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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A quinta ameaça de Cunha a Michel Temer – A parábola dos cinco amigos.

Cunha ameaça Temer I Lauro Jardim - O Globo

(Foto: André Coelho)
Por Bajonas Teixeira de Brito Junior, colunista de política do Cafezinho
Eduardo Cunha faz mais uma ameaça a Temer. Como as demais, essa também foi pública. Saiu hoje estampada em letras vermelhas na home do G1. É verdade que Lauro Jardim, claro, diferente do Estadão que pareceu estar servindo de mural para Cunha afixar suas ameaças, nos convence de estar apenas repassando coisas tal qual ocorreram atrás das cortinas do Jaburu. Do infausto Palácio do Jaburu.
Aliás, é interessante que a quinta ameaça apareça na forma da parábola dos cinco amigos.
Seja como for, Lauro Jardim, ao abrir as portas da Globo para um recado de Cunha, nos dá uma janela para vislumbrar as engrenagens íntimas da pós-Nova República. Ou da neo Nova República, com seu cortejo de indignidades misturadas com sabedoria ancestral. Vazada no puro estilo old testament, a nova ameaça de Cunha contra Temer vem embalada em finíssimo papel bíblia na forma de uma bela parábola. A parábola dos cinco amigos, inventada por ele mesmo, o profeta Eduardo Cunha. Reproduzimos:
Matéria completa
Há onze dias, no artigo A ‘cunhalada’ pelas costas, apontamos uma a uma as quatro ameaças que já tinham sido endereçadas por Eduardo Cunha a Temer. Vamos relembrá-las:

Em 08 de maio de 2016:  
No blog de Anthony Garotinho foi postada uma das pérolas da oratória sacra de Cunha, que entre outras joias do estilo, trazia essa:  "Se eu for abandonado não vou sozinho para o sacrifício. É bom que alguém diga a Michel (Temer) e a (Romero) Jucá que eu posso ser o início do fim de um governo que nem começou."

Em 20 de abril:
Matéria no Estadão informava em detalhes as manobras de Cunha para minar a tentativa de Temer de ampliar seu poder junto aos deputados na Câmara. A matéria tinha o título:Ameaça a Temer é plano B de Cunha para se salvar.

Em 12 de Junho:
Em nova ameaça dirigida ao interino Michel Temer, Cunha diz que se cair levará junto, num grande abraço de afogados, 150 deputados.

02 de agosto:
O Estadão publica matéria em que Eduardo Cunha aparece preparando um dossiê sobre seus aliados políticos (leia-se, Michel Temer).

Em qualquer outro lugar essa briga de gangsters a céu aberto, levaria os dois para a cadeia. Mas aqui, em que a própria esquerda assiste a essas ocorrências como os antigos agregados, acocorados, assistiam às desavenças dos seus patrões, com um íntimo prazer de testemunhar o circo pegando fogo, embora o primeiro fundilho a arder terminasse invariavelmente sendo o deles, não há muito que se esperar.
Se não existe moralidade pública, não existe judiciário, nem o menor vestígio de estrutura política verdadeira no país, em especial no Congresso, não existe instituição alguma que possa reagir diante desse quadro. Aliás, esse quadro é o testemunho de que a vida institucional do país foi liquidada a partir de cima.
Quem espera o cataclismo final, efeito de uma ruptura trágica e de denuncias de um Cunha desvairado, parece que pode esperar acocorado.
O que nos resta é acompanhar e documentar o que está acontecendo diante dos nossos olhos. E observar, na prática, a lei das mensalidades que mencionamos nos artigo anterior: a cada mês, com pontualidade britânica, Eduardo Cunha, como bom cobrador, aparece na porta de Michel Temer com as promissórias nas mãos. Já se tornou íntimo dos porteiros do Jaburu. Do infausto palácio do Jaburu.
Bajonas Teixeira de Brito Júnior – doutor em filosofia, UFRJ, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas, e professor do departamento de comunicação social da UFES.
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