CEZAR CANDUCHO

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

América Latina aspira a retomar o crescimento.

 



Contudo, não são poucas as nuvens cinzentas no horizonte, observa Sergio Alejandro Gómez no diário cubano Granma. E, isto, "quer pela incerteza quanto ao desempenho das principais potências mundiais, quer pelo reaparecimento das medidas protecionistas que causaram desastres econômicos no passado".

As últimas previsões da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) indicam que, neste ano, a região terá um modesto crescimento global de 1,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A América Latina e o Caribe fecharam 2016 com um recuo médio de -1,1 por cento, de acordo com o relatório anual daquele organismo das Nações Unidas. A América do Sul foi a sub-região mais afetada, com uma queda de -2,4 por cento, enquanto o Caribe recuou -1,7 por cento e a América Central teve um crescimento de 3,6 por cento do PIB.

"Estamos num ponto de inflexão. A América Latina e o Caribe voltarão a crescer mas de uma forma moderada e sem motores claros que impulsionem a economia. A recuperação será frágil enquanto se mantiverem as incertezas do contexto econômico", disse em Santiago do Chile a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, na apresentação do documento.

Gigantes em crise
A entrada de Donald Trump na Casa Branca, a 20 de janeiro, é outro foco de incerteza para muitos países da região que são altamente dependentes das trocas comerciais com os Estados Unidos.

O presidente eleito norte-americano prometeu durante a campanha que iria endurecer a política contra os imigrantes (muitos deles de origem latino-americana), renegociar os acordos comerciais assinados por Washington e fazer regressar as empresas que se deslocalizaram para o exterior.

O México, que cresceu dois por cento em 2016 e cuja economia deverá desacelerar ligeiramente neste ano, poderá ser o principal prejudicado com as políticas protecionistas da nova liderança estadunidense.

Outros dois gigantes, Brasil e Argentina, atravessam crises políticas e ajustamentos econômicos com políticas neoliberais que põem em risco avanços sociais recentes.

México, Brasil e Argentina representam mais de três quartos do PIB latino-americano e daí a sua importância para o desempenho dos seus vizinhos.

O Brasil, após o golpe constitucional de direita que afastou do poder a presidente eleita Dilma Roussef, pôs em prática um severo plano de "austeridade" (cortes na saúde, educação e outras áreas sociais) e terminou 2016 com uma recessão de 3,5 por cento. O governo de Michel Temer, líder dos golpistas, espera neste ano um crescimento de um por cento, mas, para muitos analistas e organismos internacionais, a estimativa é demasiado otimista.

A Argentina não vive melhores dias. As medidas neoliberais do presidente Mauricio Macri aumentaram o custo de vida e destruíram o poder de compra dos trabalhadores, sem que se tenham registrado os supostos benefícios quanto a investimento estrangeiro. O PIB argentino recuou dois por cento no ano passado, depois de ter crescido 2,5 por cento em 2015.


Esperança e ameaças
A maioria dos analistas referidos no artigo do Granma concorda que o preço das principais matérias-primas voltará a subir em 2016, incluindo o do petróleo, do qual dependem muitas economias da região. E isto são boas notícias.

Os recentes acordos no quadro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outras dinâmicas internacionais apontam para a estabilização do preço do barril de crude acima dos 50 dólares, ainda assim muito longe dos picos máximos de mais de 100 dólares.

Na Venezuela, a queda do preço do petróleo, somada às manobras desestabilizadoras da oposição interna e à ingerência externa, provocou problemas, com impactos sobre a população. Apesar das dificuldades, o governo de Nicolás Maduro preservou os principais indicadores sociais e a nação bolivariana aspira a dar um novo salto econômico em frente.

A baixa dos preços do crude também afetou o Equador, ainda por cima atingido por um forte terramoto com três mil réplicas, mas o presidente Rafael Correa mostra-se otimista quanto ao futuro. As previsões do Banco Central equatoriano indicam para 2017 um crescimento econômico de 1,4 por cento.

A Bolívia, outro produtor de petróleo, será beneficiada com a subida dos preços das matérias-primas, embora a sua economia se tenha diversificado com o governo do presidente Evo Morales. Apresenta um crescimento médio de 4,5 por cento do PIB nos últimos anos, dos melhores da região.

Em suma, 2017 mostra-se um ano de esperança para os latino-americanos e caribenhos, ainda que continuem presentes as ameaças tanto de convulsões internacionais como de forças internas que procuram reverter as mudanças da última década.
 

Fonte: Jornal Avante

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