CEZAR CANDUCHO

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Editor de Época insinua que sabia de decisão de Moro contra Lula.

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Após juristas de todas as tendências, a OAB nacional, a imprensa estrangeira, grandes jornais, articulistas e colunistas notoriamente antipetistas criticarem a força-tarefa do MP na Lava Jato, a colunista da Folha de SP Monica Bergamo, na segunda-feira, noticiou que até “ministros do STF” teriam criticado os procuradores que acusaram o ex-presidente Lula.

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No domingo, a mesma Folha de São Paulo noticia que a denúncia do MP contra Lula usou delação rejeitada do empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS. Ou seja, Deltan Dallagnol e sua trupe usaram acusação do empreiteiro contra Lula que os procuradores mesmos haviam rejeitado.
O consenso que se formou em torno da fragilidade da denúncia do MP contra Lula, portanto, é quase tão grande quanto a certeza de que Sergio Moro aceitaria essa denúncia inepta, formulada por aqueles com os quais o juiz mantém uma indesejável “parceria”.
Dito e feito. Moro cumpriu o script: aceitou, nesta terça-feira (20), a denúncia feita pelo MP contra Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Com a decisão, Lula vira réu na Operação Lava Jato.
Contudo, mais uma vez o que se percebe é que Lula está sendo alvo de uma encenação mal disfarçada.
No início deste ano, mais especificamente na madrugada de 4 de março, o editor da revista Época Diego Escosteguy publicou no Twitter comentário irônico que dava a entender que já sabia que naquele dia Lula seria alvo de condução coercitiva para depor para delegado da Lava Jato. Abaixo, reprodução daquele tuíte.
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No alto da página, ou abaixo deste parágrafo, você vê que, no início da noite de segunda-feira, Escosteguy manifesta, novamente, conhecimento de decisões prévias do juiz Moro como a que autorizou que o ex-presidente da República fosse conduzido coercitivamente para depor.
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Mais uma vez, a Lava Jato afirma não ter provas, mas ter “convicção”. Apesar de receber a denúncia contra Lula, Moro diz em seu despacho que as provas apresentadas pelo MPF de que Lula tinha conhecimento e fazia parte do esquema “criminoso” que atingiu a Petrobras são “questionáveis”.
Ora, agora não falta mais ninguém para criticar o trabalho de Dallagnol e cia. Até moro reconhece que as provas são fracas. Agora só falta o Papa criticar a denúncia inepta contra Lula.
A zombaria do editor de Época é um tremendo simbolismo do que estamos vivendo no Brasil, uma campanha de destruição política que chega a debochar da lei, do Estado de Direito e, acima de tudo, da inteligência das pessoas, pois inexistia dúvidas de que, apesar da fragilidade das “provas” apresentadas pelo MP, Moro aceitaria a denúncia contra Lula.
Estamos submetidos a um golpe tosco, grosseiro, mal disfarçado, desaforado, fanfarrão, que chega ao cúmulo de se exibir, como quem diz “É golpe mesmo, e daí, vai encarar?!”
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