CEZAR CANDUCHO

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Walter Sorrentino: O país precisa de uma Frente Brasil Popular - O dirigente comunista Walter Sorrentino tem 61 anos de idade. Antes de iniciar a entrevista ao Portal Vermelho, em sua nova sala no segundo andar do prédio do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), no centro de São Paulo, Walter confirma ao jornalista sua formação como médico pediatra e comenta, traindo uma ligeira melancolia, “até que eu fui um bom médico, de todo modo gostava”.

 

Os verbos no passado soam como uma referência indireta aos 42 anos de militância no PCdoB, que absorveram muito da sua dedicação, furtando tempo à prática da medicina. Na 10ª Conferência Nacional do Partido, realizada no final de maio, os comunistas apontaram Luciana Santos como sucessora de Renato Rabelo na Presidência Nacional do Partido e elegeram também Walter Sorrentino como Vice-Presidente Nacional. Nesta rica entrevista, Walter analisa a crise política no Brasil, comenta sobre a onda conservadora, tece considerações sobre os limites e responsabilidades da esquerda no Brasil e no mundo e fala sobre suas novas funções e os desafios do PCdoB.

Portal Vermelho – Walter, você assume a vice-presidência do Partido em momento de grande turbulência política no Brasil. Embora alguns apontem que a tendência da crise é a de refluir, existe grande consenso de que ela é grave e perigosa. Qual a sua avaliação?

W - Minha avaliação é que a situação ainda é instável. Ela progride com mais equilíbrio desde as últimas duas ou três semanas, mas ainda é muito instável.

Portal Vermelho - E o que levou a esta situação mais equilibrada?

W - É que esta ampla ofensiva da oposição política, midiática e judicial teve dissenções, divisões neste campo. Era uma ampla frente contra nós e de repente eles têm dissenções porque não conseguem na verdade consenso político e econômico quanto à saída. E do nosso lado se ampliou o arco de forças em defesa da normalidade política, da estabilidade institucional e do próprio mandato de Dilma. Escrevi no Portal Vermelho sobre a proclamação de Fernando Henrique, o dono da voz, digamos assim, da oposição. A declaração de Fernando Henrique, se não é uma pregação legalmente antidemocrática, é legitimamente incendiária contra os interesses do país e da democracia. Ele fez uma impropriedade política histórica ao afirmar que a renúncia da presidenta Dilma seria um gesto de grandeza. Ora, renúncia no Brasil nunca foi gesto de grandeza. Mas, mais importante do que isso, é que ele reflete um impasse da oposição. Está claro a esta altura que o impeachment seria uma violência golpista, então ele pede a renúncia porque o impeachment sai da ordem do dia imediata. Impasse também porque a oposição vem se posicionando contra importantes interesses econômicos, no “quanto pior melhor”. Todas as votações das pautas bombas têm o apoio da oposição e eles tem se apoiado no próprio Eduardo Cunha. Além do mais é evidente que Dilma não vai renunciar e a oposição não tem um programa alternativo para abrir perspectiva, então isso conferiu um pouco mais de equilíbrio.

Portal Vermelho – O próprio empresariado não está unido em torno das saídas para os problemas econômicos...

W - Há um problema na economia, a crise econômica alimenta a crise política, mas não é o centro da nossa crise. A crise econômica representou uma confluência de três movimentos distintos. Uma crise fiscal, fruto das políticas contracíclicas que tivemos que fazer para enfrentar a crise mundial. Veja, no passado o Brasil saía aleijado das crises hiper-inflacionárias e assassinado pelas crises cambiais.



O Brasil superou esta etapa, apesar do controle da inflação ainda ser um desafio. A crise fiscal é diferente, ela se criou por causa da crise mundial, e esta crise mundial é o segundo movimento. Eu leio que o Brasil vai encontrar dois anos seguidos de recessão, a mesma coisa que aconteceu em 1930, 85 anos atrás. Nada mais claro: as duas maiores crises históricas do capitalismo realmente criaram dificuldades para o nosso país, o que é evidente, e não é inesperado. E o terceiro movimento, que conflui na própria crise, é a necessidade de mudança no modelo que vigeu nos três mandatos, dois de Lula e um de Dilma, que, explicando simplificadamente precisa transformar uma economia de demanda numa economia de oferta, quer dizer, um choque de produtividade, educação, competitividade da indústria, um choque de investimentos privados e públicos. Estes três movimentos se imbricaram e formaram uma tormenta que é muito difícil de ser enfrentada. Exige grandeza, e é essa a grandeza que Dilma precisa ter e não a da renúncia. A crise também exige a união dos que lutam pelos interesses do país. Neste contexto o ajuste da Dilma se tornou inevitável. Ela teve que desconstruir a política anticíclica anterior. Foi duro e, aliás, é um ajuste contraproducente porque já está aprofundando a recessão. O Partido é crítico de várias medidas do ajuste fiscal. Mas a Dilma apresenta já uma agenda econômica, e até geopolítica, de retomada de investimentos com importantes projetos, que ela foi lançando ao longo destes últimos meses. É isso: perspectiva de futuro. Vai levar algum tempo para digerir a crise, mas o Brasil é maior do que o buraco da crise. O que é preciso nesta hora é dar perspectiva, com uma agenda pós ajuste, para recompor a confiança na retomada do crescimento econômico e, claro, re-conformar a base de sustentação política da Dilma.

