CEZAR CANDUCHO

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

PTMG - Querem me tirar das eleições de 2018, diz Lula a Oliver Stone.


Em entrevista exclusiva ao cineasta ganhador de 3 Oscar, o ex-presidente abordou assuntos como a perseguição que vem sofrendo, política internacional, mídia e pré-sal.
Em visita ao Brasil para o lançamento de seu filme “Snowden”, o cineasta norte-americano Oliver Stone, ganhador de três Oscar, visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem almoçou e a quem entrevistou com exclusividade para o Nocaute. Participaram da entrevista o venezuelano Maximilien Arvelaiz e a intérprete Gala Dahlet.
“Temos uma guerra aqui no Brasil. Aconteceu um processo de violência contra a democracia.”
Lula:  Quando nós dois nos encontramos em Caracas, não, em Maracaibo, era um momento de muito otimismo na América Latina. Nós acreditávamos que estávamos construindo uma estrutura política mais prolongada. Mas aí veio a morte do Chávez, a morte do Kirchner, a minha saída da Presidência. E aí o trio que tentava organizar a América do Sul não existia mais. Foi uma pena. Uma pena. E eu sei que você tinha muita esperança, muita expectativa, mas precisamos começar tudo outra vez. Eu queria lhe dar os parabéns pelo novo filme, espero que tenha muito sucesso, como os outros. Bem vindo ao Brasil.
Oliver: Muito obrigado.
Lula: É uma pena que você veio muito mal acompanhado. (risos) O Max não é uma boa companhia.
Oliver: Ele me levou a restaurante muito barulhento ontem à noite. (risos) Eu gostaria muito de ver o senhor ser presidente novamente.
Lula: Olha, temos uma guerra aqui no Brasil. No Brasil aconteceu um processo de violência contra a democracia. Há todo um trabalho de construção de uma teoria mentirosa para justificar o afastamento da Dilma e a criminalização do PT. Eu fico pensando: não teria sentido eles darem o golpe parlamentar que deram e dois anos depois me devolverem a Presidência!
Eu acho que neste momento eles trabalham com a ideia de tentar evitar que eu tenha qualquer possibilidade de participar das eleições de 2018. E como eles não podem evitar a decisão do povo, eles estão tentando via Poder Judiciário. Há uma quantidade enorme de mentiras, as coisas mais absurdas, quem nem uma criança de parque infantil admitiria. E há uma combinação perfeita da imprensa, da Policia Federal e do Ministério Público que constroem, cada um a seu tempo, as mentiras. Só para você ter ideia, de março a agosto o principal canal de televisão aqui do Brasil, no seu principal jornal, teve 14 horas de matéria negativa contra mim. Em cinco meses.
Maximilien: Ele se refere à TV Globo.
Lula: E eu não sei como é que vai terminar, porque eu tenho desafiado eles a provar que algum empresário tenha me dado dinheiro. Eu vou até pedir ajuda pra CIA, para ver se conseguem descobrir uma conta minha no exterior. (risos) Agora, por falta de prova, eles dizem o seguinte: não peçam provas, porque o Lula criou um partido, esse partido é uma organização criminosa, o Lula indicou os ministros para roubar, portanto Lula é o chefe. Eu não tenho provas, eles dizem. Nós não temos provas, mas temos convicção. Então o que deixa eles preocupados é que quando eles fazem pesquisa de opinião pública eu apareço em primeiro lugar para 2018. Então eu não sei como é que vai ficar. Por enquanto, paciência.
Oliver: o senhor tem grandes parceiros com quem pode contar, que lhe deem apoio?
Lula: Nós entramos com um processo nas Nações Unidas, em Genebra, temos um movimento sindical internacional fazendo campanhas de denúncias, e vamos trabalhar agora os processos juridicamente.
“Se quiserem me derrotar vão ter que ir pra rua disputar comigo.”
“Nós aprovamos uma lei em que o petróleo era do povo brasileiro. E isso deixou muita gente irritada.”
“A questão do Irã foi a única coisa que me deixou decepcionado com o Obama.”
“Hillary Clinton não gosta da América Latina.”
Foto e fonte: Agência PT de Notícias
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Nota bancada PTMG
O PTMG saúda sua bancada de deputados estaduais e sua militância pela posição e resistência em favor da manutenção de Fernando Pimentel no cargo de Governador de Minas Gerais.
Neste sentido, fecha a questão para que todos os deputados e deputadas votem contra o afastamento do Governador e solicita a militância que se mobilize na defesa dos mais de 5 milhões de votos obtidos na última eleição.
Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais
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Patrus Ananias: A escalada das tropas do atraso.



