CEZAR CANDUCHO

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Diretas Já e reações mostram que o impeachment não descansará Temer.


Jornal GGN - Já com o placar do impeachment favorável à saída definitiva de Dilma Rousseff, o PT calcula estratégias após o resultado final, com a votação que deve ocorrer nesta quarta-feira (31). Apesar de evitar anunciar qualquer medida e os próximos passos, o partido já defende manter a resistência, com o apoio de movimentos sociais e manifestações de rua. E é justamente a partir desses mecanismos sociais que o PT pretende destinar o ápice dos esforços de mobilizações desde o início do ano.
 
Foi o ex-ministro da presidente afastada e militante da sigla, Miguel Rossetto, que confirmou o tom que será dado. Após o discurso histórico em que Dilma fez a sua autodefesa no processo de impeachment, afirmou que "se o golpe passar", partidos aliados e dirigentes de movimentos iniciarão uma mobilização pedindo eleições "Diretas Já", "no dia seguinte" ao resultado.
 
Seguiria o exemplo do que ocorreu com o movimento civil de reivindicação contra o regime militar e por eleições presidenciais diretas no Brasil, em 1983, ideia lançada pelo então senador Teotônio Vilela. A maior mobilização, que ocorreu no dia 25 de janeiro de 1984, na cidade de São Paulo, reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas, em ato liderado por Tancredo Neves, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, além de artistas e intelectuais.
 
O Partido dos Trabalhadores, por meio de sua Executiva Nacional, não deixou claro a extensão do apoio à ideia de Dilma, exposta na carta aos brasileiros e senadores, de realizar um plebiscito, no qual a população decidiria sobre novas eleições presidenciais. 
 
A carta de Dilma Rousseff foi repercutida e reproduzida pelo PT, mas em reunião realizada na última semana, o presidente Rui Falcão evitou reafirmar a proposta de plebiscito na resolução de conjuntura aprovada.
 
No documento que defende o mandato de Dilma, a democracia e critica o governo interino de Michel Temer, que traz um balanço de mais de 100 dias com polêmicas medidas consideradas retrocessos sociais, o partido não enfatiza a ideia de consultar a população que defendeu a presidente afastada.
 
Mas para Rosseto, não apenas o partido como a população "não vai se conformar" com "um governo usurpador e ilegítimo, com uma agenda regressiva", capitaneado por Michel Temer.
 
Por outro lado, se o trabalho da sigla e de movimentos sociais deve tomar mais volume e expressão com o resultado de saída definitiva de Dilma Rousseff, a própria presidente afastada chega ao ápice de seu cansaço.
 
Foi o que comunicou a própria presidente, ainda que aparentando boa disposição após as mais de 14 horas de sessão, em que promoveu seu discurso histórico e respondeu a questionamentos de senadores que a julgarão nesta quarta (31). "Estou na fase final do cansaço", disse Dilma ao Painel, enquanto deixava o Congresso, já na noite de ontem.
 
O desgaste foi usado como pergunta a Rosseto, se há uma espécie de "fadiga" no partido com as disputas entre o PT e o PMDB nesses últimos meses. "Até os vulcões adormecem", respondeu o ex-ministro de Dilma.
 
Ainda integra outra estratégia da sigla um maior apelo e avanço internacional. O objetivo é alertar não apenas os países vizinhos e históricos aliados do Brasil nos governos Dilma e Lula, como seguindo pela imprensa e por Cortes jurídicas internacionais.
 
Na última sexta (26), por exemplo, Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta para a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, informando sobre a "gravíssima situação política e institucional que vive o Brasil". Na carta, Lula denuncia um "processo de impeachment que viola a Constituição e as regras do sistema presidencialista".
 
É um sinal de alerta para os aliados do interino e o próprio Palácio do Jaburu sobre o que os espera após o fim do impeachment. Militantes petistas, de partidos aliados e movimentos sociais mostrarão que não se trata de um fim.

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