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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Judas Temer abandona Sérgio Cabral.


Por Altamiro Borges

O Judas Michel Temer, o “vice decorativo” que apunhalou Dilma e liderou o “golpe dos corruptos”, não vacila nas suas traições. Diante da prisão cinematográfica de Sérgio Cabral, o traíra fez de conta que não tinha nada a ver com o ex-governador do Rio de Janeiro e o jogou às traças – ou aos ratos do Presídio Bangu. Na maior caradura, o porta-voz do usurpador, o elitista Alexandre Parola, afirmou nesta quinta-feira (17) que “o presidente da República lembra que o PMDB tem mais de dois milhões de filiados que militam na atividade política e tem de ser analisado na plenitude de todas as suas ações no país. O partido continuará a cumprir o seu papel relevante para a história brasileira”.

Ou seja: comparou o ex-todo-poderoso Sérgio Cabral aos “dois milhões de filiados” do partido. Ele só deixou de dizer que o atual presidiário governou por dois mandatos um dos principais Estados da federação e até foi cogitado como presidencial do PMDB. Também não disse que o político carioca, outro traíra, ordenou a bancada do Rio de Janeiro a votar pelo impeachment de Dilma e que indicou vários aliados para o covil golpista de Michel Temer. Mais ainda: Alexandre Parola nada falou sobre as contribuições financeiras arrecadadas por Sérgio Cabral que foram destinadas ao caixa do diretório nacional do PMDB, inclusive para a campanha do “vice decorativo” Michel Temer.


Mais escrota do que a declaração oficial do porta-voz foi a entrevista do senador Romero Jucá, atual presidente do PMDB. A velha raposa, que teve uma conversa vazada na qual confessou que o objetivo maior do golpe seria “estancar a sangria” das investigações da Lava-Jato, afirmou que “essa questão do Sérgio Cabral é algo restrito. O partido não se afeta”. Essas e outras declarações, porém, não escondem o pânico vivido pela cúpula do PMDB. O maior medo é que o ex-governador do Rio de Janeiro, agora um presidiário com a cabeça raspada, decida revelar o que sabe sobre o esquema de propina, caixa dois e corrupção do seu partido.

"Lava-Jato entrou em nova fase". Será?

Até jornalistas que apoiaram o “golpe dos corruptos” estão preocupados. Nesta quinta-feira (17), o blogueiro oficial da famiglia Frias, Valdo Cruz, relatou que “a prisão de Cabral na Lava Jato gera apreensão no Planalto”. Segundo o colunista – que já foi carinhosamente apelidado de Valdo Cruz Credo –, a detenção “já era esperada pela cúpula da política brasiliense, mas mesmo assim gerou apreensão não só no PMDB como também em outros partidos governistas, deixando preocupado o Palácio do Planalto por causa do que pode vir pela frente e fragilizar a atual base aliada de Michel Temer. A avaliação de assessores presidenciais é que a Operação Lava Jato entrou em nova fase”.

Ainda segundo o jornalista, um visceral inimigo dos governos Lula e Dilma, “nesta etapa, a equipe do presidente Temer avalia que o PT deixa de ser o principal alvo das investigações, que migram também para nomes ligados ao PMDB, PSDB, DEM e PSB, entre outros, podendo causar, a médio prazo, estrago político nos maiores partidos da base de apoio do governo atual. Em relação ao presidente, assessores avaliam que o nome de Temer pode até ser citado em novas operações, mas nada que afete o atual mandato”. Será? Com tantas traições – dos “amigos” Eduardo Cunha a Sérgio Cabral – o Judas pode virar alvo dos traídos. Seria mais uma ironia da História!

Pedalinho de Lula e a lancha de Cabral

A prisão de Sérgio Cabral tem gerado reações contraditórias da mídia. Na linha da escandalização – que garante aumento das audiências e tiragens e serve também para desmoralizar a política –, ela tem exibido a ostentação vergonhosa do peemedebista. Antes blindado pela imprensa, até em função dos milhões em publicidade e de outras benesses do governo carioca, agora ele virou o vilão. É certo que não se dá o mesmo destaque dedicado aos famosos "pedalinhos" de Lula, que foram exibidos à exaustão nas telinhas de tevê. Mas as riquezas acumuladas – ou roubadas – pelo ex-governador são listadas: a lancha avaliada em R$ 5 milhões apreendida na marina do condomínio Portobello em Mangaratiba, onde ele morava; o helicóptero particular; a moto aquática; os automóveis de luxo com blindagem; as jóias e roupas de grife da ex-primeira-dama; as diversas obras de arte, entre outros bens caríssimos.

