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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Bresser-Pereira: “meu candidato à prefeitura de São Paulo é Fernando Haddad”

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Foto: Eduardo Anizelli/ Folha.

Ele repensou São Paulo.

por Luiz Carlos Bresser-Pereira, no Facebook
Meu candidato à prefeitura de São Paulo é Fernando Haddad. Vou votar nele porque ele vem sendo um notável prefeito, que vem governando a cidade com imaginação, coragem e competência. Como ele sempre diz, seu grande objetivo foi tornar a cidade - a rua - uma extensão da casa de cada paulistano. Foi transformar a cidade na nossa casa, como, por exemplo, fizeram os catalães com Barcelona. Para isto, ele repensou a cidade, e a dotou de um Plano Diretor e de uma Lei de Zoneamento inovadores, baseados nos corredores urbanos, nas faixas exclusivas para ônibus, nos prédios de uso misto combinando moradia, escritório e comércio, no aumento das áreas verdes, em um grande aumento das creches, em ruas reservadas para pedestres, em praças dotadas de Wi-Fi, e na redução da velocidade nas avenidas, que reduziu fortemente o número de acidentes e - sim! - aumentou a fluidez do trânsito, porque os automóveis pararam de dar tantas brecadas súbitas.
Os paulistanos confiaram nele e o elegeram há quatro anos atrás. Haddad mostrou-se merecedor do seu voto, e agora não apenas ele, mas todos nós, paulistanos que amam nossa cidade, desejamos que ele vá para o segundo turno. Ele tem qualificações e um grau de espírito público muito superiores aos dos seus concorrentes. A única candidata que tem o mesmo espírito público é Luisa Erundina, e está na hora de ela pensar no voto útil.
Há hoje na Folha um excelente artigo de Guilherme Wisnik no qual ele elogia Haddad critica um dos candidatos: "Sua estratégia é cínica e oportunista: esconde o êxito objetivo da política de Haddad, que diminuiu o trânsito e reduziu expressivamente os acidentes na cidade, lançando o falso bordão da 'indústria da multa', que se aproveita do clima de acusações de corrupção contra o PT. Ocorre que Haddad, ao contrário, é o prefeito que combateu fortemente a corrupção, criando a Controladoria Geral do Município, que desmontou a máfia do ISS, recuperando mais de R$ 600 milhões desviados, e conseguiu renegociar a dívida (reduzida em R$ 25 bilhões), colocando em ordem as finanças". Nada mais verdadeiro.
No próximo domingo os brasileiros têm um compromisso com suas cidades. Vamos honrar esse compromisso.
Comentário do blog: segue abaixo o artigo de Guilherme Wisnik, o qual Bresser-Pereira se refere no texto.
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Haddad revoluciona os usos da cidade.

por Guilherme Wisnik, na Folha
O Brasil precisa que o PT tenha oposições qualificadas à esquerda, como a do PSOL. Ao mesmo tempo, é inacreditável que, logo após sofrer um escandaloso golpe parlamentar, os partidos de esquerda no país não consigam se unir minimamente e que a candidatura de Fernando Haddad — a mais progressista que tivemos nas últimas décadas — sofra as consequências disso.
Refiro-me tanto à digna oposição de Luiza Erundina (PSOL), por um lado, quanto ao factoide Marta Suplicy (PMDB), por outro. Muito longe da esquerda, como se sabe, Marta pessoaliza o capital simbólico dos CEUs (Centros Educacionais Unificados) na periferia, ao mesmo tempo em que defende os privilégios das mansões dos Jardins e prega o aumento da velocidade dos carros.
Sua estratégia é cínica e oportunista: esconde o êxito objetivo da política de Haddad, que diminuiu o trânsito e reduziu expressivamente os acidentes na cidade, lançando o falso bordão da "indústria da multa", que se aproveita do clima de acusações de corrupção contra o PT.
Ocorre que Haddad, ao contrário, é o prefeito que combateu fortemente a corrupção, criando a Controladoria Geral do Município, que desmontou a máfia do ISS, recuperando mais de R$ 600 milhões desviados, e conseguiu renegociar a dívida (reduzida em R$ 25 bilhões), colocando em ordem as finanças.
Por que isso parece não ser avaliado corretamente? É difícil dizer. Vivemos um momento de pouca clareza política em geral, no qual Donald Trump se afirma como o sincero que diz verdades e João Doria (PSDB) posa de trabalhador braçal. O poder de convencimento só depende do dinheiro disponível.
Mas eis aí uma questão crucial. Haddad mudou profundamente a cidade dando as costas àquilo que normalmente se considera "trabalho". Assim, está no polo oposto de uma vasta tradição de políticos como Paulo Maluf (PP) mas também Lula e Dilma Rousseff (ambos do PT), para quem progresso significa obras.
Advogado, Haddad produziu ações que não manipulam betoneiras, e sim leis, atuando sobre as formas de uso da cidade. Trata-se de um político de outro tipo, com uma visão urbana estratégica e cirúrgica.
Com poucos recursos, criou não apenas faixas exclusivas de ônibus e de bicicletas -abriu avenidas ao uso dos pedestres, criou 150 linhas de ônibus noturnos e 120 praças com wi-fi livre.
Significativamente, barrou o suspeitosíssimo túnel da Av. Roberto Marinho, o que, infelizmente, levou as empreiteiras envolvidas a suspender importantes obras na área de habitação social. Ainda assim, duplicou o número de Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) na cidade, por meio do Plano Diretor (notem que eu me concentro aqui em sua política urbana).
É fato que Haddad não se pautou por medidas eleitoreiras, muito ao contrário, e talvez pague o preço político disso. Mas, para além ou para aquém da cegueira ideológica do momento, produziu uma cidade com novos valores, orientada pelos interesses coletivos e pela ética do compartilhamento.
Uma cidade com secretarias de Direitos Humanos e de Igualdade Racial, em cujo ambiente mais franco e generoso frutificou um belo e improvável Carnaval de rua.
Vivemos, nos últimos anos, significativos progressos com as novas pressões e práticas cidadãs de apropriação do espaço público no Brasil. No cenário nacional, a Prefeitura de São Paulo é a que melhor está conectada a essas vozes.
Deixaremos essa experiência radical se esvair? Será que a divisão da esquerda, que caminha perigosamente para a atomização, afastando-se cada vez mais do governo, é um caminho inteligente a seguir?
GUILHERME WISNIK, 44, é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e colunista da Folha. Foi curador-geral da 10ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, em 2013.
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