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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

As duas Mirians e a hipocrisia do aristocrata FHC — o Neoliberal I





Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Existem sabedorias populares em forma de palavras e frases, que se baseiam em experiências, no decorrer de nossas vidas. Vou citar três provérbios: 1) Você colhe o que planta; 2) Aqui se faz e aqui se paga; e 3) Pau que bate em Chico bate também em Francisco. Porém, posso completar a este elenco de frases mais um adágio popular: "Em boca fechada não entra mosca".

E não é que 27 anos depois surge, de forma retumbante uma "nova" Miriam?! Desta vez se trata da Miriam de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, cujo sobrenome é Dutra. A Miriam de Lula é a Cordeiro, e ela surgiu para atacar o PT e seu candidato, há dez dias de os brasileiros irem às urnas presidenciais de 1989, com grande estardalhaço da imprensa de mercado dos magnatas bilionários, historicamente de oposição a políticos trabalhistas e de esquerda.

Isto mesmo, depois de longos 25 anos, ou seja, um quarto de século, o povo brasileiro resgatava seu direito de ir às urnas para escolher diretamente o presidente da República. O candidato da casa grande e de suas mídias conservadoras era o atual senador, Fernando Collor  (PTB/AL), seu adversário, agora no segundo turno, era o ex-presidente Lula, do PT, que tinha 45% de apoio popular, segundo as pesquisas da época, enquanto Collor tinha 46%.

Acontece que Lula, poucas semanas antes tinha 33% das intenções de votos e subiu vertiginosamente nas pesquisas em um sprint de se perder o fôlego, o que colocou em grande perigo a vitória de Fernando Collor, o candidato da direita brasileira, notadamente da família Marinho, que já tinha se aproveitado do sequestro do empresário Abílio Diniz para fazer ilações maldosas e manipulações políticas em forma de jornalismo.

Às vésperas do segundo turno, a polícia paulista apresentou os sequestradores de Abílio Diniz com as camisetas da campanha de Lula, como se quisesse dizer que o PT e seu candidato foram os responsáveis pelo hediondo crime de sequestro, um dos maiores absurdos que a história do Brasil vivenciou em termos políticos e eleitorais, que descambou para uma pantomima midiática promovida por agentes do Estado paulista, a mando, evidentemente, de políticos que estavam no poder em São Paulo.

O governador na época era Orestes Quércia, e o presidente da República, José Sarney, que, no decorrer da Constituinte (1987/1988), a combateu a ferro e fogo, a apoiar o Centrão, uma frente composta pela direita tupiniquim, que tinha como propósito fundamental impedir que propostas progressistas e sociais fossem aprovadas, de forma que a Constituição, após ser publicada e sancionada, não contivesse tantos direitos à sociedade e garantisse, como garante, à cidadania brasileira viver e ser protegida pelo Estado de Direito.

Contudo, esses são outros quinhentos. Vamos à Miriam... a do Lula. Como eu estava a dizer, Miriam Cordeiro era enfermeira e teve um romance com o político petista, que era viúvo e após seis meses resolveu casar com dona Marisa Letícia, sua esposa há décadas e mãe de seus filhos. Miriam Cordeiro engravidou, avisou a Lula sobre a gravidez, deu a luz à filha, Lurian, que sempre teve a atenção de seu pai e, segundo ela, convivem e se dão bem.

Enfim, temeroso em perder as eleições de 1989, o staff de Collor, depois ajudado politicamente e eleitoralmente pela polícia paulista com o sequestro do dono do Pão de Açúcar, Abílio Diniz, resolveu apresentar Miriam Cordeiro ao público, que declarou, no programa eleitoral do PRN de Collor, que Lula pediu para que ela fizesse aborto, episódio negado pelo ex-presidente e também por sua filha, Lurian, que depois, em outras eleições as quais seu pai foi candidato, ela apareceu para apoiá-lo.

Já a Miriam de FHC, a Dutra, supostamente mãe de um filho do ex-presidente tucano, realidade esta que não se confirmou por meio de exame de DNA, tomou um "chá" de sumiço, com a cumplicidade dos donos e dos chefes e chefetes da Rede Globo, empresa que pagava-lhe salários para ela não trabalhar, porém, se calar. Trabalhou na Globo por mais de 30 anos, contanto que calasse a boca e não prejudicasse a carreira política de Fernando Henrique, que, segundo a jornalista, pertence à aristocracia paulista e literalmente se comporta como aristocrata. "Nada mais real; nada mais e nada menos do que a cara de FHC..."

