CEZAR CANDUCHO

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Aécio agora posa de estadista... Hahahahaha! — Lula e PF.



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Recebi primeiro a notícia com certo espanto e creio que meus olhos, que não pude ver no espelho, expressaram incredulidade ao tempo que foi impossível segurar o riso, que logo se transformou em uma incontrolável e sonora gargalhada, daquelas de doer o estômago, dificultar a respiração e fazer com que os olhos não parem de lacrimejar.

A notícia realmente me deixou surpreso: "Aécio agora posa de estadista". Hahahahaha! Eu não sei por que, às vezes, os meios de comunicação dos magnatas bilionários, que geralmente são tão sórdidos, levianos, golpistas e mentirosos nos brindam com uma notícia tão inconsequente e desprovida de realidade como esta. Contudo, fazer o quê, né? Pelo menos propicia momentos hilariantes, que levam uma pessoa a morrer de rir de tanto deboche e incongruência, quando se trata do senador tucano Aécio Neves.

Pois bem, vejamos. Vamos à compreensão dos fatos. Aécio vai deixar seu lado incendiário, rancoroso e raivoso, e, tal qual a um ator, vai baixar a bola, deixar assentar a poeira e sair do barco do golpe e do golpismo prestes a naufragar. Tudo bem. Compreende-se. A política requer estratégias e os políticos, como o Aécio, mudam mesmo conforme o vento, pois o oportunismo e a incoerência político-ideológica vicejam na alma de pessoas como o senador do PSDB.

Um político até então considerado de temperamento moderado, mas que, surpreendentemente, mostrou-se, a partir de outubro de 2014, quando perdeu as eleições presidenciais para Dilma Rousseff, tratar-se de um homem mesquinho, péssimo perdedor, que guarda o rancor no freezer e que tentou, de todas as maneiras, derrubar do poder sua adversária política, tratada por ele como inimiga e alvo de todo o desrespeito possível, ao ponto de ainda nos debates das eleições chamá-la de leviana, sem, no entanto, olhar-se no espelho.

O presidente do PSDB, Aécio Neves, serviu e se sujeitou a ser o âncora da imprensa dos magnatas bilionários, que, juntamente com o senador mineiro, insurgiram-se contra o Governo Trabalhista, de forma que sua agenda política e suas ações administrativas fossem paralisadas, engessadas, o que permitiu aumentar ainda mais a crise econômica e financeira brasileira, que recrudesceu com a crise internacional, com mais força a partir de 2014.

Mesmo assim a oposição — leia-se PSB, DEM, PPS, SD, Rede, dentre outros, partidos a reboque do PSDB de Aécio Neves — absolutamente abraçou o golpe contra Dilma Rousseff, a ter ainda o apoio importante de setores direitistas e golpistas do STF, da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do Ministério Público de São Paulo, notadamente o juiz Sérgio Moro, procuradores federais do Estado do Paraná e de Brasília, além dos delegados aecistas, também do Paraná, que, no decorrer das eleições para presidente, irresponsavelmente e levianamente, deixaram se levar por suas opiniões políticas e ideológicas.

Provocação e insubordinação, porque tais policiais federais contam com o espírito corporativo e com a impunidade. Contam, sobretudo, com o mau exemplo de seus chefes, ao ponto de os delegados aecistas, sem qualquer prudência e educação, resolveram insultar o ex-presidente Lula e a candidata do PT, Dilma Rousseff, por intermédio de seus facebooks e outras redes sociais, que logo depois foram deletados da internet.

Agiram rapidamente assim porque eles são coxinhas ousados e atrevidos, mas não são idiotas, afinal são servidores públicos com ótimos salários pagos pelo contribuinte, em plena atividade funcional, a fazer, indevidamente, política, bem como sabem, espertamente, que super-homens ficam muito bem a voar em histórias de quadrinhos e em filmes nos cinemas.

Exatamente, delegados que estão à frente de processos, investigações e inquéritos, como, por exemplo, a Lava Jato, não se eximiram de dar opiniões, de conteúdo político, partidário, ideológico, fascista, preconceituoso e desrespeitoso. Isto mesmo, delegados aecistas, que deveriam, sumariamente, serem afastados de suas funções e investigados pela Corregedoria da PF e depois punidos, exemplarmente, pois atacaram, de forma virulenta e insubordinada, a presidenta da República, além do ex-presidente Lula, o mandatário que mais investiu na PF. Vejam como são as coisas. E querem ser levados a sério.

Entretanto, a questão é a nova postura de "estadista" de Aécio Neves, o neto que, ao que parece, não seguiu os ensinamentos de seu avô, Tancredo Neves, que, como republicano que era, é muito maior que o senador e presidente do PSDB. Tancredo, além de ser garantista, o era também legalista, bem como corajoso, porque jamais abandonou seus pares e correligionários, a exemplo de Getúlio Vargas e João Goulart, mandatários do País a quem serviu como ministro, além de defendê-los contra golpes no Congresso e fora dele, assim como esteve presente nos enterros dos dois presidentes trabalhistas, a despeito das forças de segurança golpistas e fascistas, que apareceram, como forma proposital de fazer ameaças para marcar território.