Portal Vermelho – Neste contexto, como você avalia a chamada “Agenda Brasil”, proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros?

W - Essa proposta, num contexto de crise política, ajuda a dar convergência às forças políticas e sociais interessadas na retomada do crescimento econômico. Claro, a agenda Brasil é também um palco de disputa política, para que não prevaleçam interesses conservadores, contrários às garantias que a Constituição deu ao povo, como saúde, educação, etc.

Portal Vermelho - Você diria então que estamos diante da busca de uma agenda mínima?

W - Eu acho que todo o nosso campo político, com Dilma à frente, está construindo esta agenda mínima. Hoje (a entrevista foi concedida na quinta-feira, dia 20) vai ter manifestação nas ruas. Dia cinco de setembro vai ter o lançamento da Frente Brasil Popular. É preciso que a gente se una em defesa da democracia, do mandato de Dilma, e em defesa de uma agenda mínima. O governo está fazendo sua parte, mas tão importante ou mais são as forças políticas e sociais de esquerda e progressistas se entenderem para disputar na sociedade essa agenda.

Portal Vermelho – Daí podemos afirmar que a agenda Brasil do Renan não joga lenha na fogueira do golpe.

W - Exatamente, ela está em aberto e em disputa. Joga para mais estabilidade política e institucional entre o Executivo e o Legislativo, no caso o Senado. Se soubermos agir, podemos jogar lenha na verdadeira usina do que o país precisa, que é unir forças amplas em defesa da democracia, em defesa das empresas nacionais, atingidas pela Lava Jato, em defesa da retomada do crescimento econômico. No plano político, esta agenda tem um vértice bem determinado, que é Dilma. Dilma e Temer, a chapa eleita por 54 milhões de votos. No plano social, a Frente Brasil Popular que precisamos vai também elaborar sua agenda em prol dos mesmos objetivos.

Portal Vermelho – Estamos enfrentando uma onda de valores conservadores que engloba inclusive parte da juventude. Temos, por um lado, esta onda conservadora e por outro, como parte do mesmo fenômeno, uma forte rejeição à política, que ficou bastante nítida nas jornadas de junho de 2013. Como você vê isso?

W - Eu creio que esta rejeição à política - que é um fenômeno mundial - é produzida. E é produzida por meio de vasto movimento de despolitização do povo. Isto é feito pela dominância dos verdadeiros poderes maiores desta sociedade, que são o poder financeiro, o poder midiático, o poder das grandes corporações, que capturam a política e isto é uma coisa muito preocupante, porque coincidiu com a quebra de referências de toda uma experiência política e social que vigeu a maior parte do século 20, que era uma experiência organizada, centrada na luta capital/trabalho. Existiam influentes sindicatos em torno dos quais se unia um poderoso movimento popular. Em grande medida este paradigma mudou, o socialismo sofreu uma derrota, e no lugar disto se instalou uma certa anomia social, que facilita esta despolitização.

Portal Vermelho - Pode-se dizer que, quanto a este aspecto da politização, a esquerda falhou nestes 12 anos da era Lula/Dilma? E se falhou onde está a falha, ou as falhas e qual o caminho para corrigi-las?

W - A esquerda falhou? Sim, nós temos sempre que nos atualizar perante o tempo, mas falando no contexto mais imediato do Brasil, já que a esquerda, com o PT e outras forças, está no governo, eu acho que falhou. Diria dois exemplos que para mim são muito importantes: o primeiro é que, surpreendentemente, uma força de esquerda ocupa o centro do governo e foi incapaz durante treze anos sequer de pautar o que eu chamo de uma agenda de Estado. Isto é uma profunda tradição da esquerda no mundo todo. O Estado que existe aí não está conforme as conquistas progressistas e avançadas, é um Estado conservador. Bom, você tem uma luta em torno disso, mas ela sequer foi pautada! As grandes reformas estruturais, que enfrentassem o caráter conservador do Estado brasileiro sequer foram pautadas.



