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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Alckmin, Serra e a implosão do PSDB.



Por Altamiro Borges

Bem que a mídia oposicionista tentou difundir a imagem de um ninho de paz e harmonia, com todos os tucanos unidos e felizes em torno de objetivos comuns: "sangrar" Dilma, "matar" Lula, "extinguir" o PT e paralisar o Brasil. Mas a farsa não durou muito tempo. Foi só a bandeira do impeachment cair em desuso - com a desmoralização do fiel aliado Eduardo Cunha, a retração das marchas golpistas e a resposta enérgica dos movimentos sociais nas ruas contra o golpismo - para o PSDB confirmar a sua fama de um partido rachado, sem rumo e sem projeto. Uma matéria de Mônica Bergamo, na Folha de quinta-feira (4), evidencia a gravidade da crise tucana, que pode até resultar na implosão da sigla.
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FHC aconselha Alckmin a 'pegar leve' em disputa interna do PSDB em SP.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) tentou convencer recentemente o governador de SP, Geraldo Alckmin, a "pegar leve" na disputa interna do PSDB para definir o candidato do partido a prefeito da capital.
FHC afirmou a Alckmin que seria importante não radicalizar a disputa, para não rachar o partido. Argumentou que é importante a legenda estar unida para apoiar a candidatura de um paulista à Presidência da República em 2018 – Alckmin está no páreo.
Os apelos não surtiram nenhum efeito: dias depois, Alckmin entrou de vez na campanha de João Doria Jr., que disputa as prévias municipais no dia 28. A missão dele é derrotar Andrea Matarazzo, candidato de FHC e especialmente de José Serra.
Segundo interlocutores de Alckmin, ele está "enfurecido" com FHC e Serra, por entender que seria dele, governador, a primazia de escolher o candidato a prefeito. Entende que os outros tucanos querem isolá-lo. Publicamente, os três seguem se dando às mil maravilhas.
Informações e análises que chegaram ao Palácio dos Bandeirantes indicando que Serra pode ter participado da articulação que resultou na entrada de Marta Suplicy no PMDB e no lançamento dela como candidata ajudaram a azedar o clima.
Segundo essa abordagem, José Serra teria interesse no movimento da ex-prefeita para ter alternativa caso Andrea Matarazzo não vingue como candidato. A engenharia serviria às ambições de Serra de concorrer à Presidência. Ele amarraria desde já o apoio, em São Paulo, do PSD de Gilberto Kassab e do PMDB de Marta Suplicy.
O grupo de Alckmin prepara contra-ataque em caso de derrota de Doria: atrair Celso Russomanno para o PSB. A legenda, aliada do governador, lançaria o apresentador candidato a prefeito e não apoiaria Matarazzo caso ele vença as prévias. Já há conversas com o PRB, atual partido de Russomanno.
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Já neste domingo (7), o jornalista Elio Gaspari, que adora os porões e os bastidores, jogou mais lenha na fogueira de intrigas do PSDB. "O governador Geraldo Alckmin está fritando seus adversários no PSDB paulista num forno de micro-ondas, sem barulho. Para o bem e para o mal, a frieza de Alckmin entrará para a história da política nacional. Ele se tornou o brasileiro que, pelo voto, por mais tempo ocupou o governo de São Paulo, mas faz de conta que chegou ontem de Pindamonhangaba".
Outra notinha apimentada foi publicada na revista Época, da famiglia Marinho, na quarta-feira (3):
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A menos de um mês do primeiro turno das prévias do PSDB, que escolherá o candidato da legenda para disputar a prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin se aproxima ainda mais do empresário João Doria. Na terça-feira, esteve com ele num posto de gasolina numa região movimentada da capital paulista. Quando Doria fez o gesto de pagar o café de alguns militantes que os acompanhavam, Alckmin afirmou: 'Deixem o João pagar hoje porque depois ele vai ser candidato e não pode pagar mais nada'. Doria também costuma se gabar por conversar com Alckmin com uma frequência maior que seus adversários.
Os concorrentes de Dória na prévia – o vereador Andrea Matarazzo e o deputado federal Ricardo Tripoli – não gostam da aproximação de Alckmin com Doria por acharem que o governador deixa a neutralidade de lado e divide o partido com essa postura. No começo da semana, no entanto, o senador José Serra gravou um vídeo em que pede votos da militância tucana a Matarazzo. Tripoli, por sua vez, encontra apoio no presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, e no deputado federal Bruno Covas.
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Inúmeros analistas políticos afirmam que o PSDB está próximo da implosão. Há especulações sobre a saída do governador Geraldo Alckmin, que se travestiria de "socialista" para se filiar no PSB, e até de José Serra, o eterno candidato, que mantém sólidas pontes com o PMDB. Além das sangrentas bicadas em solo paulista, ambos estariam incomodados com o domínio imposto pelo mineiro Aécio Neves no comando da legenda.
Os mais maldosos até desconfiam das recentes denúncias de corrupção contra o governador de São Paulo, o amigo dos ladrões da merenda escolar, e contra o santo de Minas Gerais - o do terço de Furnas. Eles se recordam dos destrutivos dossiês tucanos. Até o momento, José Serra acompanha a briga no ninho - ou no lamaçal - à distância.

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