CEZAR CANDUCHO

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Financial Times responde com Dilma à escolha ridícula da IstoÉ.

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O prêmio “Brasileiros do Ano de 2016” foi concedido pela revista IstoÉ – também conhecida como QuantoÉ – a onze personalidade nas categorias “Brasileiro do Ano”, “Justiça”, “Televisão”, “Esporte”, “Teatro”, “Gestão”, “Política”, “Moda”, “Comunicação”, “Música” e “Cultura”.
O presidente Michel Temer recebeu a principal premiação da noite, a de “Brasileiro do Ano”, e o juiz tucano Sergio Moro foi premiado na categoria “Justiça”.
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Venceram também a atriz Grazi Massafera (Televisão), o canoísta Isaquias Queiroz (Esporte), o ator Antonio Fagundes (Teatro), o prefeito do Rio Eduardo Paes (Gestão), João Doria (Revelação na Política), a modelo Laís Ribeiro (Moda), o jornalista Ricardo Boechat (Comunicação), a cantora Ludmilla (Música) e o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa (Cultura).
A publicidade para Temer na IstoÉ cheira muito mal. Este blogueiro fala com autoridade sobre essa revista porque já foi vítima dela. Em 2014, a revista publicou extensa matéria caluniosa afirmando que o Blog da Cidadania e a revista Fórum estávamos sendo pagos para caluniar Aécio Neves, e que as informações teriam vindo “do Ministério Público”.
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A matéria ainda afirmava que teria buscado me ouvir, mas era mentira. Nunca fui procurado pela IstoÉ. Foi uma matéria comprada, obviamente. Nunca fui chamado pelo MP nem por autoridade alguma. Na verdade, a prefeitura de Guarulhos até hoje não pagou banners que colocou nesta página.
Essa escolha de Temer como “brasileiro do ano” é muito ridícula, convenhamos. O que ele fez para merecer tal regalia além de compactuar com um golpe e escolher um ministério tão ruim que teve pelo menos 1/3 dos ministros substituídos semanas ou poucos meses após a nomeação?
Isso sem falar no desastre econômico que está sendo o governo Temer, sob o qual, mesmo com o Congresso tendo substituído o boicote que aplicava contra Dilma, a economia piora a cada semana.
Além disso, a premiação da IstoÉ ainda contou com cenas lamentáveis como a protagonizada por Sergio Moro e Aécio Neves, que chocaram a comunidade jurídica devido ao fato de que o tucano poderá muito bem vir a ser julgado por Moro, se o STF atuar com ele da mesma forma que atuou com Eduardo Cunha, Delcídio Amaral ou Lula, os quais aquela Corte decidiu não julgar, mandando os casos deles para o juiz da 13ª Vara Federal, em Curitiba.
A cena repercutiu de forma tão escandalosa que a defesa de Lula anexou a foto no processo em que o ex-presidente é réu, como demonstração da falta de isenção de Moro.
Em situação de normalidade institucional, o Conselho Nacional de Justiça deveria agir contra Moro, já que juiz que adota comportamentos político-partidários infringe normas não-escritas, porém seminais da magistratura.
Ironicamente, porém, após o mico da IstoÉ, nesta quinta-feira o país foi brindado com uma excelente notícia. O jornal inglês Financial Times, um dos veículos mais conservadores do mundo, surpreendeu ao eleger Dilma “mulher do ano”.
A reportagem do FT que deu conta da premiação foi intitulada “Mulher com autoridade é chamada de dura enquanto homem é chamado de forte”.
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Dilma foi listada junto com a primeira-ministra britânica Theresa May; a ginasta olímpica americana Simone Biles; a designer de moda italiana Maria Grazia Chiuri, a cantora americana Beyoncé; a presidente sul-coreana Park Geun-hye e a americana Hillary Clinton, candidata derrotada na disputa pela presidência dos EUA, entre outras.
A matéria ainda deixa claro que Dilma foi afastada por uma manobra, já que as causas alegadas para seu impeachment não passaram de desculpa para um julgamento político não previsto na Constituição brasileira.
Antes do impeachment de Dilma, o correspondente do “Financial Times” no Brasil, Joe Leahy, previu que o processo poderia jogar o Brasil “no caos”. Sábias e proféticas palavras.
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Correspondente do “Financial Times” no Brasil, Joe Leahy
O Financial Times mostra como uma publicação pode ser conservadora, mas séria. Sua ideologia não impede que seja capaz de enxergar os fatos.
Mas o melhor mesmo é que a iniciativa do FT mostra que, pelo menos fora do Brasil, o golpe já foi reconhecido. Para que seja reconhecido aqui dentro, pois, é uma questão de tempo. Não tenha dúvida, leitor, de que os brasileiros vão acordar.
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