CEZAR CANDUCHO

domingo, 18 de setembro de 2016

Lula quer que o Brasil “volte a sonhar”

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Após uma semana terrível para o ex-presidente Lula, alvo de um ataque político dissimulado do MPF, pensei que ele adiaria reunião que havíamos agendado na semana passada. Foi uma surpresa, portanto, ter sido recebido por ele na sexta-feira (16).
Cheguei ao Instituto Lula precisamente às 16 horas, como havíamos agendado. Porém, o presidente ainda não havia chegado. Atrasou-se uns 20 minutos. Nesse meio tempo, fiquei conversando com o Frei Chico, irmão mais velho de Lula, e com o petista histórico Paulo Frateschi.
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Frei Chico estava preocupado com a demora do irmão porque, se ele demorasse muito, iria “perder o ônibus”… Frei Chico é uma pessoa tão simples, meu Deus. Lula jamais usou seu cargo para enriquecer a família. Vejo essas coisas e me revolto com o que estão fazendo com o ex-presidente.
Enfim, por volta das 16:20 hs. chega Lula, leva-me à sua sala, mas a conversa demora um pouco a começar porque recebe ligação do prefeito Fernando Haddad.
Após dois minutos, começamos a conversar sobre a conjuntura. Não posso cometer indiscrições, já que não pedi autorização para divulgar o teor da conversa, mas posso revelar que ele se sente tranquilo – e aparenta tranquilidade.
Pergunto se não tem medo das arbitrariedades da Lava Jato, da sanha persecutória dos fanáticos de Curitiba, mas ele me responde perguntando se eu tive medo de representar contra Sergio Moro por abuso de poder. Respondo que não porque tenho vida limpa e o presidente responde que não está preocupado pela mesma razão que eu não me preocupei em fazer o que achei que deveria.
Lula me pergunta por que saí candidato a vereador pelo PC do B – intuo que quis saber por que não me candidatei pelo PT – e respondo que foi por que esse partido me convidou. Ele parece se satisfazer com a resposta.
Toca o telefone. É Rui falcão, presidente do PT. Enquanto o presidente conversa com o correligionário, aproveito para filmar seu escritório no Instituto que leva seu nome.

Claudia, a secretária de Lula, está preocupada com o bem estar dele:
— Ele não comeu nada o dia inteiro, ficou em uma gravação aqui perto…
Oferece café, lanche, mas Lula não aceita nada. Parece estar com vontade de conversar. Lula gosta de conversar. Ele se entrega às conversas. Usa sempre um tom confessional que estabelece forte empatia com o interlocutor.
Confesso que, apesar de ter estado tantas vezes com Lula, ainda não me acostumei a conversar com uma lenda viva. Mas ele parece não se dar conta da própria importância. Parece não entender o efeito que causa nas pessoas.
Não houve político que desafiou tanto os poderes constituídos, que foi tão odiado pelos ricos e amado pelos pobres e que, debaixo da maior campanha de destruição já movida contra um homem público, mantém-se tão sereno, tão confiante.
Ele pede à secretária que nos fotografe. Pede várias fotos, não fica satisfeito com nenhuma.
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Faz várias confissões sobre suas opiniões políticas. Parece saber que eu as guardaria para mim, apesar não sermos exatamente íntimos. Fico imaginando que ele olha para o sujeito e sabe se pode ou não confiar nele…
Diante de sua serenidade, apesr dos riscos que corre, arrisco pedir que me ajude a ter esperança em que as coisas podem melhorar. Ele não pensa para responder; diz que o brasileiro precisa voltar a sonhar. Pergunto com que, ele diz que com qualquer coisa. O brasileiro precisa saber o que deseja.
Concordamos que as pessoas estão iradas, indispostas com a vida, zangadas. E a receita dele é a de que precisam voltar a sonhar, almejar, ter esperança.
Com que, insisto.
Lula acha que as pessoas precisam acreditar que podem dar novo salto, como ocorreu durante o seu governo. Hoje, venderam ao povo brasileiro que ele não pode melhorar de vida, que o Brasil está mal porque Lula piorou a vida do povo.
A receita me parece tão simples. Bingo!
Mas as pessoas não estão dispostas a acreditar. Chega a parecer que estão gostando de acreditar na lorota da mídia de que a vida só piorou de dois anos para cá porque melhorou durante onze anos ininterruptos…
É uma loucura ou não é?
Lula não pode ser destruído. Destruir Lula é destruir o povo brasileiro, é destruir a esperança, é destruir a fé, é destruir o sonhar. Voltarei a ouvir Lula, a beber dessa fonte de coragem, de sabedoria popular, de fé, de esperança.
Precisamos ouvir mais Lula e menos Globos, Folhas, Vejas e Estadões. Se fizermos isso, driblar as vicissitudes da vida, as barreiras que os ricos nos impõem parecerá quase uma brincadeira de criança, muito fácil.
Lula gostou de saber que sou candidato a vereador de São Paulo. Ele acha que as pessoas devem entrar na política para fazer em vez de só ficarem criticando. Por conta disso, não hesitou em gravar vídeo pedindo que as pessoas votem em mim.

Espero voltar a estar com Lula bem rápido, antes que se dissipe a energia que ele me inoculou.

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