CEZAR CANDUCHO

quarta-feira, 30 de março de 2016

Ladrões julgam Dilma e perseguem Lula com a cumplicidade do STF — Não vai ter golpe!



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

Estava aqui a pensar que o Brasil é realmente um País sui generis, com uma "elite" atrasadíssima, que remonta ao século XIX, moralmente carcomida e socialmente corrompida, para dizer o mínimo. Então é assim: 54,5 milhões de cidadãos brasileiros votam na chapa Dilma Rousseff e Michel Temer e logo depois a presidenta que não roubou a sociedade e nem o Estado nacional poderá ser deposta por um golpe de estado por ladrões e golpistas, sendo que muitos atuam no Congresso (PSDB, DEM et caterva), outros no sistema Judiciário (PF, MP e Justiça), bem como a escumalha do golpe se completa com a Fiesp, a imprensa corporativa de preceitos criminosos e gente do próprio Governo Trabalhista, exemplificada  principalmente no PMDB, cujo vice-presidente, Michel Temer não honra seu mandato e nem sua própria dignidade como cidadão, já que um traidor da presidente, além de golpista.

A verdade é que o Governo Trabalhista está isolado, porque a direita brasileira se mobilizou fortemente para dar um golpe pelo simples fato, e este é o principal dos motivos, de não aceitar a quarta derrota consecutiva. Contudo, o Governo Dilma não está morto, porque quem morre de véspera é peru de Natal, porque movimentos, grupos, associações, sindicatos urbanos e rurais e os inúmeros setores da sociedade que defendem a democracia, além da resistência do Governo Trabalhista, estão também a se mobilizar e a sair às ruas, a não permitir que golpistas irresponsáveis e antidemocráticos, aboletados na sistema Judiciário, na oposição partidária de direita e na imprensa de mercado pensem que a peleja está ganha.

O dia 31 de março é de suma importância para as fileiras democráticas e legalistas da Nação. As ruas deste País vão ser inundadas pela sociedade civil organizada que não está disposta a aceitar retrocessos, arbitrariedade e violência institucional e política disfarçada de impeachment, como pretendem demonstrar a Rede Globo, uma empresa monopolista acostumada a cometer crimes contra a democracia, as instituições e ao Estado de Direito, como ocorreu no passado e acontece agora, com a cumplicidade lamentável de juízes do STF e do STJ que permitiram que um fanático de primeira instância rasgasse a Constituição e  o Código Penal, ao ponto de cometer crimes contra a honra das pessoas, a não lhes garantir seus direitos constitucionais, assim como a ordenar vazamentos nas vozes dos presidentes Dilma e Lula, que chegaram ao grande público como se fossem bandidos que cometem malfeitos contra os interesses da Nação.

Moro deveria estar preso, mas antes teria, se tivéssemos uma Justiça séria, de ser sumariamente afastado para depois ser investigado e, com efeito, demitido para o bem do serviço público. Não somente este juiz de província, que teve a cumplicidade de muitos juízes da Corte, que impediram, inclusive, de o Lula assumir a Casa Civil, mesmo a ter ficha limpa, a não responder processos e muito menos ter condenações por parte da Justiça. Um acinte e um tapa na cara dos direitos civis adquiridos, não por esses jagunços e feitores da casa grande, mas pelo povo brasileiro no decorrer de séculos, pois somos um País que teve 400 anos de escravidão e continua a ter um sistema judiciário nitidamente aristocrático, com punhos de renda, que ainda sem conduz e se comporta como se estivesse em plena época da escravatura.

Grande parte dos brasileiros tem discernimento e não vai aceitar golpe sem luta. Com certeza. Os golpistas, à frente a Globo, seus monstrinhos (jornalistas) de redações e procuradores políticos e ideológicos, como o senhor Rodrigo Janot, um chefe da PGR seletivo e que, tais quais a procuradores da estirpe de Deltan Dallagnol, Carlos Fernando e Cássio Conserino, dentre muitos outros, que combatiam até o Enem, a exemplo do procurador Oscar Costa Filho, do Ceará, que por inúmeras vezes quis anular o Enem, a fim de desqualificá-lo e desacreditá-lo em uma posição totalmente antidemocrática e política, pois voltada para combater o Governo Dilma e o acesso de candidatos das classes populares.

No fundo, o intrépido procurador caçador de Enens, a despeito de suas discrepâncias e incongruências travestidas de seriedade e de combate a irregularidades nas provas do concurso popular e democrático, na verdade estava revoltado e inconformado com o acesso dos pobres às provas e, consequentemente, com a entrada de alunos pobres e muitos deles negros e índios nas universidades públicas. No Brasil, os preconceitos de classe e de raça são como irmãos siameses. Possuem a mesma essência diabólica e se completam ao alimentar o hedonismo e o arrivismo um do outro.
  
