CEZAR CANDUCHO

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fascistas agridem Letícia Sabatella.






Por Altamiro Borges
Os atos deste domingo (31) favoráveis ao impeachment de Dilma - e que, na prática, dão respaldo ao "golpe dos corruptos" e ao covil de Michel Temer - foram menores do que previram as seitas que os convocaram. É certo que houve cisão neste campo minado, com alguns grupos - como o Movimento Brasil Livre (MBL) - cancelando a sua participação na reta final já prevendo o fiasco. Mesmo assim, eles voltaram a expressar forte carga de ódio e preconceito. Em São Paulo, por exemplo, um boneco gigante de um militar pregou a volta da ditadura. A cena mais asquerosa, porém, ocorreu em Curitiba. Uma horda fascista hostilizou a atriz Letícia Sabatella, xingando-a de "puta" e de outros impropérios.
Em um vídeo publicado no seu Instagram, a atriz registrou com coragem o momento da covardia. Ela relata que passeava pela Praça Santos Andrade, no centro da capital paranaense, quando foi agredida pelos fanáticos. "Não fui provocar ninguém. Passava pela praça antes de começar a manifestação e parei para conversar com uma senhora. Foi meu erro. Preocupa esta falta de democracia no nosso Brasil. Eles não sabem o que fazem", postou Letícia Sabatella. Até o início da noite deste domingo, o vídeo já tinha mais de 11 mil visualizações e milhares de comentários.
Sua postagem poderá servir para identificar alguns dos fascistas que a agrediram. No vídeo aparece uma mulher histérica aos gritos de "chora petista", "nossa bandeira jamais será vermelha", "acabou a mamata para vocês". Surge também um manifestante, que encara o celular da atriz e a chama várias vezes de "puta". Já um senhor empurra a artista e exige que a tirem da praça. Durante todo o tempo, Letícia Sabatella mantém a sobriedade e diz apenas que os agressores não são democráticos. Caso houvesse Justiça no país, o vídeo seria utilizado para identificar os fascistas, que pregam o ódio e desrespeitam a Constituição.
Uma análise dos personagens grotescos também poderia revelar algumas biografias curiosas. Quando da agressão ao cantor Chico Buarque, em um restaurante no Leblon (RJ), logo depois se soube que os psicopatas tinham longas fichas corridas. Um deles era filho de um playboy aecista que apresenta um programa de turismo na tevê; outro era neto do fundador da terrorista União Democrática Ruralista (UDR); e o terceiro era herdeiro de uma usina com incontáveis processos na Justiça por sonegação, crimes ambientais e desrespeito às leis trabalhistas. Já o agressor do ex-ministro Alexandre Padilha, em um restaurante em São Paulo, pertencia a uma família recordista em processos na Justiça - denunciada, inclusive, na midiática Lava-Jato. Os falsos moralistas adoram posar de vestais da ética!

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