CEZAR CANDUCHO

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domingo, 28 de fevereiro de 2016

PTMG - Cai diferença entre ricos e pobres que concluem ensino médio no País.


Para a ONG Todos Pela Educação, os dados mostram que o Brasil está aumentando os índices de escolaridade da população e reduzindo as desigualdades.
Larissa Brenda Cordeiro, 18 anos, foi a primeira da sua família a concluir o ensino médio dentro da idade escolar. Até o ano passado, ela frequentou o Centro de Educação 05 de Taguatinga, uma escola pública da periferia do Distrito Federal.
Assim como Larissa, cada vez mais jovens de baixa renda estão concluindo o ensino médio. É o que mostram os dados divulgados pela organização não governamental “Todos Pela Educação“, em análise feita com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2005, 18,1% dos jovens de 19 anos, entre os 25% mais pobres da população, concluíam o ensino médio. Entre os 25% mais ricos, a porcentagem chegava a 80,4%. Ou seja, havia uma diferença de 62,3 pontos percentuais entre os dois grupos. Em 2014, último dado disponível, o cenário mudou. Entre os mais pobres, 36,8% concluíam o ensino médio e, entre os mais ricos, 84,9%. A diferença entre os dois grupos ficou em 47,8 pontos percentuais.
Para o gerente de Conteúdo do Todos Pela Educação, Ricardo Falzetta, os números são positivos e mostram que a educação está avançando por questões quantitativas, pois está incluindo mais alunos na faixa mais vulnerável da sociedade e, assim, aumentando a escolaridade.
“É um somatório de políticas públicas que têm participação em todas essas melhorias que a gente vem observando”, afirma Falzetta.
De modo geral, os dados mostram que, nos últimos dez anos, o Brasil avançou 15,4 pontos percentuais na taxa de conclusão do ensino médio dos jovens de até os 19 anos. O percentual de concluintes passou de 41,4% em 2005 para 56,7% em 2014. Em números absolutos, isso significa que, nesse intervalo de tempo, os estudantes concluintes passaram de 1.442.101 para 1.951.586.
Conclusão do ensino médio
“Acho que praticamente 90% da minha turma concluiu o ensino médio. Hoje em dia as oportunidades são maiores nas escolas públicas. Ainda existem dificuldades. Eu, por exemplo, andava quase seis quilômetros para chegar à escola, mas porque eu escolhi essa escola, já que a que tinha perto da minha casa, não achava tão boa quanto a que eu estudava”, conta Larissa.
Outro concluinte do ensino médio é Samuel Fernando Alves dos Santos, 17 anos, que estudou até o ano passado no Centro de Ensino Médio 9 de Ceilândia (DF).
“Com certeza aumentou a quantidade de alunos concluindo o ensino médio, pelo menos do que noto no meu colégio. Eu acredito que a realidade dos jovens coloca muitos obstáculos e dá vários motivos para desistir, para largar os estudos e arrumar um emprego. Mas a gente vê que tem outras opções, que tem uma vida pela frente, e aí a gente começa a poder fazer planos, como o de entrar na universidade e contribuir com uma profissão para a sociedade”, destaca Samuel, o casula de quatro irmãos e o primeiro a entrar na universidade. A partir deste ano, o brasiliense vai cursar Artes Cênicas na Universidade de Brasília (UnB).
Para Ricardo Falzetta, ainda é preciso avançar mais. “Estamos aumentando a escolaridade, tem melhorias no fluxo e no acesso garantido, dá para ver que está numa evolução, mas esse movimento precisa estar acompanhado do desenvolvimento da qualidade. É preciso trabalhar de forma coordenada todos os indicadores e investir mais na remuneração e formação dos professores, na infraestrutura das escolas englobando não só a questão do prédio físico, mas de acervo, de acesso à tecnologia, de livros, de laboratórios”, acrescenta.
Redução das desigualdades
Os dados mostram outro fator positivo: a redução da desigualdade no País. “A perspectiva é redução de desigualdades. Esse dado é positivo. O Brasil está aumentando os índices e reduzindo as desigualdades”, ressalta a superintendente do Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, ao Portal Brasil.
Falzetta concorda que os números são indicativos da redução da desigualdade no País dentro da série histórica.
“Quando se inclui a população mais vulnerável no sistema de ensino, a tendência é ter uma diminuição das desigualdades, não só na questão das avaliações de desempenho, mas também nas questões de fluxo. Caem essas diferenças nas três análises: entre mais ricos e mais pobres, na diferença entre pretos, pardos e brancos, e na diferença entre zona rural e zona urbana. É muito legal que isso aconteça, e acho que o trabalho tem que ser para fazer tender a zero essas diferenças. São caminhos a percorrer ainda muito desafiadores. A gente não pode correr o risco de perder o terreno conquistado”, completa Falzetta.
Ensino fundamental – A redução das diferenças entre os mais pobres e mais ricos ocorreu também no ensino fundamental. Em 2005, dos jovens de 16 anos entre os 25% mais pobres da população, 38,8% concluíram o ensino fundamental. Entre os 25% mais ricos, a porcentagem era 90%. A diferença entre os dois grupos era 51,2 pontos percentuais. Em 2014, entre os mais pobres a taxa de conclusão saltou para 62,7% e, entre os mais ricos, 92,2%, uma diferença de 29,5 pontos percentuais.
No ensino fundamental, a taxa de conclusão cresceu na mesma proporção que o ensino médio: quase 15 pontos percentuais, aumentando de 58,9%, em 2005, para 73,7%, em 2014. Passou, portanto, de 2.106.316 concluintes em 2005 para 2.596.218, em 2014.
Por Luana Spinillo, da Agência PT de Notícias 
Foto: Samuel dos Santos passou para o curso de Artes Cênicas na Universidade de Brasília (UnB)
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Nos últimos 10 anos, jornada feminina aumentou uma hora.


