CEZAR CANDUCHO

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sábado, 22 de agosto de 2015

O que a igreja evangélica de Cunha fará com os “dízimos” que ele depositou?

Ele na Assembleia de Deus: 125 mil reais de "doações", segundo a denúncia
Ele na Assembleia de Deus: 125 mil reais em “doações”, segundo a denúncia.


Enfim o o procurador Rodrigo Janot denunciou Eduardo Cunha no STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Há um detalhe curioso para um devoto apaixonado do Altíssimo, como Cunha. A Assembleia de Deus teria intermediado o recebimento de pelo menos 500 mil reais em propina em 2012, segundo a PGR.
“Fernando Soares, por orientação do Deputado Federal Eduardo Cunha, indicou a Júlio Camargo que deveria realizar o pagamento desses valores à Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Segundo Fernando Soares, pessoas dessa igreja iriam entrar em contato com o declarante”, afirma a denúncia.
A quantia foi repassada a uma filial em Campinas, interior de SP. O chefe, ali, é um pastor chamado Samuel Ferreira, que responde ao irmão, o presidente da Assembleia de Deus Madureira no Rio, Abner Ferreira.
Abner é próximo de Cunha. Foi lá, no bairro carioca, que Cunha comemorou a vitória como deputado, em fevereiro. Em sua campanha, recebeu o apoio maciço das maiores lideranças evangélicas, incluindo o picareta Silas Malafaia, que agora renega EC como Pedro a JC.
“O Satanás teve que recolher cada uma das ferramentas preparadas contra nós. Nosso irmão em Cristo é o terceiro homem mais importante da República”, disse um extático Abner Ferreira na Câmara.
Em maio de 2014, Abner participou de um certo Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora (não é nome de uma banda de heavy metal), em Santa Catarina.
Ali, Abner pôs-se a criticar, veja só, os candidatos que, em anos de pleito, tentam comprar líderes religiosos. “Em alguns lugares que nós vamos por ai políticos falam na nossa cara: aquele pastor, daquele lugar lá, eu compro ele no cobre”, disse no púlpito.
“É isso que muitas autoridades precisam entender: a igreja não está à venda. O nosso ministério não está à venda”, discursou. “Aqui não se vende milagre, nem prodígio e nem maravilha. Homem de Deus não aceita dinheiro sujo”.
Continuou sua peroração: “Essa época eleitoral é uma das piores épocas para a igreja. O que tem de gente se prostituindo espiritualmente por aí é uma coisa de louco. É uma vergonha!”
Pois é. Como se trata de um servo do Senhor, Abner certamente está, neste momento, refletindo sobre a grana entregue pelo amigo Eduardo Cunha. Jesus o iluminará no sentido de dar, no mínimo, uma explicação. Seu rebanho merece conhecer a verdade. Abner, provavelmente, não sabia de nada.
Não que haja algo necessariamente errado na transação. De jeito nenhum. Sempre se pode contar com a possibilidade de que se tratava apenas do dízimo generoso do querido irmão Eduardo ou da vontade do Espírito Santo.


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Silas Malafaia elogia Eduardo Cunha.



O pastor Silas Malafaia elogia o trabalho de Eduardo Cunha, presidente da câmara dos deputados.


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O DIA EM QUE JESUS ENCONTROU EDUARDO CUNHA.



Ele


Por 


E então Eduardo Cunha foi carregado pelo Espírito Santo para uma reunião com Jesus.
Cunha sentou-se e disse: “Se és o Filho de Deus, libera a minha, por favor”.
Jesus respondeu: “Relaxa, Eduardo. Posso te chamar de Eduardo, certo?”
Cunha: “Prefiro Vossa Excelência, mas para o Senhor abro uma exceção. E aí, tem jeito?”
Jesus disse: “Acho que não vai dar. Escuta. Você vai devolver o dinheiro lavado na Assembleia de Deus.”
Eduardo Cunha se empertigou: “Não há uma única prova contra mim. Nada vai mudar meu comportamento e a forma como estou atuando.”
Jesus redarguiu: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus. Estamos só nós dois aqui… Quero também que você pare de usar meu nome para registrar domínios na internet. Pega mal pra mim.”
“Não estou entendendo…”, devolveu Eduardo, fingindo surpresa.
“Você comprou os endereços ‘jesusfacebook.com.br, ‘facebookjesus.com.br’, ‘facejesusbook.com.br’, ’portaljesusfacebook.com.br’ e mais 150 variações. Pode fechar tudo”, mandou.
“Posso ficar com o ‘jesustube.net.br’…?”, quis saber Cunha.
“Não”.
Eduardo apontou para um mapa do Brasil: “Tudo isto te darei se me deres aquela forcinha”.
Jesus disse-lhe: “Deixa disso, fera. Está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor’. Ralei muito para você jogar meu trabalho no lixo. Toma jeito e vaza”.
“Renúncia não faz parte do meu vocabulário. Estou absolutamente tranquilo e sereno”, retorquiu o Cunha, a testa suada, acendendo um cigarro. “O Senhor quer fumar?”
“Opa”, falou Jesus, alcançando o maço de Marlboro Light.
“Vem cá: e se eu te der 10%…?”, sussurrou o Cunha.
“Assim não é possível. Retire-se já”, falou o Cristo.
Então o Cunha o deixou, e anjos vieram e o serviram.
Um deles perguntou se o chefe aceitava um café. “Sim, do jeito que eu gosto, três gotas de adoçante. Ah, e me chama aquele outro rapaz, o… como é mesmo?… Malafaia, faz favor”.

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