Para dar um exemplo básico, o Brasil não tem nem regulamentado o direito de resposta, que é um direito constitucional. Mesmo nos oito anos de governo Fernando Henrique, em um período curto, eles pautaram toda uma agenda de Estado. No caso, isso representou o desmonte do Estado voltado para o desenvolvimento nacional, com as privatizações, com as agências reguladoras, com as novas leis, como a da responsabilidade fiscal e autonomia relativa do Banco Central para cumprir a tríade de ferro das metas de inflação, superávite primário e câmbio flutuante. Eles foram adequando o Estado ao modelo que perseguiam, e nós? Acho que isso revela, por parte de uma parcela destas forças da esquerda brasileira, ilusões quanto ao caráter do Estado. E o segundo exemplo, que é um pouco mais matizado: estar no governo não expressa necessariamente ter hegemonia, pois isso é um processo que implica não só hegemonia política, como social e cultural, na sociedade e não apenas no aparato de governo. Acho que nós não soubemos fazer todo o processo de educação política do povo brasileiro. É verdade que Lula, um grande líder, sempre procurava armar política e ideologicamente sua base social, mas era preciso mais do que isso, era preciso todo um processo de politização que tem relação com a agenda de estado. Como corrigir isso? Elevando o nível de politização do nosso povo. E esta é uma tarefa que não é do governo é uma disputa que se faz na sociedade, é para isso que existem os partidos de esquerda que não podem se acomodar, nem sequer porque são governo. Muito menos viver para ter mais poder na máquina do Estado, pois isso seria ter um projeto de poder, não um projeto político de nação.

Portal Vermelho - Diante da desilusão com a chamada política tradicional surgem, principalmente na Europa, opções como o Podemos, que afirma que não é de esquerda nem de direita, mas “dos de baixo”. Como o movimento comunista, a seu ver, deve se situar para influir mais decisivamente na atual conjuntura mundial?

W - Eu faço uma comparação, arbitrária, que não é precisa historicamente. O Brasil teve o seu Podemos, em outro contexto, que foi o PT. O PT era uma força original, mas se dava, naquele contexto, como uma experiência política e social que seguia predominante a via tradicional da esquerda. O Podemos surge da crise deste paradigma e surge devido à derrota do campo socialista, e de certo modo este é um processo inevitável, que a gente vai enfrentar. Eu acho que o movimento comunista, ou nós do PCdoB, fazemos muito bem quando defendemos integralmente a nossa identidade. Isso não só é prova de coerência, é uma necessidade política, exatamente para politizar o povo, porque no fundo, a política, com P maiúsculo, é a forma mais elevada da consciência social. A negação da política leva, em geral, ao fascismo, ao retrocesso, e você desconhecer as grandes forças estruturadas da sociedade, forças sociais, políticas e econômicas, com base nas quais se faz a representação política, é prestar um serviço ao adversário, aos poderes financeiros, que são onipotentes, estão em todo lugar e não estão em lugar nenhum. O PCdoB preserva sua coerência, defende a autonomia do movimento social que deve ser muito variado, e o partido defende a unidade das forças para um projeto político programático. Eu acho que ao fim e ao cabo, as forças estruturadas predominarão, assim como eu vi nas manifestações de junho de 2013, que foram muito importantes, deixam um saldo difuso, mas negando a política não mudam a sociedade. Para mudar a sociedade é preciso organização política e poder de estado. Negar a política vai nos deixar em uma situação em que o movimento é tudo e o objetivo é nada, o que no Brasil se traduz como a indignação é enorme mas o resultado é quase nada.

Portal Vermelho - Voltando ao Brasil, o centro da tática atual dos comunistas é a defesa do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, como caminho brasileiro para o socialismo. O NPND exige ampla aliança inclusive com setores da burguesia brasileira. Como articular isso e o caráter imanente do PCdoB como força revolucionária anticapitalista?

