CEZAR CANDUCHO

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sábado, 6 de fevereiro de 2016

A Gestapo em Atibaia.

gestapo



Vejam este trecho de texto – duro chamar de reportagem, perdoem – do Estadão de hoje sobre o fato de  –  como diariamente fazem milhares de compradores e vendedores – ter sido no escritório de um advogado amigo de Lula e sua família. Algo absolutamente corriqueiro, e eu mesmo fiz isso no final do ano passado, quando tive de vender um terreno que possuía há mais de 20 anos em Maricá, pois os compradores chamaram um oficial de cartório para fazer onde lhes convinha a venda.
No texto, porém, são apontados outros crimes:
“A chegada da Lava Jato mudou a rotina do bairro do Portão, em Atibaia, limite entre a cidade e a área rural onde fica o sítio usado pelo ex-presidente. Vizinhos e comerciantes da região têm sido questionados pelos procuradores do Ministério Público Federal sobre a frequência das visitas, rotina e companhias do petista no local.
No depósito Dias, que forneceu parte do material para a reforma do imóvel, em 2011, os procuradores realizaram duas buscas de documentos e notas fiscais da época. O atual dono, Nestor Neto, que assumiu a loja em 2014, afirmou que o objetivo era encontrar provas e buscar novas informações. Há suspeita de que a Odebrecht pagou parte da conta. “Os procuradores analisaram algumas documentações antigas, como notas e comprovantes, que ainda estavam na loja. Acessaram salas que estavam fechadas pelo dono do prédio e eu não tinha mais acesso”, disse Neto. Duas atendentes da padaria Iannuzzi, que fica no acesso ao sítio, dizem que a ex-primeira-dama Marisa Letícia comprava no local.
Observem o kafkiano do processo: “descobriram que D. Mariza fazia compras na padaria Ianuzzi”!
Qual é o problema de fazer compras nessa padaria ou na Panificação  Santo Antônio, do famoso “seu Manuel da padaria”? E  num lugar onde nunca negou frequentar?
O que é que alguém tem a ver com o número de vezes que Lula foi a um sítio onde ele próprio  diz que vai?
O que é que alguém tem a ver com quem vai?
E qual seria o problema se algum empresa tiver dado algum material para que se reformasse um sítio que ele frequenta?
Haveria problema, por exemplo, se uma delas desse a Lula, já fora do Governo,  uma garrafa de vinho Romaneé Conti (lembram do vinho do Duda Mendonça?) das 114 arrematadas há pouco tempo  num leilão da famosa Sotheby’s por US$ 1,62 milhão, o que dá um preço, por garrafa, de R$ 57 mil?
E se fosse uma caixa?
Falta a toda esta investida nazistóide o que justificaria uma investigação: a suspeita específica de algum ato de responsabilidade pessoal de Lula em alguma irregularidade que beneficiasse indevidamente alguma empresa ou pessoa.
Simples assim.
Mas não há. o que há é um troncho “domínio do fato” transposto à investigação policial que funciona na base do “ah, alguma ele fez e nós vamos descobrir o que foi”.
E por que? Porque é preciso usar polícia, Ministério Público e justiça (assim, com letra minúscula mesmo)  para cumprir o objetivo político que pela política não conseguem alcançar: destruir Lula eleitoralmente.
Com a certeza de que não haverá mídia ou tribunal que ponha freios a esse uso político desavergonhado das instituições públicas.
Como se sabe, o nazismo serviu-se da covardia dos democratas para se impor.
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