CEZAR CANDUCHO

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sábado, 6 de agosto de 2016

Delação de Marcelo Odebrecht ainda é posta à prova pela Lava Jato.





Jornal GGN - Em depoimento de cerca de dez horas a procuradores da República da equipe de Sergio Moro, o empresário Marcelo Odebrecht teria explicado detalhes, nesta quinta-feira (05), sobre pagamentos ilícitos feitos a políticos de diversos partidos nos últimos anos. A temida delação envolve cerca de 100 políticos, em negociação realizada desde maio.
Apesar de ainda não ser considerada parte do acordo, o depoimento de dez horas adiantou as informações que o executivo pode passar aos investigadores da Lava Jato. O ponto central da conversa foi a motivação da Odebrecht para fazer as transferências: se foram parte de caixa dois de campanha ou propina direta ligada a contratos de obras públicas.
O depoimento é um dos últimos feitos por Marcelo na tentativa de alcançar o acordo com os procuradores, que já informaram que a proposta é "satisfatória", exigindo, ainda, detalhamentos dos fatos e documentação.
A exemplo do que vem sendo feito pela força-tarefa, os acordos de delação não apenas impõe o testemunho e narrativa de acusações, envolvendo outras empresas e pessoas investigadas, mas também a apresentação de arquivos e documentos, para servir como provas a sustentar as informações prestadas.
A tática dos procuradores é que se o delator não oferece tais documentos, não traz benefícios ao Ministério Público Federal (MPF). Já se os investigados fornecem tais provas materiais, mais fácil se torna a condenação de terceiros, sustentadas nas delações.
Há, ainda, orientações dos investigadores a respeito do que pode oferecer aquele delator. Se a investigação já está concluída sobre um réu ou se o caso não está na mira dos procuradores da Lava Jato, também o acordo não é acertado.
Isso explica a demora de mais de três meses, desde que o MPF se predispôs a ouvir Marcelo Odebrecht. A negociação sobre o que será delatado tem foco, condução e restrições do que os procuradores acreditam que vale ser usado e investigado.
Nessa linha, apesar de um documento já estar de posse dos investigadores - a superplanilha da Odebrecht - documento ser apreendido na 23ª fase da Lava Jato implicando, no mínimo, 279 nomes ligados a 24 partidos políticos - a negociação concluiu pela mira de 100 desses políticos.
A lista da Odebrecht representou uma ameaça para diversos partidos que não estavam, até então, na mira da Lava Jato. Apreendido na fase Acarajé, que tinha como objetivo mirar no suposto pagamento de propina em campanhas petistas comandadas por João Santana e Mônica Moura, a superplanilha não trouxe o esperado pelos investigadores: nem o nome da presidente afastada Dilma Rousseff ou de Luiz Inácio Lula da Silva.
Dessa negociação que se empenhou em desvendar se eram originários de caixa 2 os montantes expostos nas tabelas, encontradas na casa de Benedicto Barbosa da Silva Junior, apontado como o encarregado de Marcelo para tratar de doações eleitorais e repasses a políticos, ficou acordado a revelação de cerca de 100 políticos nas delações.
Ainda em março deste ano, quando os documentos foram liberados à imprensa, o Estadão fez um levantamento mostrando que, em vários casos, os valores indicados eram superiores aos declarados pelos candidatos, indicando a possibilidade de serem propinas para o financiamento eleitoral de 2012.
Os valores mostravam repasses que atingiram o montante de, pelo menos, R$ 75 milhões, quase o dobro do declarado como doações pela Odebrecht nas prestações de contas que os candidatos apresentaram à Justiça Eleitoral, que foram de R$ 38 milhões.
Entre os nomes que aparecem como possíveis beneficiários do esquema de caixa 2, estão o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o atual ministro José Serra (PSDB-SP), o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Renan Calheiros (PMDB-AL), Jorge Picciani (PMDB-RJ), deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), Francisco Dornelles (PP), o governador Beto Richa (PSDB), entre outros.
Mas, sabe-se agora que, durante o tempo em que foram negociados os acordos com executivos da Odebrecht para delatar, chegou-se ao número de pouco mais de 100 políticos: 35 senadores, 13 governadores, dezenas de prefeitos e integrantes do governo federal como beneficiários diretos de desvios de dinheiro público, ou como recebedores de vantagens, como repasses de verbas para campanhas a entrarem nos depoimentos de Marcelo.
Um novo balanço mostra que pelo menos 90 temas foram apresentados aos procuradores e Marcelo deve detalhar o conteúdo de cada um deles. Além do executivo, outros 51 funcionários da empreiteira também tentam se incluir no acordo de delação apresentado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 
Ainda, os investigadores querem que Marcelo Odebrecht afirme que a origem dos recursos foi de propina direta em contratos de obras com o governo federal. Mas o executivo afirmou, mais de uma vez, que foi fruto de caixa dois de campanha, sem vinculação direta com obras ou contratos. 
Enquanto a empresa depende do acordo para ter seus rumos não fechados, em contratos e participações econômicas futuras, o executivo também tem na delação o apoio para diminuir a pena de sua condenação.
Assista ao depoimento de Marcelo Odebrecht ao juiz Sergio Moro, em outubro de 2015, em que o executivo denuncia as violações da equipe de investigadores:

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