Matéria da Folha, publicada na sexta-feira (18), mostra até onde chegou a sensação de impunidade do ex-governador. "A propina do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) direcionada ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) pagou móveis, eletrodomésticos, veículos, máquinas agrícolas e até vestidos de festa para a ex-primeira-dama, Adriana Ancelmo. De acordo com o Ministério Público Federal, Cabral recebeu, em espécie, R$ 2,7 milhões da Andrade Gutierrez pelo contrato de terraplanagem do Comperj – o equivalente a 1% da participação da empreiteira na obra".

"A suspeita dos procuradores é que, do valor total da propina, pelo menos R$ 950 mil tenham sido gastos em bens de alto valor, como os vestidos de Ancelmo, e em depósitos bancários de até R$ 10 mil... Somente nos seis vestidos da ex-primeira-dama, foram gastos R$ 57 mil. O casal também comprou dois mini buggies, com depósitos em dinheiro de R$ 25 mil, e equipamentos gastronômicos de uma empresa de eventos por R$ 72 mil, também em espécie. Máquinas agrícolas, automóveis e móveis também estão entre as compras supostamente feitas com propina. O próprio ex-governador recebeu, enquanto ainda estava no exercício do mandato, seis depósitos de R$ 9.900, em espécie".

Cadê o amigão Aécio Neves?

A mídia golpista também tem feito um baita esforço para vincular o ex-governador, agora presidiário, aos governos petistas. De fato, no pleito presidencial de 2010, quando Lula ostentava altos índices de popularidade, Sérgio Cabral – com o seu conhecido senso de oportunidade – apoiou a campanha pela eleição de Dilma Rousseff. Já em 2014, ele rompeu a aliança, tentou esconder os investimentos do governo federal no Rio de Janeiro e apoiou o cambaleante Aécio Neves. Os "calunistas" da mídia, porém, evitam citar o nome do chefão do PSDB. Afinal, todos os tucano são "santos" – até os que aparecem com este rótulo nas planilhas de propina da Odebrecht.

Mas não dá para negar os fatos. É só recolher os vídeos e fotos da última campanha para relembrar a aliança de Sérgio Cabral com Aécio Neves e a famosa chapa "Aezão" – o tucano para presidente e o peemedebista Luiz Fernando Pezão para governador do Estado. Os materiais eleitorais de deputados do PMDB também confirmam a sólida aliança. Mas nem precisaria tanto. Bastaria pesquisar o que foi publicado pela própria imprensa falsa e manipuladora. Em maio de 2013, o jornal O Globo publicou uma matéria que mostrava a relação – quase carnal – entre os dois políticos matreiros:

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"O jantar que reuniu governadores do PMDB, além de ministros e líderes do partido, em Brasília, transformou-se em um muro de lamentações contra o PT e contra o governo federal. E couberam ao governador Sérgio Cabral as maiores e mais duras críticas. Como previsto, Cabral deixou claro no encontro que não deverá apoiar a reeleição de Dilma caso o PT lance um candidato para a disputa estadual contra o vice-governador Luiz Fernando Pezão. O senador Lindbergh Farias é pré-candidato do PT à sucessão de Cabral. E, para completar, citou sua íntima relação com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato do PSDB contra Dilma.



- Não é bem assim que a gente não tenha alternativa. Eu tenho relação com várias pessoas no mundo político. O nome do meu filho é Marco Antônio Neves Cabral - disse, apontando para o filho, também presente ao encontro. Marco Antônio é filho do primeiro casamento do governador, com Suzana Neves, que é parente de Aécio. 

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A relação entre Sérgio Cabral e Aécio Neves é tão estreita que a imprensa venal até poderia especular sobre negócios suspeitos entre ambos. Bastaria lembrar que em 2012 o senador mineiro foi um dos principais responsáveis pela não convocação do amigo carioca para depor na CPI do Cachoeira. Na ocasião, as denúncias envolvendo o mafioso com Fernando Cavendish, da construtora Delta, já eram conhecidas e as festanças do empresário com o governador em Paris vazaram na mídia. Neste caso, vale relembrar a reportagem de Adriano Ceolin, postada no iG em 30 de maio daquele ano:

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Sob influência do senador Aécio Neves (PSDB-MG), a maioria dos integrantes tucanos na CPI do Cachoeira ajudou a derrubar o requerimento de convocação do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) no começo da tarde desta quinta-feira. Os dois são amigos pessoais.

Segundo o iG apurou, Aécio pediu que a bancada do PSDB rejeitasse o pedido de convocação do governador peemedebista. Cabral já foi filiado ao PSDB no passado. Até 2006, era adversário do PT. Aécio, que tem pretensões de disputar a Presidência da República, sonha ainda com o apoio de parte do PMDB.

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