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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Lava Jato tem calendário político eleitoral - No dia 17 de janeiro, alguns sites e jornais publicaram uma matéria que seria uma espécie de balanço da Operação Lava Jato e suas perspectivas futuras, feita por promotores do Ministério Público, que se reuniram em Brasília no dia 14 do mesmo mês. Um dado importante que chamou a atenção e com pouca repercussão foi o prazo estabelecido para o encerramento da força-tarefa: mais três anos, terminaria em janeiro de 2019, segundo os procuradores.

 Juiz Sérgio Moro opera a Lava Jato 
 Juiz Sérgio Moro opera a Lava Jato 



Por Geraldo Galindo*



A data prevista para o suposto fim da operação é exatamente o prazo final de duração do mandato da presidenta Dilma, ou seja, os setores da Justiça, do MP e da Polícia Federal, a serviço de interesses escusos e partidários, definiram que se não derrubarem o governo durante o mandato, não darão trégua durante todo o período da gestão, para inviabilizar qualquer tentativa de estabilização da crise política e econômica que o país atravessa.

Daí ser necessário deixar claro que a Lava Jato tem um calendário político eleitoral bem planejado, a ideia é sangrar os partidos da esquerda e da base do governo, especialmente o PT, desmoralizar o presidente Lula e preparar o terreno para o retorno das forças reacionárias e entreguistas ao comando do país. Devemos lembrar que os liderados do nebuloso juiz Sérgio Moro tentaram interferir, sem qualquer escrúpulo, para mudar o cenário da eleição 2014 em favor do candidato Aécio Neves, para quem faziam campanha aberta nas redes sociais. Na semana do pleito, criminosamente, vazaram depoimentos seletivos para colocar a candidata Dilma em situação de imensas dificuldades. Ela teve que desmentir em curto espaço de tempo as calúnias veiculadas pela mídia, que transformou um factoide forjado num escândalo de grandes proporções.

Derrotados na eleição, desde o início do mandato, a oposição tem suas esperanças em promover um golpe de estado no Brasil a partir da colaboração da equipe do juiz de camisas pretas. Durante um ano e dois meses a honrada presidenta Dilma tem feito esforços cotidianos para superar a crise que se arrasta, mas em todos os momentos em que consegue alguma relativa calmaria, os conspiradores do Paraná entram em ação.

A prisão recente de João Santana é só mais um exemplo da execução do plano da oposição de não dar trégua e colocar o governo contra a parede. No momento em que a tese do impeachment tinha perdido o fôlego após a articulação política do governo ter alcançado vitórias importantes, era esperado que a tropa de choque da oposição instalada no aparato do estado entrasse em cena com uma espetaculosa operação. Na semana em que o PSDB se via em dificuldades por conta de seu principal expoente ter sido desmoralizado por usar concessionária do governo para pagar pensão a ex-amante; e quando este mesmo partido é flagrado desviando recursos da merenda escolar em São Paulo, não era aceitável para Moro e seus seguidores a manutenção de um ambiente desfavorável para se os correligionários.

Já são 23 operações da Lava Jato realizadas em dois anos, quase uma por mês. Se a República de Curitiba planeja mais três anos de atividades, podemos supor que, mantida a média, teremos pelo menos, 36 outras. Estas operações atravessariam a campanha eleitoral deste ano e a de 2018, período em que Sérgio Moro teria a liberdade de orquestrar seus planos de atacar os adversários e proteger os aliados, transformando o país num estado de exceção legitimado pela mídia e com o silêncio do governo. Após a reunião acima citada, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima fez a seguinte declaração à imprensa: ” Ante o material que já obtivemos é possível dizer que em 2016 teremos inúmeras operações e não deve haver diminuição no ritmo de trabalho em relação aos anteriores”. Este mesmo procurador fez questão de dizer na oportunidade que o alvo deles a partir de agora seriam os partidos políticos (entenda-se PT e aliados).

O Brasil é hoje um dos raros países do mundo em que um juiz, levando em conta suas posições político-ideológicas, prende e humilha pessoas ao seu bel prazer. Na verdade estamos vivendo uma ditadura de um senhor que tem plena liberdade para subverter a ordem jurídica ao prender e execrar antes de julgar. Se o preso se transforma em delator para denunciar o PT ele tem penas brandas ou é liberado. Se ele denuncia membros da oposição, é ignorado e tem penas severas. O juiz que prende a cunhada do tesoureiro do PT e a esposa do marqueteiro da campanha de Dilma é o mesmo que mantém livre a esposa de Eduardo Cunha – seu aliado na oposição ao governo -, que comprovadamente gastou recursos de propina vindos de nebulosas operações na Petrobrás. Não que ela deva ser presa arbitrariamente, pois todos os acusados, a princípio, devem responder a processos em liberdade, mas apenas para demonstrar a imparcialidade e a conduta partidária dos carrascos do Paraná.

O programa do PT veiculado no dia 23 de fevereiro fez críticas veladas à oposição que patrocina os ataques ao estado de direito. Mas não deram nomes aos bois, não disseram quem são os responsáveis pela tentativa do golpe em curso. Usaram “eles” sem especificar quem são eles. Após a prisão de João Santana alguns blogs divulgaram que o governo teria se incomodado com o juiz Sérgio Moro, que estaria sendo visto no Planalto como o “braço jurídico do PSDB” na armação do golpe. Ora, desde o início da Lava Jato está claro para os que têm um mínimo de discernimento, que os vendedores de vazamentos seletivos operam partidariamente.

As recentes conquistas democráticas do Brasil correm perigo. Práticas comuns em ditaduras estão a ocorrer sem cerimônias ou constrangimento, sempre apoiadas e sustentadas pela grande mídia. A esquerda brasileira e os movimentos sociais têm a obrigação de denunciar com toda ênfase esse esquema perverso de perseguição política, incrustado no judiciário, MP e na Polícia Federal, e ao mesmo tempo exigir punição rigorosa aos corruptos, seja de que partido for, garantindo amplo direito de defesa a todos.




*Geraldo Galindo é bancário e membro da direção estadual do PCdoB/Bahia

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