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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Desemprego e falências. Feliz 2017?



Por Altamiro Borges

Em sua primeira coluna do ano, o veterano jornalista Janio de Freitas, uma das poucas vozes críticas da mídia monopolista, ironizou já no título: “Desejar ‘feliz 2017’ é uma extravagância cômica”. Como aponta, as perspectivas de futuro – não só no Brasil – são bem sombrias. “Michel Temer e Donald Trump são sócios em uma excentricidade que nos onera com alcance, pode-se dizer, unânime. A voz geral é o pessimismo sobre o 2017 com Temer e seu grupo de aturdidos e corruptos. A essa desesperança convicta Trump anexa uma inquietação medrosa do quanto pode piorar as desgraças do mundo, entre as quais a nossa”. 

E, corrosivo e certeiro, Janio de Freitas complementa: “E então, com fogos e beijos, bebidas e delícias, de 31 de dezembro para 1º de janeiro festejamos – como 200 milhões de tresloucados – tanto o fim de um ano desprezível quanto a chegada de um ano que prevemos igual ou ainda pior. Nesse encontro do passado perdido com o não futuro, desejar ‘feliz 2017’ é uma extravagância cômica. Ou sádica. Haveria alternativas adequadas. ‘Salve-se’. ‘Cuidado com 2017’. E a minha preferida: ‘Sorte’. Neste país, só duas coisas levam adiante: ou ter sorte ou não ter caráter. No primeiro caso, o mérito é um coadjuvante, mas não indispensável. No segundo, isso não interessa”.

Menos empregos e mais precários

De fato, as perspectivas não são nada boas para o ano que se inicia. Só mesmo os bajuladores da gangue que assaltou o poder ainda tentam difundir ilusões sobre o futuro próximo. Na véspera do Réveillon, o IBGE divulgou que o desemprego alcançou 11,9% no trimestre encerrado em novembro. A taxa é a mais alta já registrada da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Também foi recorde da série o volume de pessoas desocupadas, que atingiu 12,1 milhões. A pesquisa mostrou que houve aumento na fila de emprego, redução de vagas, aumento da informalidade e também do desalento, que é quando a pessoa em idade produtiva desiste de procurar emprego por falta de oportunidade.

Nem mesmo o final do ano – com a grana do 13º salário, as compras de Natal e suas festanças – serviu para aquecer o mercado de trabalho e reanimar a economia. As contratações do período – a maioria de empregos precarizados – ficaram bem abaixo das expectativas. Ainda de acordo com o IBGE, a economia segue a tendência de piora na qualidade do emprego, com a queda nos postos formais de trabalho. Houve redução de 102 mil no número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada. O país encerrou novembro com 34,075 milhões de empregados com carteira, queda de 0,3%. No intervalo de um ano, a redução foi ainda maior, de 1,323 milhão de pessoas ou 3,7%. 

Quebradeira das empresas

Pelos indicadores da economia, a situação deve se agravar muito mais em 2017. Levantamento da Serasa Experian, apresentado na semana passada, aponta que cerca de 700 mil empresas brasileiras passaram a ser inadimplentes em 2016. Até novembro, 4,7 milhões dos CNPJs operacionais estavam com dívida – 55% do total de 8,5 milhões. “São os maiores números absoluto e relativo de inadimplentes já registrados pelo órgão, que começou a medição no ano passado. O total dessas dívidas chegou a R$ 111 bilhões, também um recorde. As empresas mais afetadas são as mais novas. Cerca de 40% das devedoras têm até cinco anos”, informa a jornalista Mônica Bergamo, da Folha.

Ou seja: com o agravamento da crise econômica, impulsionado pela política recessiva do Judas Michel Temer, o número de falências deve crescer já no primeiro semestre do novo ano. Consequência inevitável: mais demissões, mais filas por vagas, mais trabalho precário! Como afirma Janio de Freitas, desejar feliz 2017 “é uma extravagância cômica. Ou sádica. Haveria alternativas adequadas. ‘Salve-se’. ‘Cuidado com 2017’. E a minha preferida: ‘Sorte’”. Valia acrescentar: trabalhadores, unam-se e lutem!

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