CEZAR CANDUCHO

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Cunha, você leva o PSDB de Aécio Neves e Carlos Sampaio a sério?



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

Há mais de um ano, o PSDB, partido de direita e de oposição sistemática aos governos trabalhistas de Lula e Dilma, alia-se ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), considerado o principal conspirador pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, juntamente com o senador Aécio Neves (PSDB/MG), tucano derrotado pelo PT à Presidência da República, e, irremediavelmente, inconformado com tão "inesperada" derrota.

A verdade é que Aécio Neves está até agora transtornado por não ter sido eleito presidente, ao ponto de ser o pior perdedor de uma eleição presidencial na história da República. Faz mais de um ano que o político mineiro e morador do Rio de Janeiro há décadas está a incomodar o processo político, a democracia e a estabilidade institucional do País.

Aécio, terminantemente, igual a um menino resmungão, cheio de manias e vontades, além de mau perdedor, não consegue encerrar o assunto de sua derrota e dar sequência à sua vida política, que, se ele estivesse mentalmente lúcido, neste momento estaria a fazer uma oposição pontual, assertiva e voltada para, no futuro, ser indicado novamente candidato a presidente pelo PSDB.

Entretanto, não é isto o que acontece. O neto de Tancredo Neves resolveu chutar o pau da barraca e agora trilha por veredas tortuosas e antidemocráticas, a fim de impedir o mandato de Dilma Rousseff, mesmo a ser a presidente uma política e autoridade que não incorreu em crimes comuns, bem como em crimes de responsabilidades.

Pelo contrário, seu Governo tem enfrentado enormes dificuldades para restabelecer a confiança de empreendedores e investidores, bem como enfrenta um consórcio poderoso de direita que aposta, diuturnamente, no quanto melhor, pior. Grupos conservadores e de perfis fascistas, que se aliaram para derrubar a mandatária petista, porque não aceitam a democratização da sociedade, que acontece pela transferência de renda, distribuição de riquezas, igualdade de oportunidades e combate às desigualdades regionais. São fatores que, concretizados, transformam-se em justiça social.     

Contudo, essas questões não importam ao consórcio direitista e defensor dos interesses da casa grande. Grupos reacionários que apostam, dia a dia, no retrocesso político e econômico, a tentar paralisar as ações governamentais, que se traduzem nos programas de inclusão social, de transferência de renda e nos projetos de obras de infraestrutura, que acontecem em todo o Brasil. Utilizam-se de investigações da PF, de denúncias do MP e de resoluções da Justiça para, juntamente com a imprensa empresarial, fazer oposição ao Governo Trabalhista da forma mais violenta possível, porque o propósito é derrubar a presidente constitucionalmente eleita pelo povo brasileiro.

Agora, o PSDB, por intermédio do deputado Carlos Sampaio (PSDB/SP), um dos principais conspiradores e golpistas deste País, resolve, por intermédio de uma nota mequetrefe e rastaquera, de conteúdo que chega às raias do deboche, da hipocrisia e do cinismo, divulgar que a tucanada, "de forma ainda mais veemente", reitera o pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que hoje não passa de um cadáver político, e somente quem ainda não sabe disso é o próprio Cunha.

Então, tá... Para o PSDB, o aliado acusado de corrupção, com provas retumbantes, somente agora não convenceu em suas explicações sobre ter contas secretas na Suíça sem, contudo, declará-las ao Fisco. Há meses o presidente da Câmara está a ser pressionado, não somente por parlamentares e partidos no Congresso, mas também pela sociedade civil. E os tucanos como sempre em cima do muro.

O PSDB e o deputado Carlos Sampaio, um radical de direita (certa vez ele criticou e ameaçou, ridiculamente, recorrer à Justiça por Dilma Rousseff usar roupa vermelha, porque lembra a cor do PT), diziam que Eduardo Cunha merecia o benefício da dúvida, a não importar para os tucanos a divulgação da assinatura e de documentos relativos às suas contas no exterior.

Inacreditável, surreal, ao tempo que perigoso quando homens públicos, titulares de mandatos concedidos pelo povo, podem chegar, deixam de se preocupar com o País, pois o que interesse é apenas o golpe contra a presidente Dilma, e colocar no lugar dela um tucano neoliberal, que não tem projeto de País e programas de Governo, porque simplesmente se recusa a pensar o Brasil, como sempre fizeram os representantes da casa grande no decorrer de 515 anos de existência do Brasil.

Sampaio veio com esta pérola do cinismo e do despropósito: "Ele não se explicou, não convenceu a bancada do PSDB nem o País, fez alegações soltas, sem o necessário respaldo e provas". Quem o ouve e o vê pensa que é sério... A verdade, nua e crua, é que Cunha foi descartado, literalmente jogado para o espaço, porque não serve mais como uma peça importante para derrubar uma presidente legalmente eleita.

Essa gente, sem eira nem beira, não se cansa de desvalorizar e ridicularizar o Brasil, na comunidade internacional, se possível por meio de um golpe à moda paraguaia, como se o País de 210 milhões de habitantes e a sétima maior economia do mundo fosse uma republiqueta das bananas. É o fim picada essa "elite" golpista, colonizada, provinciana e com baixa estima. Quem pertence ao terceiro mundo são os inquilinos da casa grande, que, medíocres e gananciosos, construíram um País para poucos, e não o povo brasileiro, que sempre quis e quer ser emancipado e independente. Ponto.

O blá, blá, blá cheio de penas continua. De acordo com a tucanada, a decisão de empalar seu antigo aliado de conspirações é por questões "éticas". Neste momento foi difícil segurar a risada, ou melhor, a gargalhada. Se tem uma coisa que o PSDB não está nem aí se traduz em "questão ética". Onde está a ética em não aceitar a derrota eleitoral e tentar, sistematicamente, há mais de um ano efetivar um golpe contra Dilma Rousseff? Cadê a questão ética, quando se percebe que a verdade é que o Cunha se transformou em um morto-vivo no poder, cuja companhia se tornou inviável, inclusive a causar constrangimentos.

Até, então, saliento, que o PSDB, nas pessoas de Aécio Neves, Carlos Sampaio e Cássio Cunha Lima, com a cooperação de golpistas de outros partidos, como o Paulinho da Força e Agripino Maia, sempre protegeram Eduardo Cunha. Quanto a isto não restam dúvidas. Entretanto, lembro e ressalto, que o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados vai votar o processo de cassação do político que tem contas ilegais e não declaradas na Suíça, afinal ele é acusado de corrupção. A pergunta que fica no ar é esta: "Os tucanos, apesar das declarações e da nota que asseveram o afastamento do PSDB de Eduardo Cunha, vão votar pela cassação de seu aliado para o golpe do impeachment?"


Não sei responder, porque de golpistas se poder esperar tudo, como bem explicita a última linha do último parágrafo da nota do PSDB, que considera "(...) uma causa nobre, como é o impeachment da presidente Dilma Rousseff". Agora vamos à pergunta que não quer se calar: "Nobre para quem, cara pálida?" Conspirar contra uma autoridade legalmente constituída e que jamais cometeu crimes de responsabilidades é uma ação nobre? Esta é a "ética" do PSDB do playboy inconformado e transtornado das Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Cunha, você leva o PSDB de Aécio Neves e Carlos Sampaio a sério? Durma-se com um barulho desses! É isso aí.

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