Pesquisa do IBGE mostra que mulheres trabalham cinco horas a mais que os homens. 
A mais recente pesquisa do IBGE comprova que a mulher, apesar de ser maioria na população e maioria no mundo do trabalho, continua ganhando menos e trabalhando mais.
Segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feita entre os anos de 2004 e 2014 com 150 mil famílias, a dupla jornada feminina aumentou uma hora. Agora elas trabalham cinco horas a mais do que eles.
A estatística também mostra que, enquanto a jornada de trabalho masculina fora de casa caiu de 44 horas para 41 horas e 36 minutos por semana, a carga horária dedicada ao trabalho doméstico se manteve estável. Ou seja, o tempo livre não foi revertido em maior dedicação ao lar.
Nesse mesmo período de 10 anos, a mulher manteve uma média de jornada de trabalho fora de casa de 35 horas e meia, mas ainda continua ganhando 24% a menos que os homens – e acumulando tarefas domésticas.
Para a economista Marilane Teixeira, a diferença persiste porque os homens não reconhecem que as responsabilidades devem ser compartilhadas de forma igualitária. “A cultura enraizada naturaliza papéis sociais para homens e mulheres”, comentou.
A dupla jornada é realidade da grande parte da população feminina no país.
“A mulher, na maioria dos lares, ainda é responsável pelas tarefas domésticas, pelos cuidados familiares e dos filhos. A CUT junto com outras centrais sempre defenderam a compartilhamento de responsabilidades familiares para que a mulher possa ter mais igualdade de oportunidade”, explicou a secretária Nacional da Mulher Trabalhadora, Junéia Batista.
Cartilha de campanha para ratificação da Convenção 156 do Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais / crédito: MgioraCartilha de campanha para ratificação da Convenção 156 do Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais / crédito: Mgiora
Segundo a dirigente, a responsabilidade das mulheres pelas tarefas doméstica geram problemas maiores nas relações de trabalho. “A divisão sexual do trabalho acarreta em discriminação no mercado de trabalho, violência a qual as mulheres estão submetidas diariamente com salários menores, condições degradantes e sofrendo mais constantemente assédio moral e sexual”.
Segundo a OIT, a incorporação das mulheres ao mercado de trabalho vem ocorrendo de forma expressiva sem que tenha ocorrido uma nova pactuação em relação à responsabilidade pelo trabalho de reprodução social, que continua sendo assumida, exclusivamente ou principalmente, pelas mulheres.
Existe uma recomendação da OIT sobre a Igualdade de Oportunidades e de tratamento para Trabalhadores e Trabalhadoras com Responsabilidades Familiares que é a Convenção 156, mas o Brasil está entre os poucos países da América Latina que não ratificou a recomendação internacional.
“A CUT também está na linha de frente na campanha pela ratificação da Convenção 156 no Brasil, porque as mulheres sindicalistas acreditam que é uma importante ferramenta para as mulheres conseguirem igualdade de oportunidade no acesso e permanência no mercado de trabalho e para que o Estado assuma sua parte com pessoas que dependem de outra para viver”, finalizou Junéia.
Fonte: Central Única dos Trabalhadores – CUT

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