CEZAR CANDUCHO

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Eleição indireta em 2017 seria golpe dentro do golpe.


É irônico que os que agora citam a Constituição ao defenderem que seja feita eleição indireta em 2017 caso Temer seja derrubado sejam os mesmos que sempre relativizaram a mesma Constituição no processo de cassação do mandato de Dilma Rousseff.
Para cassar Dilma, havia que “flexibilizar a Constituição” na sua exigência de crime de responsabilidade para cassar mandatos de presidentes porque a então presidente estaria sofrendo um “julgamento político”.
Na verdade, o que havia, ali, era um desejo inegavelmente majoritário da população de tirar Dilma do cargo. Esse sentimento foi construído pela mídia e pela aliança entre PSDB e PMDB, que induziram o povo a acreditar que derrubando o governo a economia entraria nos eixos.
Era óbvio que isso não ocorreria porque a crise econômica era e é apenas desdobramento da crise política desencadeada pela mídia, pela Lava Jato e por movimentos de classe média alta, os quais conseguiram mobilizar bairros ricos das capitais para organizarem manifestações e pedirem a queda de um grupo político que achavam que tirava do rico para dar ao pobre.
Era previsível que isso não poderia dar certo. Mesmo que Dilma fosse culpada de tudo de que a acusam, violar a Constituição só porque a maioria queria não iria funcionar; o lado do espectro político que fosse golpeado não deixaria a crise política amainar, e, permanecendo a essa crise, a crise econômica continuaria.
Isso sem falar de que o impeachment tirou a parte do governo federal que não estava envolvida em corrupção para colocar no comando desse governo a parte que estava, a parte peemedebista.
Ou seja: o impeachment tirou a parte boa do governo Dilma (a própria) e deixou a parte ruim, ou seja, Michel Temer e o PMDB.
Os golpistas, porém, tiveram um repentino surto de amor pela Constituição. O jornal O Globo, por exemplo, recentemente publicou editorial pregando que se cumpra a Constituição caso o largo envolvimento de Michel Temer com corrupção e sua aprovação ao rés do chão resultem em sua queda.
Se isso ocorrer em 2017 ou em 2018, a Constituição prega que o presidente da República seja indicado por eleição indireta no Congresso Nacional. Porém, a mesma Constituição exigia crime de responsabilidade de Dilma e o argumento para cassá-la sem que tal crime existisse era o de que estaria ocorrendo um “julgamento político” pela vontade do povo.
E dane-se a Constituição.
Confira o editorial de o Globo
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Contudo, a situação do país não comporta mais o entendimento literal da Constituição. E quem desencadeou esse processo foi quem derrubou Dilma. Uma enorme parcela deste povo não vai aceitar os ditames da Constituição porque já conseguiu violá-la uma vez em prol da “vontade popular”.
Os golpistas fizeram a cama, agora que deitem nela.
Pesquisa Paraná realizada entre 6 e 8 de dezembro com mais de 2 mil eleitores em todo o Brasil mostra que, mais uma vez, o povo não quer saber de Constituição.
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O número dos que querem eleição direta se Temer sair, é avassalador.
E mesmo no instituto de pesquisa que deu resultado menos expressivo o apoio a diretas é enorme. No Datafolha, 63% declararam que querem eleição direta para quem suceder Temer.
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Porém, a pergunta do instituto Paraná e a do Datafolha são diferentes. O primeiro instituto confronta o entrevistado com a possibilidade de eleição indireta e, o segundo, pergunta se o entrevistado quer que Temer renuncie e convoque eleição direta até o fim deste ano, que já terminou.
Ora, seria impraticável fazer uma eleição como essa. Seria uma decisão intempestiva de Temer em um prazo muito curto. Ninguém acredita nisso. A pergunta do Datafolha é cretina, para dizer o mínimo. Daí a adesão mais baixa – ainda que majoritária – à tese da eleição direta.
Mas o xis da questão é que o atual Congresso está desmoralizado. O envolvimento de incontáveis parlamentares com delações da Lava Jato e outros escândalos fizeram esse Congresso ter a pior avaliação desde o escândalo dos anões do orçamento, em 1993.
Confira pesquisa Datafolha sobre a péssima avaliação da Câmara e do Senado.
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Está clara a razão desse súbito amor dos golpistas pela Constituição que pisotearam ao cassarem Dilma sem que ela tivesse cometido crime de responsabilidade; eles estão com medo de Lula, que dez entre dez fascistas diziam que estava “acabado”. Se a eleição fosse hoje, a possibilidade de ele se eleger é muito grande.
E uma possibilidade crescente. Sim, é isso mesmo: CRES-CEN-TE
No último post, o Blog mostrou que desde março deste ano Lula vem crescente nas intenções de voto enquanto sua rejeição cai mês a mês. Ou seja: os ataques da Lava Jato, da mídia e das manifestações fascistas contra ele têm tido efeito oposto ao pretendido.
Vários colunistas de direita chegam ao ponto de dizer que a única forma de impedir Lula de se eleger será prendendo o ex-presidente. Não por qualquer crime que possa ter cometido, mas por motivos políticos.
Reinaldo Azevedo, da Veja e da Folha de São Paulo, por exemplo, escreveu com todas as letras que só “Resta à direita burra torcer para que Lula esteja preso em 2018”.
Alguém precisa de confissão mais eloquente do que essa da direita nazifascista que temos no Brasil?
Mas a questão de fundo destas reflexões é a da possibilidade de haver eleição indireta para presidente no ano que vem. Todos sabem que a Globo e o resto da mídia tucana querem colocar FHC no poder sem ele precisar dessa “coisa de pobre” que é o voto na urna.


Eleição indireta no ano que vem seria um golpe dentro do golpe. Seria um jogo de cartas marcadas que o povo não aceitaria. Todos sofreríamos com o país mergulhando ainda mais em instabilidade política.
Em abril último, o Fundo Monetário Internacional já dizia que a crise econômica brasileira só existe por conta de uma crise política que todos sabemos que começou em 2013
É por essas e por outras que eleição indireta, a esta altura do campeonato, seria golpe. Ou melhor, seria um golpe dentro do golpe. Entendam os golpistas de plantão enquanto podem: o povo não vai deixar. Anotem aí.
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