CEZAR CANDUCHO

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Fascistas invadem palestra e provocam tumulto em Minas Gerais.

Presidente nacional da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo ministrava palestra na UFMG quando foi surpreendido por grupo fascista que tumultuou o evento


O evento, realizado no Centro Cultural da UFMG, transcorria normalmente até que três pessoas raivosas, com linguagens de ódio, utilizando a roupagem “Jair Bolsonaro-presidente”, começaram a tumultuar o evento prestigiado por mais de 160 pessoas.


Para a deputada federal (PCdoB-MG) Jô Moraes, que participava do evento, essa é uma demonstração de que infelizmente cresce no país o pensamento fascista. E para isso, disse ela, deve haver “consciência da defesa da democracia” e que não se deve aceitar essas provocações. “Não devemos entrar nesta onda que os fascistas querem”, aconselhou a deputada. 
Uma das agitadoras do grupo ultraconservador “Direita Minas”, a repórter esportiva Fernanda Salles, que aparece nas redes sociais como fã de Jair Bolsonaro, gravou um vídeo após o evento, com o grupo invasor, afirmando que foram agredidos na palestra “com chutes, pontapés” e que foram “ameaçados de morte” no evento que participavam porque “simplesmente”, segundo ela, descobriram que eles tinham opiniões divergentes. 

Porém, dezenas de pessoas que participaram da palestra disseram que a única intenção do grupo ultraconservador era tumultuar o debate e provocar. Segundo a própria deputada Jô Moraes, o único intuito deles era gerar confusão, provocar as pessoas que participavam da palestra.

Com o tumulto, a guarda municipal foi chamada e encaminhou o grupo para a delegacia. Entretanto, quando Fernanda gravava o vídeo, a polícia questiona que para registrar a ocorrência “é necessário testemunhas” ou alguma prova que evidencie o fato. Já na delegacia, a moça grava outro vídeo (postado em seu perfil no Facebook) em que acusa os policiais da delegacia de não registrar o B.O [Boletim de Ocorrência] por interferência política.

Debate e resistência

Para a deputada Jô Moraes, o Brasil vive um momento grave, de retrocesso, com perdas de direitos fundamentais dos trabalhadores e isso que deve ser debatido. “O momento é de resistir contra tudo de mal que este governo possa fazer contra os trabalhadores”, afirmou em vídeo gravado logo após a ação.

Em nota, a FMG, sessão Minas Gerais, classifica as ações “dos grupos de extrema direita em espaços de debates e lutas democráticas”, um sintoma do “grau da barbárie a que as classes dominantes brasileiras e seus braços ideológicos têm levado o país com sua avalanche reacionária”.

Segundo a entidade, tais atitudes foram geradas na “tática de desmoralização da Política, a partidarização do Poder Judiciário e a legitimação do crescimento do Estado de Exceção no interior do Estado de Direito”, difundida pela grande imprensa, e que serve como “carta de autorização para a ação fascista”.

Para a Fundação, a unidade e a organização da resistência é “tarefa urgente e irrevogável do campo democrático nesse tempo”. E denuncia que o golpe que teve início com a derrubada de uma presidenta legitimamente eleita “ainda está em curso” e “o Estado de Exceção ainda avança”. 

O objetivo, segundo a nota, é que para sustentar um governo golpista, o sistema rentista e o imperialismo “exigem a destruição de todas as sementes de um projeto nacional de desenvolvimento plantadas na última década” pelos governos progressistas.

Leia a íntegra da nota:

NOTA DA FUNDAÇÃO MAURÍCIO GRABOIS-MINAS SOBRE A INVASÃO DE SUA ATIVIDADE POR PROVOCADORES FASCISTAS

A palestra organizada pela Fundação Maurício Grabois (FMG) em BH nesta segunda, 11, intitulada “O Brasil tem saída – caminhos para a superação da crise brasileira” proferida por Renato Rabelo, presidente nacional da FMG e ex-presidente do PCdoB, com a presença de mais de 160 pessoas, foi invadida e tumultuada por provocadores fascistas. 

No momento das intervenções dos presentes, um homem pediu a palavra, que foi concedida, e começou a fazer provocações ao auditório exibindo sua camiseta, até então oculta, com a imagem do apologista do autoritarismo e de torturadores Jair Bolsonaro. Imediatamente, outros homens e duas mulheres também infiltrados na palestra passaram a realizar as mesmas provocações e a gravar ilegalmente imagens dos presentes. Todos os invasores foram convidados a se retirarem pacificamente. Contudo, não atenderam ao pedido e continuaram com as provocações. Nesse momento iniciou-se um grande tumulto até que os invasores foram retirados. A atividade retomou seu curso em seguida.

O ressurgimento das ações dos grupos de extrema direita em espaços de debates e lutas democráticas é um sintoma do grau da barbárie a que as classes dominantes brasileiras e seus braços ideológicos têm levado o país com sua avalanche reacionária. A tática de desmoralização da Política, a partidarização do Poder Judiciário e a legitimação do crescimento do Estado de Exceção no interior do Estado de Direito feita pela mídia burguesa servem como carta de autorização para a ação fascista.


A tarefa urgente e irrevogável do campo democrático nesse tempo é organizar a Resistência. O golpe ainda está em curso, o Estado de Exceção ainda avança. Para sustentar o governo golpista, o capital financeiro e o Imperialismo exigem a destruição de todas as sementes de um projeto nacional de desenvolvimento plantadas na última década. Mas, a cada dia que se agrava a crise econômica, mais parcelas das classes populares são atingidas. Aos poucos esses setores se levantarão. Por isso, não há tempo a perder. Para barrar e fazer retroceder o fascismo e a ofensiva neoliberal será preciso que todos defensores da Democracia, das riquezas da nação e dos direitos do povo se unam.

Venceremos!

Belo Horizonte, 06 de fevereiro de 2017


Do Portal Vermelho, Eliz Brandão

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