Miriam Dutra recebia dinheiro, ainda, por intermédio de um contrato "fictício" — palavra que significa "aparente, simulado e falso". Ponto. Tal contrato foi elaborado pela empresa Brasif S.A., do setor de importação e exportação, o que permitiu o envio de dinheiro para o exterior. O nome do filho de FHC é Tomás Dutra Schmidt (ele não tem o sobrenome do tucano), mas exame de DNA deu negativo e, com efeito, não confirmou a paternidade de FHC, que, sem ser o pai da criança que hoje é um adulto, esforçou-se para escondê-la e, por sua vez, proteger sua carreira política, que o levou à Presidência da República.

Não entro no mérito do equívoco sobre a paternidade ou não de FHC, pois de ordem pessoal e afetiva quanto ao filho Tomás. Os filhos nos são caros e suas dores nos doem. Respeita-se, e pronto, inclusive o ser humano, o cidadão Fernando Henrique, a quem critico há anos, de forma dura e até irônica, mas não desumana, como fazem sub-repticiamente com o Lula. Na verdade, o que questiono é a tentativa de se tirar a humanidade de um dos políticos mais humanistas que eu conheci, que é exatamente o Lula. Sua humanidade e competência como presidente são os fatores que realmente incomodam a burguesia nacional, dona da casa grande, herdeira legítima da escravidão. Nunca me canso de dizer estas palavras últimas. Jamais!

Hipócrita, no que é relativo a assumir sua responsabilidade, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I e agora também o Aristocrata da Pauliceia II — porque o primeiro é o Martim Afonso de Sousa (1533/1571), primeiro donatário das terras bandeirantes, contou com um enorme e poderoso cinturão de proteção, que o permitiu a cometer inúmeras ilegalidades e malfeitos, que, consoante promotores, juízes e juristas por causa de sua idade, 84 anos, e o tempo em que foram realizadas suas ações em prol de Miriam Dutra e seu filho, o grão-tucano se tornou inimputável, realidade que não surpreende, porque, é fato, no Brasil os tucanos são inimputáveis — idosos ou não, com crimes prescritos ou não. Ponto. Fim de papo!

Para quem não sabe, a Brasif era concessionária da Infraero, estatal responsável pelos aeroportos. Portanto, uma empresa federal. A Brasif, simplesmente, tinha o monopólio dos free-shops nos principais aeroportos do País. Uma clara e inequívoca demonstração de como o patrimonialismo é arraigado e tem origem no Brasil Colônia, do donatário Martim Afonso de Sousa — o Aristocrata da Pauliceia I, porque o segundo, sem sombra de dúvida, é o FHC, também conhecido como o Neoliberal I.   

FHC afirmou: "Com referência à empresa citada no noticiário de hoje, trata-se de um contrato feito há mais de 13 anos, sobre o qual não tenho condições de me manifestar enquanto a referida empresa não fizer os esclarecimentos que considerar necessários". E nem o será. Fernando Henrique sabe que isto tudo não vai dar em nada, não somente porque os tucanos são inimputáveis, mas, sobretudo, porque o sistema judiciário deste País, composto pela Justiça, Ministério Público e Polícia Federal não tem a mínima disposição para investigar, julgar e prender políticos tucanos e seus aliados, como, por exemplo, os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas e monopolizadas.

Quando a colunista tucana, Eliane Cantanhêde, do Estadão e da Globo News, aquela do "povo limpinho e cheiroso", afirma, na maior cara de pau, que as notícias sobre as aventuras amorosas de FHC — o Príncipe da Privataria Primeiríssimo — funcionam como nuvens de fumaça para embaralhar o jogo político, ou seja, ela quer dizer que FHC como inspirador de notícias ruins é uma forma de tirar o sítio de Atibaia e o triplex do Guarujá, que não são de Lula, do foco das manchetes da imprensa de negócios privados, da qual a colunista é uma de suas principais porta-vozes de seus interesses. A verdade é que quem está a embaralhar tal jogo político sujo e golpista é a própria Eliane Cantanhêde.

Senão, vejamos: Como pode uma jornalista profissional, experiente, insinuar que o PT está por trás das palavras de Miriam Dutra, a ex-namorada de FHC? Trabalhei na Câmara dos Deputados em 1988 (Constituinte) e depois no período de 1991 a 1995. Retornei ao Legislativo em 2004 e saí da Casa de Leis em 2009. Portanto, trabalhei, de forma intercalada e em diferentes épocas cerca de 11 anos, sendo que morei e exerci a profissão de jornalista de Política, em Brasília, durante 22 anos.    