Retrocessos na demarcação de terras indígenas e quilombolas e a venda de terras nacionais a estrangeiros são encampados por tropa conservadora.

Menos de três meses atrás, as facções políticas e empresariais contrárias à reforma agrária, à agricultura familiar e a legítimas demandas dos povos indígenas e quilombolas conheceram o fracasso de mais uma de suas tentativas de criminalizar pessoas, entidades e movimentos sociais que lutam por aquelas causas. É oportuno lembrarmos: depois de sustentarem por oito meses uma CPI em que mandaram e desmandaram para favorecer seus interesses e objetivos, viram acabar-se o prazo para as investigações – que prorrogaram três vezes – sem que tenham sido capazes de produzir, sequer, um relatório. Por arbitrariedades e ilegalidades que seu comando praticou, foi a CPI mais contestada junto ao Supremo Tribunal Federal e a mais atingida por liminares.

Agora as facções do atraso voltam a insistir – e voltam representadas, outra vez, por uma tropa agressiva e ambiciosa. Querem retroceder com a demarcação das terras indígenas e com a demarcação de territórios quilombolas; querem impor um ponto final na conversa de reforma agrária e de tudo aquilo que esteja vinculado à função social da propriedade e das riquezas; querem inviabilizar a agricultura familiar.
Também na Câmara, as mesmas forças que ressuscitaram a CPI estão assanhadas para votar em plenário, muito brevemente, o projeto que autoriza a venda de terras, sem qualquer limite, para estrangeiros. É uma proposta acintosa e gravíssima, porque atenta contra a soberania nacional. Se for aprovada, resultará na desnacionalização completa das terras, das águas, das riquezas minerais de nossa pátria.
O que serve ao Brasil é que consideremos a terra como um bem público nacional e a preservemos para as gerações futuras, com as águas, com as riquezas minerais, com os ecossistemas que ela nos oferece. Mas o projeto que move os vendilhões brasileiros de terras dará aos compradores estrangeiros acesso direto às riquezas e às facilidades de explorá-las, muitas vezes em detrimento do interesse e da soberania nacional.
Essa ofensiva parlamentar das tropas ruralistas parece animada por uma escalada autoritária que mobiliza também tropas policiais, como evidenciou, entre outros acontecimentos recentes, o episódio tenebroso da tentativa de invasão à Escola Florestan Fernandes, do MST, há dez dias.
Está muito claro que a grandeza desses desafios torna imprescindível que estejamos unidos e mobilizados para lutas duríssimas, que exigem de nós a busca de ações eficazes. Penso que, dentro do Congresso, temos que disputar conteúdos e tentar mediações políticas; e me parece fundamental que ampliemos nossa interlocução com a sociedade – com os movimentos sociais, as universidades e outras escolas, a juventude, as igrejas, a CNBB, as pastorais.
Nossos adversários não devem ser subestimados: a direita brasileira apoiada por grandes grupos econômicos internacionais e, certamente, também por potências internacionais às quais interessa o desmonte do estado nacional brasileiro e a quebra de nossa soberania.
Para vencê-los, temos que acreditar e apostar na brava gente brasileira. Estou convencido de que é por aí que vamos encontrar o caminho.
O momento é difícil, mas nós vamos ganhar.
Patrus Ananias é deputado federal (PT-MG)

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