Este sentimento e preconceito de classe por parte de procuradores, juízes, policiais federais e advogados que controlam hoje a OAB é muito forte, pois a tônica, principalmente nos dias de hoje por causa da democracia. Isto mesmo. Parece um paradoxo, mas o é. E explico. Como o Brasil já tem mais de trinta anos de democracia (tivemos eleições diretas para governadores em 1982) essas pessoas que hoje ocupam cargos de poder e mando cresceram com estabilidade democrática e uma moeda forte como real, a partir de 1994, a despeito da movimentação cambial, bem como são filhos da classe média alta e desprovidos de conhecimento real sobre a sociedade.

Vivem em um mundo empírico, a ter como casulo a redoma de cristal, que lhe serve como um grande condomínio de coxinhas a vivenciarem desde a infância seus mundos do tamanho de seus umbigos ou de Miami, como disse o estúpido juiz Itagiba Catta Preta Neto, um magistrado de primeira instância de Brasília, que concedeu liminar contra a posse de Lula como ministro da Casa Civil com o intuito, e somente isto, de fazer política rasteira, de quinta categoria, porque, independente de qualquer coisa, este juiz participou efetivamente de passeatas contra o Governo Trabalhista.

Tal juiz, irremediavelmente coxinha, inclusive se arrogou a fazer proselitismo barato em seu facebook ao publicar que um golpe contra Dilma faria com que o dólar caísse e, com efeito, facilitaria as viagens dos coxinhas para Miami. É mole ou quer mais? Este é mais um (mau) exemplo de nossa magistratura socialmente inconsciente, mas equivocadamente politizada. Assim também, levianamente, procederam os delegados aecistas da PF, que sonham com um Brasil e um mundo repleto de meganhagens, como se retrocedêssemos aos tempos do Dops do delegado assassino da ditadura militar, Sérgio Paranhos Fleury.

São esses grupos vinculados ao Estado nacional, que recebem altos salários, por meio dos contribuintes, que estão a rasgar as leis e a desconstruir o Estado Democrático de Direito. São como peixes fora d'água, que são recalcitrantes no que tange à democracia. O Brasil está perto de sofrer um golpe em pleno século XXI depois de sofrer durante todo século XX com governos déspotas edificados por golpes e tragédias, como, por exemplo, e mais recentemente, o suicídio de Getúlio Vargas, a deposição de João Goulart, a renúncia de Jânio Quadros, a perseguição feroz e humilhante a Juscelino Kubitschek, o linchamento moral e a perseguição implacável a Lula e o impeachment (golpe) surreal contra Dilma.

Golpe a ser, inacreditavelmente, comandado por um político da estirpe de Eduardo Cunha, presidente da Câmara acusado de roubar por meio de provas documentadas e contundentes. Político considerado corrupto e que hoje está a passar por processo de avaliação no Conselho de Ética, que sempre é boicotado e sabotado por sua turma golpista em que a maioria também responde a processos na Justiça. Trata-se de um verdadeiro desastre, dentre muitos outros desastres efetivados pela casa grande brasileira, a pior do mundo, a mais perversa e a responsável, lembro novamente, por 400 anos de escravidão.

Lula e Dilma tem derrotar o golpe com o povo na rua. Golpe se derrota com o povo nas ruas e praças. Primeiro, contesta-se a pérfida e sórdida conjuração nas ruas e nos foros apropriados, a exemplo de STF. Depois vai para o pau, pura e simplesmente, se os golpistas derrubarem uma presidente eleita legitimamente e democraticamente. Se Dilma Rousseff não cometeu crimes, a mandatária de 54,5 milhões de votos de brasileiros natos não poderá ser derrubada por vândalos das garantias constitucionais. Golpe é golpe, e ninguém é tão idiota para não compreender esta sórdida realidade.

A vandalização do Estado de Direito é inaceitável, como o é também impressionante os juízes do Supremo Tribunal Federal afirmarem que "O impeachment é constitucional", sem, no entanto, completar a frase pelo menos para asseverar que cidadão comum e autoridade constituída que não comete crimes não pode jamais serem punidos, o que é o caso de Dilma Rousseff e também de Lula, impedido de assumir sua Pasta, porque a Justiça injusta não o permitiu até agora trabalhar à frente da Casa Civil.

Procuradores, juízes e policiais federais estão a edificar um Estado policialesco sem a autorização do povo brasileiro e da Constituição. Se arrogam como os arautos da dignidade e dos bons costumes (nada mais hipocritamente udenista), enquanto juízes que cometem crimes como o Sérgio Moro, além de Gilmar Mendes, que empresaria um entidade de ensino mesmo a ser juiz da Alta Corte, concede liminar contra Lula feita por uma funcionária de sua empresa e ainda dá declarações contra pessoas que vão ser julgadas por ele e por seus colegas. Surreal; e todo mundo acha normal...