W - Para ser uma força revolucionária, consequente, anticapitalista, é preciso ter um programa de superação do capitalismo que seja viável, exequível. Este é o grande esforço que o PCdoB busca fazer vis a vis a história política real do país. Não um socialismo que fosse implantado das nuvens, mas um processo longo, prolongado, complexo. Nas condições do nosso Brasil, que é um país que ainda nem sequer completou a sua construção nacional, é preciso um caminho, que seja o caminho de um desenvolvimento com algumas características: soberano, democrático, de integração regional, com defesa do meio ambiente, que seja profundamente distribuidor de renda, que é a principal chaga da história do nosso país, não só renda para o povo e os trabalhadores como também para combater as desigualdades regionais. Então, nós temos um caminho. Um velho debate da esquerda que permanece atual é o seguinte: o mundo mudou. O mundo mudou por uma assimetria de poderes fantástica que, talvez, nem sequer Lênin pudesse dar conta quando dizia que uma das características do imperialismo é a de ser uma força tão poderosa que arrasta nações inteiras. Naquele momento talvez fosse inadmissível considerar que esta força pudesse ser tão poderosa quanto é hoje, expressa pela força do capital financeiro. Capital financeiro que fez com o Tsípras (Aléxis Tsípras, então primeiro-ministro grego), que no domingo ganhou um plebiscito com 61%, na terça-feira fosse rendido pelos poderes financeiros. Eu acho que resistir a esta situação, sem contar com a força de um Estado nacional, é muito difícil. De modo que o projeto nacional de desenvolvimento estaria destinado a trazer desenvolvimento ao país, o fortalecimento da soberania nacional, o fortalecimento do Estado nacional e a afirmação nacional, com este conteúdo democrático e popular, de tal forma que a gente possa, no concerto internacional, resistir e se afirmar enquanto nação, que seria o caminho para o rumo socialista. Mais precisamente, para abrir caminho à transição ao socialismo.



Ou seja, na luta de classes ferrenha que se trava hoje, a forma nacional desta luta toma vulto e tem papel muito central sem desconhecer também a luta de classe entre capital e trabalho, a luta de classe em todos os demais terrenos, e acho que o Partido Comunista do Brasil se dispõe, com esta compreensão, a ser uma verdadeira força nacional popular, capaz de disputar a hegemonia, estar presente em todos os acontecimentos, lutas e processos, infundindo em cada um deles os valores do seu programa. A burguesia brasileira é ambígua quando se trata de inteira defesa dos interesses nacionais, mas vários setores podem e precisam ser disputados para um projeto nacional de desenvolvimento. Quanto à esquerda, que é muito variada, nós não temos problema com isso, mas nós defendemos este rumo. Eu acho que hoje no Brasil, para dizer numa palavra, perante esta crise e os desafios da retomada do crescimento, e da afirmação do nosso projeto, eu acho que o Brasil precisa de mais frentismo, digamos assim. Uma força só, por mais poderosa que fosse, não daria conta disso. O Brasil é um país complexo, não é um país para amadores, como dizia Tom Jobim. É preciso uma ampla frente, uma estratégia frentista que conte com o PT, que conte com o PCdoB, que conte com essas forças sociais politizadas que existem na rica sociedade civil do nosso país, e conte com outras forças político partidárias, de esquerda, progressistas, que conte com a intelectualidade progressista. É isto que o Brasil precisa. Sempre achamos isso. A melhor formulação do PCdoB sempre foi essa: a de unir amplas forças. Hoje, numa dimensão imediata, amplas forças democráticas e progressistas que precisam se unir em defesa da democracia, das empresas nacionais e da retomada do desenvolvimento, mas também, no seio dela, de uma Frente Brasil Popular, desse bloco político social que citei. As contradições da esquerda, a gente busca fazer com que elas não sejam contradições insanáveis, ou contradições antagônicas. Sempre haverá este debate, mas vamos encontrar os pontos da unidade de ação, de todas estas forças de esquerda para levar nosso país adiante.

Portal Vermelho - Depois de 14 anos como Secretário de Organização, como você encara e o que representa este novo desafio de ser vice-presidente nacional do PCdoB?

W - Do ponto de vista político, com muito entusiasmo e responsabilidade, do ponto de vista pessoal com alívio, porque 14 anos na organização de fato é um trabalho muito pesado, mas também com o sentimento de dever cumprido. No discurso que fiz num Encontro partidário falo um pouco desse sentimento. Eu completei a transição apenas no domingo passado (16) com a decisão do Comitê Central (que elegeu como novo Secretário de Organização, Ricardo Abreu – o Alemão) porque até então eu estava acumulando as funções. Eu acho que o Partido completou a transição de sua direção, com a Luciana Santos na liderança de um novo núcleo, que é um núcleo reforçado e cujo destino vai ser decidido pela capacidade de enfrentamento desta crise política do país. O Partido tem tido um papel muito destacado, de sagacidade política, destacado na frente social, no movimento de massa. Eu acho que este novo núcleo herdou um legado muito rico e muito potente, e nós vamos ter que honrá-lo. Acho que a principal missão que eu tenha como parte desta direção é consolidar esse novo núcleo, sob a liderança da presidenta Luciana Santos. Acho que esta é a nossa primeira missão e, claro, o enfrentamento desta crise. Mas também terei missões definidas na condição de vice presidente.

