CEZAR CANDUCHO

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Assassinato político – Pedalinhos de R$ 5 mil valem mais que helicóptero com 77 milhões de dólares em cocaína.



Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho
Vejamos os fatos. O pedalinhos criminosos de Marisa Letícia custaram, juntos, R$ 5 mil reais. Duas crianças, seus netos, costumavam pilotar essas máquinas mortiferas que, até hoje, estão no centro das acusações da Mídia e do MPF a Lula. Já o helicóptero com quase meia tonelada de pasta base, que após refino chegaria a 77 milhões de dólares em cocaína, pilotado pelo assessor do filho de um senador, nem sequer é mais lembrado.  Aqueles dois moleques e suas máquinas do mal são, como se conclui da atenção da mídia e do MPF, mais perigosos à ordem pública que o piloto do helicóptero capturado.
Façamos as contas. O helicóptero foi apreendido no ES. Como o estado consome basicamente o pó preto da Vale e não o pó branco que o helicóptero levava, ele só podia ser ponto de passagem. A hipótese óbvia é que se pretendia usar os portos do ES para escoar a droga. Nos EUA a grama da cocaína pode chegar a 35 dólares. Como cada kg de pasta base rende até 5 kg de cocaína refinada, temos que 445 kg da pasta produzem  2.225 kg da droga. A 35 dólares a grama cada kg sai por 35 mil dólares. Os valores são os seguintes:
10 kg – 350 mil
100 kg – 3.500.000
1.000 kg – 35.000.000
2,225 kg – 77.875.000
Conclusão: o helicóptero do bem levava mais de 77 milhões de dólares em cocaína. A responsabilidade foi atribuída totalmente ao piloto, até onde sabemos. Curiosamente, além dessa atividade, o piloto também era funcionário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais,  nomeado por Gustavo Perella, dono do helicóptero, e filho do senador Zezé Perella. Diz uma matéria do UOL:
“O deputado é acusado pelo MP de nomear o piloto Rogério Almeida Antunes, preso na operação da PF (Polícia Federal), em novembro do ano passado, que o flagrou transportado com mais três pessoas 445 quilos de base de cocaína, no Espírito Santo, para o cargo de assistente da mesa diretora da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.
De acordo com o MP, o piloto era “funcionário fantasma” na Assembléia e, assim, teria recebido ilegalmente R$ 13.114,87 de salários (incluindo benefícios), entre março e dezembro de 2013.
O piloto declarou ao MP em depoimento que ‘nunca tinha comparecido para trabalhar na Assembleia’. Antunes ainda explicou que foi exonerado, após a prisão, acusado de tráfico internacional de drogas.”  Em nota Gustavo Perella explicou tudo muito bem explicado:
“O referido funcionário não era lotado no gabinete do deputado. Trabalhava na Mesa da Assembléia  (sic) Legislativa, onde deveria prestar seus serviços. Quanto à atividade paralela de piloto, ela é compatível com a função pública, tendo em vista que sua carga horária semanal na Assembléia era de 20 horas, de segundas às sextas-feiras, e comumente prestava serviço de piloto particular nos fins de semana ou mesmo em dias úteis em horários compatíveis com a atividade pública”.
A “atividade paralela” do piloto, que a nota diz ser “compatível com a atividade pública”, não a oficial mas a real, era o tráfico internacional de drogas.  E de fato era muito compatível, se, como ele mesmo diz, sequer compareceu jamais para trabalhar. Não é curioso que assim como nunca percebeu a ausência do funcionário o proprietário do helicóptero também nunca tenha percebido o uso da aeronave para outras atividades “compatíveis com a atividade pública”?
Em junho de 2016, uma matéria do Estadão trouxe o seguinte título:  Gustavo Perrella, do helicóptero com cocaína, é nomeado para o Ministério do Esporte.
Tiremos as conclusões. Uma tal manchete como essa,  que designa o filho de um senador como o “Gustavo Perrella, do helicóptero com cocaína”,  faz pensar numa passagem do Junky de William Burroughs:
No México os delinquentes conhecidos podem ser enviados à prisão das Três Marias sem julgamento. Não existem os ladrões de classe média de terno e gravata e boa aparência, como nos Estados Unidos. Há grandes negócios com o amparo de políticos, de um lado, e pé rapados que passam metade da vida na cadeia, de outro. Os grandes negócios podem ser comandados por figuras do alto escalão da segurança e altos funcionários.
Mas onde as coisas se passam assim, está claro, há duas políticas, duas justiças, duas mídias, e uma coisa não tem nada que ver com a outra: uma coisa são dois pedalinhos do mal de R$ 5mil, outra é um helicóptero do bem com $ 77 milhões de dólares de cocaína.
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