Pense bem: você vai ser julgado e seu julgador declara ao público que você é culpado. Age dessa forma inapropriada e vergonhosa à magistratura recorrentemente. E até hoje esse juiz do PSDB do Mato Grosso, que é nada mais e nada menos do que a herança maldita de FHC — o Neoliberal I —, o operador da Brasif para enviar dinheiro à sua amante, nunca foi questionado severamente por seus pares e muito menos o Senado pediu o impeachment dele, mesmo quando o Governo Trabalhista tinha maioria. E por quê? Porque Gilmar Mendes é a garantia dos interesses da plutocracia no STF, além de ser um dos principais conspiradores do golpe. E o faz, sem escrúpulos, às claras.

Pobre desta Nação nas mãos de um sistema Judiciário completamente desviado de suas funções e responsabilidades, como um procurador-geral que, arrogante e prepotente, disse que não deve nada a ninguém. Deve, sim. Deve, e muito, satisfação ao povo e a quem discorda de golpes cuja origem é o MPF. Janot é uma das cabeças principais do golpe e se acha maior de quem é eleito pelo sufrágio universal, ou seja, maior do que a soberania popular. A sociedade não merece ter um togado desse à frente da PGR. E ele foi mais além em suas aleivosias perante parte importante da Nação que combate o golpe, por ser legalista e garantista.

Disse que Lula poderia ser ministro em documento enviado ao STF. Falou como se tivesse a fazer um favor a "conceder-lhe" direito à cidadania. Um cidadão, diga-se de passagem, que nunca cometeu crimes e não responde a malfeitos em qualquer vara de primeira instância. Aliás, o problema de Moro e de seus delegados aecistas e promotores midiáticos como Carlos Fernando e Deltan Dallagnol é exatamente não terem encontrado quaisquer crimes praticados por Lula. E tentaram, despoticamente e à margem do Estado de Direito, prendê-lo. Tal atitude nefasta ao Direito pode ser definida no pensamento de Albert Camus: "Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo". Sérgio Moro, Gilmar Mendes e seus associados do golpe, certamente, estão a falhar, indelevelmente, com a Nação.

Agora perguntem a esses "varões de Plutarco" qual foi o motivo de eles invalidarem ou não considerarem interessante ouvir e confirmar oficialmente as delações de Marcelo Odebrecht sobre os mais de 200 políticos que constam em suas listas de propinas, sendo que a grandíssima maioria é vinculada aos partidos da oposição, notadamente o DEM, o PSDB, o PPS e seus aliados de outros partidos. Aécio Neves, por exemplo, já foi delatado oito vezes. Trata-se do campeão em delações, pois presente em todas as listas de propinas e corrupções. Fato!

Para Moro e Janot, assim como aos seus áulicos da seletividade ideológica e partidária, NÃO VEM AO CASO! E por que, meu Deus? Porque temos uma Justiça, um MP e uma PF injustas e mequetrefes no que concerne a todos os cidadãos brasileiros serem iguais perante as leis. Só isto. Não, claro que não. Essa gente cheia de autoridade seletiva considera os brasileiros idiotas e os tucanos do PSDB e do DEM i-nim-pu-tá-veis! E fica isto por isto mesmo. Problema dos "idiotas", que discordam da tirania judicial e jurídica imposta ao País. Ponto! Pobre do Brasil que não consegue conquistar seu marco civilizatório, porque temos uma burguesia colonizada e subserviente a uma plutocracia que  impede a grande Nação de língua portuguesa de ser civilizada e desenvolvida pelo motivo de termos uma casa grande da pior espécie, uma verdadeira escória, incrivelmente autoritária e perversa.

Entretanto, o povo tem de ir às ruas. O povo e não a pátria branca dos coxinhas analfabetos políticos e golpistas, que protestam nos bairros ricos e chiques, em avenidas conhecidas e muitas vezes à beira-mar. Não. O povo que vai às ruas no dia 31 de março vai mostrar que o golpe desses grupos privados, com o apoio de servidores do sistema Judiciário, a conspirar por um golpe contra a Nação não vai passar, porque não passarão, pois vai ter luta.


A verdade é que os ladrões julgam Dilma Roussef, perseguem Lula com a permissão do sistema Judiciário e a cumplicidade dos juízes do STF e do STJ. Inacreditável ao ponto que chegamos, em colocar as conquistas democráticas em risco, sendo que quem tem a obrigação de garantir e legalidade constitucional e institucional é a Justiça e o MP. Só que são eles os golpistas. Os centuriões da Casa Grande. Durma-se com um barulho desses.  Golpe se derrota nas ruas. Não vai ter golpe! Vai ter luta! 31 de março o povo vai ocupar as ruas. É isso aí.

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