Aécio Neves não aprendeu nada com Tancredo. Preferiu ser playboy com mandato, e, como playboy cheio de vontades, manias e caprichos, deseja agora ser "estadista". O motivo dessa prosopopeia é que, segundo a imprensa dos coronéis midiáticos, o tucano se baseia em pesquisa qualitativa que apontam que Aécio está a ser visto como um incendiário e despreocupado com os interesses do País e seu povo, bem como, realisticamente falando, ele apostou no impeachment de uma presidenta que não cometeu crimes de responsabilidade, além de defender no Senado as pautas-bombas, que tratavam de aumentar, e muito, os gastos do Governo Dilma em diversos setores do Estado e da sociedade, em um tempo de busca por equilíbrio fiscal.

Então, tá. Agora é assim: um político que defende grupos privados, luta pela privatização do que restou das estatais brasileiras, inclusive apoia a entrega do Pré-Sal, quer, de uma hora para outra, transformar-se em um estadista. Surreal! Estadistas nascem, são naturais e possuem uma enorme disposição de entrega, no que é relativo a enfrentar situações e circunstâncias perigosas à própria existência política e à sua vida, com disposição de até sacrificá-la. Aécio Neves é apenas mais um político de ideais comuns e cooptado pelo sistema de capitais, pelo establishment, que, grato a ele e a muitos outros dos mesmos círculos políticos, está a garantir seu status quo pelos "bons" serviços prestados há décadas à plutocracia — à casa grande.

Lula, definitivamente, não foi cooptado pelo establishment. Por isto a perseguição infame ao político trabalhista pelo consórcio PSDB-MP-PF-Justiça-Imprensa alienígena. O líder petista poderá ser forte candidato às disputas eleitorais de 2018. Lula está a ser linchado publicamente porque, diferente de Aécio Neves, trata-se de um estadista, nascido do ventre do povo brasileiro, que tem profunda noção de suas necessidades, bem como, nacionalista e socialista, possui um sentimento desenvolvimentista e estruturalista, que não ficou restrito apenas às palavras no ar e aos seus discursos.

Lula foi duramente testado pela casa grande e seus áulicos que trabalham na imprensa de mercado mais corrupta e golpista do mundo. O mandatário trabalhista governou de fato, colocou a mão na massa e transformou o Brasil, de tal forma, que o poderoso País da América do Sul e de língua portuguesa se transformou na sétima economia do mundo (chegou a ser a sexta), a liderar em termos mundiais diversos setores e ramos da economia, bem como ter incluído, o que é excepcional, dezenas de milhões de brasileiros no Orçamento da União.

Se falarmos do legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não haveria como publicá-lo em um ou inúmeros artigos, porque Lula tem a dimensão de estadista de Getúlio Vargas e, por sua vez, vai ter de ser estudado durante décadas pelos historiadores, como acontece até hoje com o estadista gaúcho pai do trabalhismo e do Brasil moderno.

A verdade, que isto fique registrado, é que Lula desmentiu, inapelavelmente, todos os economistas, financistas e administradores do establishment (Bird, FMI, BID, Clube de Paris e seus associados estrangeiros e brasileiros formados nas universidades dos países ricos), que não cansavam de mentir e cometer fraudes sobre os números e índices da economia. Lula desmentiu os "doutores" entreguistas e também os "aves de rapina", que sempre trabalharam em prol dos interesses de países estrangeiros capitaneados pelos Estados Unidos e meia dúzia de países da Europa, além do Japão.

E por quê? Porque o presidente pernambucano, pau de arara, operário de fábrica e fundador da CUT e do PT mostrou que sempre teve dinheiro para investir no povo e no Brasil. O que não havia era força de vontade para efetivar políticas públicas e privadas, de forma que o Orçamento da União atendesse às demandas e aos interesses brasileiros ao invés de bancar o desenvolvimento e o alto padrão de vida e o consumo exacerbado de alguns países europeus e dos Estados Unidos.

É exatamente esse processo que aconteceu no Brasil, que faz a burguesia, a casa grande de espírito escravocrata sentir ódio e torcer para que Lula morra, como no caso do câncer que o vitimou, ou seja preso, mesmo sem ter cometido crimes de responsabilidade ou ter violado qualquer lei. O ódio a Lula tem origem em seu sucesso e competência. Os economistas da plutocracia são mentirosos e criminosos, porque tiram do povo para transferir riquezas às oligarquias brasileiras e aos países de tradição imperial e colonial, que sempre exploraram o Brasil.

Aécio Neves jamais vai ser um estadista, como não foi e nunca será o ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, também conhecido como o "Príncipe da Privataria", aquele que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.

Por seu turno, o senador do PSDB sabe que bancar o bom moço não vai colar. Simplesmente ele não é um, bem como formatar uma agenda positiva para apresentar e debater não agrada seus parceiros golpistas, que possuem cadeiras no Congresso. Aécio, ao invés de querer ser um estadista (artificial), tem de se cuidar para não virar o bufão da corte. Consegui, até que enfim, parar de rir. É isso aí.   

Nenhum comentário: