso latim. É como jogar pérolas aos porcos, como diria a minha avó.
Nenhum grito vazio em pleno Leblon falaria mais do que a genial letra de “Cálice.” Nenhum insulto odioso seria mais didático que “Acorda amor”. A obra de Chico fala por ele. Do mesmo modo, o nosso discurso – sutil, elegante, calmo – fala por nós.
Chico me convenceu, mais uma vez, de que não precisamos consumir a nossa tranquilidade com bolsomitos e Sheherezades: a coerência está ao nosso lado e fala por nós. E é inútil tentar convencer quem não quer construir absolutamente nada além do alvoroço.
Guardemos a nossa energia para discutir com quem possa, ainda que minimamente, nos agregar algo. E que todo o resto jamais nos tire a calma.

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