CEZAR CANDUCHO

sábado, 24 de setembro de 2016

É deboche de Moro dizer que ignorava doença da esposa de Mantega.

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Mais uma vez o juiz Sergio Moro vem a público demonstrar que suas decisões se baseiam em jogadas midiáticas e pouco estudadas e refletidas.
Ano passado, em abril, uma cidadã brasileira passou por um constrangimento terrível, verdadeiramente impensável: essa mulher apareceu em todas as grandes redes de tevê do país – e, quiçá, do mundo – sendo acusada de operar um esquema criminoso. Sua imagem algemada, cabisbaixa, sendo conduzida pela polícia irá persegui-la para sempre.
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A vida social dessa cidadã foi literalmente extinta. Inclusive, muito provavelmente, essa desmoralização irá perdurar mesmo que nada fique provado contra ela – a mídia que expõe à execração pública é a mesma que não retira essa execração mesmo quando o execrado prova sua inocência.
Marice Correia de Lima, cunhada de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, teve que deixar um Congresso de que participava no exterior e voltar às pressas ao Brasil para se apresentar à polícia devido à ordem de prisão que o juiz Sergio Moro emitiu contra ela.
Essa senhora foi dada como “foragida” pela mídia só por estar fora do país, ainda que não houvesse restrição alguma a que viajasse. Passou cinco dias presa. A mídia em peso apresentou vídeo em que mulher que supostamente seria ela fazia depósito na conta de sua irmã, Giselda Rousie de Lima, esposa de Vaccari.
Nas notícias, Marice estaria depositando dinheiro sujo.
Estava “provado” que Marice era uma “criminosa”. Nas redes sociais, ela, a irmã, o cunhado, enfim, a família toda virou um bando de mafiosos. Por conta disso, o Ministério Público pediu a prorrogação da prisão de Marice por tempo indeterminado.
Felizmente, a indignação coletiva e as provas apresentadas pela defesa de Marice OBRIGARAM Moro a soltá-la, apesar da “certeza” que tinha de sua culpa.
Como se chegou a isso? Como alguém pode ser condenado dessa forma, tão rapidamente? Por que essa mulher teve que largar uma viagem de trabalho ao exterior e pouco depois aparecer como criminosa condenada em todos os grandes impérios de comunicação do país?
Foi tudo por causa de um vídeo.
A imagem captada pela câmera de um caixa-automático provocou essa sucessão de eventos dramáticos na vida de Marice. Essa foi a “prova” que o Ministério Público apresentou ao juiz Moro para que ele tomasse a decisão de mandar prender Marice. Ele, inclusive, proclamou-se convencido de que o vídeo bastaria para jogar Marice na cadeia afirmando que as imagens “não deixavam qualquer margem para dúvida”.
Em poucas horas, porém, tudo desmoronou. A “certeza” do juiz Moro, a fundamentação para a prisão de Marice (o vídeo) e, concomitantemente, o Estado Democrático de Direito.
Moro mandou soltar Marice após ficar claro que havia uma margem quilométrica para dúvidas, ainda que ele tivesse dito, um dia antes, que não havia nem um centímetro.
Moro pediu desculpas, fez alguma reparação à ofendida, soltou alguma nota que lhe permitisse gozar do princípio universal do Direito de que todos são inocentes até prova em contrário? Coisa nenhuma. O que fez foi como dar um chute no traseiro da agravada, enxotando-a de sua masmorra, sem reconhecer que se açodou na decisão de prendê-la.
Confira, abaixo, matéria da Folha de São Paulo sobre o tema.
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À época, mesmo sabendo que Moro desfrutava de proteção do aparato golpista e que, assim, jamais seria responsabilizado por seus abusos, este blogueiro tratou de representar contra ele no Conselho Nacional de Justiça.
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Agora, Moro volta à carga em relação ao ex-ministro Guido Mantega. O problema de Moro é com petistas e só com petistas. Não vê mais nada, não vê a corrupção em outros partidos que receberam tantos recursos quanto o PT das empreiteiras investigadas pela Lava Jato.
No dia 16 de agosto, o juiz antipetista decidiu pela prisão preventiva ou mesmo temporária contra Mantega, apesar de as razões para tanto serem absolutamente insuficientes para medida desse galardão.
Desde o início deste ano a doença da esposa de Mantega vem sendo assunto na imprensa. O episódio em que ele foi agredido no hospital Albert Einstein enquanto acompanhava a esposa em exames ficou meses no noticiário, na internet, em toda parte.
Com efeito, a doença da mulher de Mantega é assunto na imprensa desde 2012.
Assim como no ano passado, Moro se faz de distraído sobre fatos que todos conhecem. Foi assim quando o mesmo juiz se declarou incapaz de encontrar a mulher de Eduardo Cunha para citá-la.
Eis as consequências de termos um juiz midiático com poder para destruir a vida de quem lhe der na veneta. Todos somos alvos em potencial das idiossincrasias de um homem que só pensa em holofotes, em fama, em sucesso e, obviamente, “naquilo” que tudo isso rende.
Sergio Moro é o rosto, a voz e a mão do golpe.
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