CEZAR CANDUCHO

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TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA., MG, Brazil

domingo, 13 de março de 2016

Você está assistindo a 1964, filme de terror que já vimos.

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Por volta das 23:30 horas da última sexta-feira toca o telefone de casa. Do outro lado da linha está Toninho Kalunga, dirigente estadual do Partido dos Trabalhadores. Ele conseguiu meu telefone com um amigo que temos em comum. Começa, então, um relato estarrecedor.
Em Diadema (SP), no prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ocorria uma reunião do Partido dos Trabalhadores para manifestar solidariedade ao ex-prefeito da cidade José de Filippi Júnior e ao ex-presidente Lula, recentemente envolvidos pela Operação Lava Jato.
Detalhe, a reunião contou com cerca de 2 mil militantes do PT.
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De repente, no meio do evento, dois PMs – um tenente e um soldado – invadiram e interromperam a reunião petista armados de revolveres e metralhadoras. Os nomes dos dois policiais são soldado “Ricardo” e tenente-comandante “Marinho”, ambos do 24o Batalhão. Eles queriam saber “o que estava acontecendo” no local.
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Perguntados pelos presentes sobre o que estava acontecendo, por que estavam ali, os policiais disseram que estavam lá para “fazer averiguações”. Perguntados se tinham algum mandado judicial para invadirem um local privado, reconheceram que não tinham.
Nesse momento, segundo o relato de Kalunga, os policiais começaram a interrogar os presentes. Os organizadores do evento vão até eles exigindo saber a razão da incursão ilegal no recinto e, para espanto de todos, os dois policiais afirmam que estavam ali para investigar um inacreditável “sequestro do comandante da Polícia Militar” (!!!).
Ante o inconformismo dos presentes, os policiais começam a se dizer “acuados” e, pelo rádio, chamam “reforços”. Em um piscar de olhos chegam muitas viaturas ao local, fecham a rua em frente ao predio do sindicato e PMs armados com metralhadoras e revolveres ameaçam invadir o recinto.
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Imediatamente, os deputados estaduais pelo PT-SP Barba e Luiz Turco, juntamente com a diretoria do Sindicato, vão cobrar explicações dos policiais e avisá-los de que se invadissem o local – repleto de parlamentares petistas, sindicalistas e militantes, inclusive mulheres e idosos – seriam alvo de representação criminal.
Vale ressaltar que estava presente toda a bancada de vereadores do PT de Diadema, o deputado Federal Vicentinho, o Deputado Estadual Luis Fernando,a dirigente da CUT Jandira e vários outros dirigentes petistas e sindicalistas, além do ex-prefeito José de Filippi Jr.
No vídeo abaixo, o leitor pode ver as negociações para evitar a invasão do sindicato.
Contudo, isso não é tudo. A surpresa dos presentes foi ainda maior ao descobrirem que havia no local um policial à paisana (figura conhecida, popularmente, como “p2″) infiltrado, transmitindo informações de lá de dentro.
Não havia o que o espião da PM pudesse relatar, mas a mera colocação de alguém assim em reunião de um sindicato produz a imagem de uma polícia política como a que tantas vezes este blog tem denunciado que há no Brasil atualmente.
Não é uma invenção deste Blog o sentimento de apreensão dos setores pensantes da sociedade com os abusos do governo Geraldo Alckmin ao colocar o Ministério Público Estadual, que controla, e a sua Polícia Militar para fustigar adversários políticos.
A condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor na sexta-feira retrasada foi condenada por praticamente toda a comunidade jurídica, inclusive pela maioria do STF. Abaixo, o ministro Marco Aurélio Mello explica por que aquele ato foi abusivo.
Como a situação já parece estar saindo de controle, neste sábado a Folha de São Paulo se une aos setores alarmados da sociedade e publica um editorial surpreendente que condena o pedido de prisão do ex-presidente Lula pelos três procuradores midiáticos do MP-SP, Cassio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araújo, os quais chama de “trio de horrores”.
Confira:
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Na prática, a democracia brasileira já não é plena, de modo que já não existe, haja vista que não existe meia gravidez ou meia morte. Democracia não comporta adjetivos ou graus; ou existe ou não existe. Ou a lei vale da mesma forma para todos ou não vale nada, constituindo-se, meramente, em instrumento de repressão política, característico das ditaduras.
Para fecharmos o post, então, vale um texto absolutamente estarrecedor de um colunista também da Folha de São Paulo. O sujeito admite o viés político da Lava Jato e de todas as outras investidas contra Lula, Dilma e o PT, mas relativiza essa situação escandalosa.
Confira:
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Post Scriptum: até a ciclovia da avenida Paulista sabe que a condução coercitiva de Lula pela PF e o pedido de prisão do ex-presidente pelo MP-SP foram praticados para inflarem os protestos antipetistas deste domingo. Em um país sério, os autores dessas peripécias já estariam, no mínimo, sendo processados criminalmente.
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