CEZAR CANDUCHO

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

TV Globo tem fracasso retumbante em 2015: Faturamento despenca 7%.



Os negócios da TV Globo vão de mal a pior. Em 2015 o faturamento caiu 7%.

É isso mesmo: a TV Globo faturou 7% a menos em 2015 do que faturou em 2014.

Note que o desempenho é muito pior do que o do PIB brasileiro. Não é só a economia brasileira como um todo que atrapalhou a Globo. É o mau desempenho financeiro da própria Globo que entra na conta para derrubar o PIB do Brasil.

O estudo que chegou a este número foi feito pela própria emissora e divulgado pelo colunista Daniel Castro.

A TV aberta como um todo, incluindo todas as outras emissoras, foi pior ainda: queda de 8,5% no faturamento. O mercado publicitário como um todo (incluindo internet, revistas e jornais) retraiu 11%. Não foi divulgado os números em separado, mas é certo que o péssimo desempenho dos jornais, revistas e tv não pode ser confundido com o desempenho muito melhor do meio internet.

Em um cenário que pode ser considerado otimista, a emissora prevê "crescimento" zero em 2016. Isso contando com o incremento extra das cotas de patrocínio das Olimpíadas.

Na minha opinião a emissora está sendo otimista demais, mesmo considerando que a economia brasileira começa a dar sinais de recuperação. O faturamento da tv continuará caindo ladeira abaixo. Por vários motivos:

1) A banda larga vai se expandir com crise ou sem crise. As teles estão perdendo receita na telefonia de forma acelerada e precisam desesperadamente vender mais e mais banda larga, que é o que os clientes querem comprar. A operadora de telefonia que não fizer isso, quebrará. E quanto mais banda larga, menos audiência terá a Globo.

2) Como se não bastasse a Netflix tirar audiência da tv, a empresa indiana Dish Flix está vindo para o Brasil dizendo que terá preços abaixo da Netflix. Na Índia oferece pacotes de filmes descarregados por mini-parabólicas de satélite (sem precisar de banda larga) pelo equivalente a R$ 6,00 por mês. Vai mexer com o mercado de tv paga e tv aberta.

3) A TV paga passou a perder assinantes no fim do ano passado. Em parte tem a ver com a crise, pois quem fica desempregado corta a TV paga, mas em parte também os pacotes oferecidos são caros. Enquanto a Netflix custa R$ 20 por mês, pacotes com alguma variedade de filmes e séries na tv por assinatura custam pelo menos quatro vezes mais. Para voltar a crescer e recuperar clientes as operadoras de tv paga terão de oferecer pacotes a preços mais populares, e pararem de querer empurrar telefone fixo (que ninguém quer mais) em pacotes combos. Com o barateamento da tv por assinatura a Globo perde audiência.

4) Os anúncios nos intervalos comerciais de tv dão cada vez menos retorno em vendas para os anunciantes. Como se não bastasse muita gente usar o controle remoto e mudar de canal no intervalo, mesmo quando um programa de tv faz sucesso, no intervalo as pessoas ficam comentando no facebook, no twitter, etc. Quem anuncia nestas redes sociais acaba tendo mais retorno em vendas do que anunciar na tv.

5) O demo-tucanismo, o golpismo, o ódio à política boa para pobres e trabalhadores, e a parcialidade da TV Globo espanta cada vez mais boa parte dos telespectadores conscientes. 

6) A mentalidade de colonizada da TV Globo espanta telespectadores nacionalistas e quem deseja estar bem informado. Até hoje a ficha da Globo ainda não caiu que, desde de 2014, a maior economia do mundo por Poder de Paridade de Compra já é a China e não os Estados Unidos. E isso com dados oficiais do FMI e do Banco Mundial. A gente quase não vê falar da China no péssimo jornalismo da Globo.

7) A pauta do "quanto pior, melhor" e a apologia da crise que se vê na tela Globo, inclusive em programas como o do Faustão, espanta tudo quanto é brasileiro que deseja melhorar de vida e deseja um país melhor.

8) A programação da Globo não atende mais a diversidade nacional. No futebol a Globo dá preferência só ao Flamengo e Corinthians, desagradando todas as outras torcidas. E mesmo flamenguistas e corintianos reclamam do futebol começar tarde da noite, depois da novela. O modelo de rede com programação centralizada no eixo Rio-São Paulo também não atende o telespectador do Nordeste, do Norte, Centro-Oeste e Sul. Além disso a programação da Globo há anos está repetitiva, cansativa, maçante e sem novidades interessantes.

Tenho a ligeira desconfiança de que 2016 pode ser o pior ano da história da Globo. Isso enquanto 2017 não vem.

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