Já naquele tempo, no final da década de 1980, Fernando Henrique já tinha fama de "conquistador". Todo jornalista de Política, que cobriu a Esplanada dos Ministérios, além do Congresso, STF e Palácio do Planalto de minha geração e da anterior à minha sabe disso. FHC tocou sua vida, pois era senador suplente de Franco Montoro, depois virou ministro do Exterior e da Fazenda, o que o levou, posteriormente, a ser presidente da República.

Eliane Cantanhêde sabe disso, porque se trata de uma jornalista experiente, apesar de ser ligada ao PSDB e aos interesses políticos de seus patrões, sejam eles os Mesquita, os Frias, os Marinho e o consórcio dos Diários Associados, cujo principal jornal é o Correio Braziliense, diário em que trabalhei nos anos de 1988 a 1991 e depois em 1995, num curtíssimo período.

Não tem sentido o que Cantanhêde afirma, quando se trata de publicar a realidade em sua coluna no Estadão. O que acontece não é derivado de ações do PT, mas, sim, de ações efetivadas pela própria vontade de Miriam Dutra, que a despeito de se submeter a inúmeras humilhações, ela reconhece que aceitou as condições impostas por Fernando Henrique e pelas Organizações(?) Globo. FHC, como seu ex-amante, e a Globo como sua patroa.

A verdade é que Miriam deve ter acordado certo dia, com efeito, pensado: "Meus filhos estão crescidos. Não preciso mais de ninguém. FHC sumiu há décadas de minha vida e a Globo não é mais minha patroa. Sabe de uma coisa?" — indagou-se — "Vou botar pra quebrar. Engoli sapos, escorpiões, cobras e lagartos à beça durante anos. Calei a boca, aceitei ser humilhada pra sobreviver e morei longe do Brasil, mas agora vou falar tudo". E falou. Os nomes que se podem dar às atitudes de Miriam Dutra são estes: mágoa, rancor, raiva, vingança e sentimento de ter sido injustiçada.

Depois disso tudo, vem a imprensa de caráter e histórico golpista e gangsteriano dizer que o PT está por trás das palavras de Miriam Dutra. Durma-se com um barulho desses. Miriam é mulher e agiu como muitas mulheres fazem, independente de condição social e opção político-partidária. Se qualquer pessoa pesquisar sobre brigas e escândalos amorosos e sexuais, vão aparecer incontáveis casos sobre essa questão, inclusive em forma de bate-boca escândalos públicos.

Mulheres se vingam, e, a propósito, também os homens. Só que de maneiras diferentes, porque os poderes e as formas de pensar e agir são diferentes, pois homens e mulheres, apesar de serem da mesma espécie animal, são diferentes, porque sentem as coisas da vida e o mundo de formas diferentes. Miriam Dutra é apenas mais um caso da história da humanidade. Ponto. Não é Cantanhêde?

Vale ressaltar ainda que a irmã de Miriam trabalhou para o senador José Serra, e, evidentemente, não sejamos tão ingênuos, obviamente que deve ter sido um pedido de FHC. Enquanto isso Lula está a ser achincalhado e jogado à fogueira "santa" medieval todo o dia. No passado, mostraram a Miriam Cordeiro, que cooperou para tirar votos de Lula, além de ter sido acusada de receber dinheiro, o que compromete moralmente suas afirmações.

A verdade é que no Brasil viceja uma imprensa empresarial covarde, cruel e corrupta, que toma a frente da política, porque se tornou um partido político de direita, que faz oposição sistemática ao PT e aos presidentes trabalhistas. Lula vai ser defendido por partes importantes da sociedade organizada onde for e aonde tiver de ser. E luta na rua não é brincadeira, bem como não é coisa para amadores.

Inaceitável o é para a sociedade democrática ter de conviver com uma mídia privada antidemocrática e um sistema judiciário que tomou partido e faz, sistematicamente, parceria com o PSDB e a imprensa dos magnatas bilionários para derrubar presidente eleita e prender ex-presidente, que, por "coincidência", são do PT. Isto tem de parar, ao preço de o Brasil se transformar em uma democracia capenga e pseuda, com um Judiciário ditatorial, que não aceita o jogo democrático e nem a ascensão dos pobres. A verdade é que existem duas Mirians e a do FHC é que está a falar. Segura peão!!! É isso aí.

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