Portal Vermelho – Quais as suas funções como vice-presidente nacional do PCdoB?

W - Eu sou o sétimo vice-presidente nacional eleito pelo PCdoB, e nenhum teve funções definidas nessa condição, a não ser substituir o presidente no caso de impedimento, mas no meu caso eu vou ter funções. Neste novo núcleo de direção as tarefas são muitas e eu pretendo retomar um papel político mais público, que eu já tive como presidente do Comitê Estadual do Partido em São Paulo durante onze anos, e algumas funções próprias porque eu vou coordenar a frente institucional que é uma frente já complexa, com inúmeros quadros de alto valor, envolvidos com inúmeras políticas públicas, sobretudo a responsabilidade no ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e a responsabilidade no governo do Maranhão. O Partido já vai mostrando que não é apenas um partido bom de luta, mas é também bom de governo e isso exige muita responsabilidade, vou cuidar desta frente. Além disso, eu sou membro do grupo de trabalho eleitoral do Comitê Central e vou fazer a secretaria executiva deste grupo, coordenando a construção do nosso projeto eleitoral nos 27 estados, que é uma tarefa ao qual eu já me dedicava. Pessoalmente, o que eu vou fazer também com muito gosto, é me dedicar mais à luta de ideais. Eu sempre dei muita aula, escrevia, sempre escrevo no blog, isso me atrai muito, me motiva, me estimula, mas eu não tinha tanto tempo. Estes novos desafios temperam e promovem superações, não só para mim como para todos os novos membros da direção. É o que eu sinto e me dedicarei a isto de corpo e alma.

Portal Vermelho – Já que você falou no Grupo de Trabalho eleitoral do PCdoB, consegue arriscar alguma avaliação do cenário político em que acontecerão as eleições municipais de 2016?

- Na minha opinião o cenário eleitoral de 2016 será marcado, coerentemente com o que eu já afirmei nesta entrevista, por uma grande despolitização e também pela grande ofensiva que fizeram contra a imagem do PT, que atinge toda a esquerda. São dois fenômenos que para mim terão influência. Embora eleições locais sejam sempre mais próximas do cotidiano do povo, e eu não desconsidero a capacidade do eleitor em traduzir seu interesse em voto. O PCdoB sempre luta para encontrar seu lugar político próprio, autônomo, independente, embora sempre compromissado com os problemas maiores da nossa nação e do nosso governo, o Governo Dilma. Nós precisamos encontrar em 2016 qual é o eixo de acumulação de forças que permitirá ao PCdoB dar prosseguimento à sua inserção eleitoral, nas condições atuais, que são condições mais desfavoráveis do que as eleições anteriores, no geral, mas, para o PCdoB, se inscrevem numa trajetória de acúmulo. Eu acho que o eixo principal de acumulação de forças do PCdoB será disputar cidades médias, e isto é muito importante. Cidades médias no Brasil vão se fazendo um polo muito dinâmico em todos os terrenos, e o Partido está presente em todas as cidades com mais de cem mil habitantes. Mas pela primeira vez nós temos condições de lançar candidatos a prefeito, e chapas próprias de vereadores em grande número delas, e em grande número delas de modo competitivo. O PCdoB nunca foi um partido de ter deputados pelo interior. Hoje já é uma realidade e você tem deputados ou fortes candidatos comunistas de várias cidades médias do Brasil. Isto é uma realidade nova. A gente já se acostumou, mas é rigorosamente nova. Eu acho que por aí a gente pode encontrar as condições de conquistar novas prefeituras, fazer boas gestões e preparar o terreno para retomar o nosso objetivo de eleger 20 ou mais federais em 2018 e alguns senadores. Eu estou obcecado por isso (risos). Nós sofremos um prejuízo na bancada federal nas últimas eleições. Vamos tirar lições disso mas vamos continuar perseguindo este objetivo. Minha maior preocupação tem sido e continua sendo alertar o partido nas capitais, para que renovem raízes de inserção social e trabalhem em função de aguçar a representação social que o partido tem, para constituir redutos eleitorais mais permanentes. Do ponto de vista eleitoral (mas também da luta política e social em geral), sinceramente, esse é o maior desafio que vejo de imediato, inclusive para 2016.


 Da Redação.

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