CEZAR CANDUCHO

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domingo, 23 de agosto de 2015

Doleiro reafirma denúncias contra Eduardo Cunha.



Por Redação – de Brasília e Curitiba: 

Principal esteio das ações penais movidas com base nas investigações da Operação Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef reafirmou, neste sábado, em depoimento aos promotores do Ministério Público Federal (MPF), que membros da CPI da Petrobras na Câmara convocaram suas filhas para depor, na tentativa de inibi-lo a manter as acusações contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entre outros parlamentares. Em seu depoimento, o doleiro relata “pressão” por meio de sua família contra o depoimento prestado voluntariamente aos investigadores, há cerca de um mês. Youssef afirmou que a CPI aprovou a convocação de suas três filhas e de sua ex-mulher para depor, além da quebra de sigilos fiscal e bancário delas, cerca de um mês depois de ele ter afirmado ao Ministério Público que Cunha era o destinatário final de propinas pagas por contrato firmado entre a Samsung e a Petrobrás.

Youssef teria relatado aos investigadores que a intenção da CPI era inibi-lo a “revelar fatos incriminadores de determinados agentes políticos, em especial Eduardo Cunha”. O doleiro ainda acrescentou que a retaliação era “incômoda”, por ele estar preso e não poder ajudar sua família, e que “nenhuma pressão” o faria recuar das acusações contra o parlamentar. Eduardo Cunha foi denunciado na quinta-feira pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No pedido de condenação encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria afirma que Cunha recebeu pelo menos US$ 5 milhões em propina de um contrato firmado entre a Samsung Heavy Industries Co. e a Petrobras para aluguel de navios-sonda.
CPI suspeita.
Em denúncia do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPE-PE), a CPI da Petrobras passou à condição de suspeita na apuração dos crimes cometidos contra a estatal do petróleo brasileiro. Presidente da Comissão, na Câmara, o deputado Hugo Motta (PMDB-PB) teria pagado R$ 180 mil de sua verba parlamentar em aluguéis de veículos da KMC Locadora, empresa que é considerada de fachada pelo órgão. O MPE fundamenta sua denúncia pelo fato de a não existir fisicamente e ter apenas um carro registrado em seu nome.
Hugo Motta teria contratado a empresa entre fevereiro e dezembro de 2011 e, depois, entre julho de 2012 e março de 2013, com pagamentos mensais entre R$ 5 e R$ 10 mil de sua cota para atividade parlamentar, verba destinada pela Câmara para os deputados usarem em atividades de suporte ao exercício do mandato.
Os pagamentos do peemedebista à empresa chamaram atenção do Ministério Público de Pernambuco, que citou o fato em uma ação de improbidade administrativa ajuizada em junho contra a gestão do município de Santa Cruz do Capibaribe (PE) pela contratação da KMC sem licitação. A empresa subcontratou veículos de outros proprietários para prestar o serviço, já que não os possuía, de acordo com a ação, conforme reportagem do jornal O Tempo, de Minas Gerais. Segundo as investigações, a sede da KMC não existe, não há registro de funcionários da empresa e a frota se resume a um veículo Toyota Corolla, recusado em um contrato com a prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe (PE).
O Ministério Público afirma que a empresa é administrada pelos donos de uma outra locadora e manobrada só para obter contratos com a administração pública. Em depoimento, a proprietária da KMC, Rafaela Cavalcanti, disse nem saber quantos veículos a empresa possuía. Em seu segundo mandato consecutivo, Hugo Motta era pouco conhecido até ser designado para assumir a CPI da Petrobras. Ele seria aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também é investigado na Operação Lava Jato. A assessoria do deputado afirma que o caso já havia sido investigado pelo Ministério Público no Distrito Federal e arquivado, e que ele comprovou que os serviços foram prestados.
Armação da direita.

Aumentaram, nas últimas horas, as especulações sobre o vice-presidente Michel Temer, que estaria deixando a articulação política do governo Dilma Rousseff para se preservar como eventual pólo de poder em caso de impeachment. O nome de Temer foi citado, pela primeira vez, na Operação Lava Jato. A citação veio a público neste sábado, nos depoimentos do lobista Júlio Camargo, que representa os interesses do grupo Toyo Setal e foi um dos principais delatores do esquema.
“Havia comentários de que Fernando Soares era representante do PMDB, principalmente de Renan, Eduardo Cunha e Michel Temer. E que tinha contato com essas pessoas de irmandade”, disse ele, num depoimento que foi usado na acusação da procuradoria-geral da República contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Temer se defendeu, em nota divulgada durante esta tarde: “Michel Temer não conhece Fernando Soares, nunca teve ou tem com ele qualquer relação ou contato de ‘irmandade'; também não conhece Júlio Camargo”, diz a nota. “O vice-presidente incentiva apurações sérias, profundas e responsáveis sobre os fatos. Apenas se insurge contra informações falsas e inverídicas”, afirma o comunicado.
Líderes dos principais partidos de oposição, no entanto, aproveitaram o movimento para sair em defesa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Eles contariam com o apoio de Cunha para uma possível sequência ao golpe em curso contra a presidente Dilma Rousseff na Câmara. O objetivo do acordo seria aproveitar o momento ainda mais tenso na relação entre o Planalto e Cunha, denunciado pela Procuradora-Geral da República por suposto envolvimento na Lava Jato. Ele acusa o governo de fazer um acordo para atingi-lo, para avançar em um pedido de impeachment.

Desde que Cunha foi denunciado, na última quinta-feira, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), não se pronunciou. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), pediu cautela e lembrou que Cunha é inocente até que se prove o contrário. PSDB, DEM, PPS e SD devem se reunir na próxima terça-feira para unificar o discurso em torno da defesa do afastamento da presidente, de acordo com reportagem do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo.
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