CEZAR CANDUCHO

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Caixa-preta dos grupos golpistas do Facebook vai ser aberta.

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Eles se tornaram famosos por se reunirem aos milhares nas capitais brasileiras do ano passado para cá. Não há um só entre os mais de 200 milhões de brasileiros que não tenha visto um desses espécimes envergando cópia da camiseta número 1 da Seleção brasileira enquanto pedia a derrubada do governo Dilma Rousseff.
Eles tiraram essa ideia de usar a camiseta da Seleção para pedir golpe após alguns deles dispararem palavrões ao vivo contra a então presidente da República na abertura da Copa do Mundo de 2014 – diante do mundo, via satélite.

Quem começou esse movimento anticívico na abertura da Copa de 2014 foram grupos que começaram a se reunir no Facebook no âmbito das “jornadas de junho de 2013”, iniciadas pelo Movimento Passe Livre em São Paulo para protestar contra o aumento de 20 centavos de real nas passagens de ônibus.

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Nesse contexto, nasceram grupos de todo tipo no Facebook para combinar os atos de protesto contra os vinte centavos que o prefeito recém-empossado Fernando Haddad havia aumentado nas passagens.
Grupos de esquerda que reuniam o Movimento Passe Livre, professores da USP, o PSOL, a Rede, o PSTU, o MST, blogueiros e ativistas digitais de esquerda e até a juventude do PT, entre outros, criariam páginas no Facebook para combinar os atos. Embalada por essa iniciativa, todo tipo de lixo da sociedade começou a fazer o mesmo.
Neonazistas, punks, extremistas de direita de todo tipo começaram a criar grupos no Facebook para aproveitar o embalo desencadeado pelo Movimento Passe Livre e saírem do armário após terem permanecido confinados desde o fim da ditadura militar.
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Um desses grupos que surgiu nas ruas a partir do encontro de semelhantes no Facebook foi o Revoltados On Line. Sob marketing, discurso e aparência policialescos ou militaristas, esse grupo logo ganhou adeptos na classe média alta paulistana.
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Outros grupos foram surgindo na esteira dos revoltados on line. Um deles, o Movimento Brasil Livre, liderado por um sujeito envolvido até o pescoço em problemas com a Justiça.
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O grupo passou a produzir camisetas com mensagens como “fora Dilma”, “100% anticomunismo” e “família, Deus e Liberdade” e seu “kit impeachment”, composto por camisa polo, boné e cinco adesivos por 175 reais.
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Porém, surgiram indícios de que essa fórmula de financiamento era só fachada. Partidos políticos e governos das três esferas estariam repassando dinheiro não só para esse grupo, que está minguando, mas para todos os grupos surgidos no Facebook para apoiar o golpe parlamentar contra o governo Dilma.
Tudo começou com a tardia retirada do ar da página dos Revoltados On Line no Facebook. Segundo a gestão dessa rede social, a página foi eliminada por infringir normas de conduta.
Trata-se de um eufemismo. Todas essas páginas atraem a escória da sociedade – endinheirada, mas nem por isso menos escória. São fascistas envolvidos com toda sorte de picaretagem e produtos de famílias desestruturadas que deram origem a esses sociopatas.
A mera visita a qualquer uma dessas páginas deixa ver que abrigam racismo e outros tipos de crimes. Nessas páginas são feitas ameaças de morte, de violência. Difamação e calúnia são a regra.
Os fatos acima tornam mais bizarra a reação do malandro que tocava a pocilga em questão.

Algum tempo se passou e um segundo vídeo desse indivíduo mostra bem o tipo de gente que engrossou as manifestações a favor do golpe.

Essa pessoa com a qual esse indivíduo conversa é uma tal de Carla Zambelli, outra ativista pelo impeachment e que chegou a ser levada para depor na Câmara dos Deputados.
O áudio, por sua vez, dispensa comentários. Embriagado, Marcelo Reis, líder dos Revoltados On Line, deu a pista para possíveis crimes que estariam sendo cometidos por esses movimentos.
E o crime onde pode estar? No financiamento.
A venda de material promocional dos revoltados e de outros grupos análogos seria “cortina de fumaça”. Na verdade, o financiamento mesmo estaria vindo de partidos políticos e de governos tucanos, demos e assemelhados, inclusive do governo Temer.
Apesar do partidarismo do Ministério Público Federal, circula informação (ainda não confirmada) de que estaria sendo aberta uma investigação diante da prisão de um vereador que andou contando mais daquilo que o tal Marcelo Reis começou a contar no áudio acima.
Não tenha dúvida, leitor, essa história ainda vai feder muito.
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