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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Contra o golpe é preciso fortalecer unidade, afirmam dirigentes .

Diálogos da Resistência reúne lideranças do movimento sindical e social

O movimento sindical e social vem demonstrando fôlego para os desafios impostos pela onda de retrocessos nos direitos sociais e trabalhistas surgidos pós-golpe no Brasil. Nesta terça-feira (8) na atividade “Diálogos para a Resistência”, organizada em São Paulo pela Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), lideranças dos movimentos fizeram um balanço da conjuntura e sinalizaram alternativas para a luta contra a retirada de direitos.
Por Railídia Carvalho
Organizar a resistência unitária em várias frentes é um dos caminhos apontados pelos trabalhadores e militantes sociais reunidos nesta terça no sindicato dos engenheiros, no centro de São Paulo. Ao mesmo tempo em que mobilizam o Dia Nacional de luta com greves e paralisações contra as reformas e medidas de Michel Temer no dia 11, o movimento faz um diagnóstico sobre o cenário de hegemonia da direita e intensificação da repressão e criminalização dos movimentos sociais.
Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Adilson Araújo, presidente nacional da CTB e João Paulo Rodrigues, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fizeram avaliações semelhantes sobre a luta social na atual crise política: É preciso fortalecer a unidade do movimento social e estreitar o diálogo com os segmentos que ainda não perceberam a gravidade das medidas do governo Temer.
Para os dirigentes essa aproximação ampla com a classe trabalhadora e diversos segmentos sociais é um caminho para fortalecer as mobilizações contra as reformas trabalhista, previdenciária e a retirada de direitos sociais, como o que está previsto na atual Proposta de Emenda Constitucional 55, antiga PEC 241, que agora tramita no Senado Federal.
Plenárias populares
“Acumulamos forças quando vencemos etapas. E vencemos muitas delas. Sofremos uma derrota estratégica que mudou a correlação de forças”, avaliou Adilson. O presidente da CTB citou a estratégia do líder político chinês Mao Tsé Tung: “Ele sentiu que era necessário recompor o exército para combater o inimigo comum”.
Adilson sugeriu no encontro a realização de uma série de plenárias para fazer um balanço político. “Avaliar as conquistas, os erros e que aponte para a construção de um movimento unitário que possibilite a retomada da acumulação de forças para uma transição”.
Segundo o sindicalista, sem esse movimento “não fazemos uma luta política de massas”. Adilson complementou: “Precisamos ganhar essa classe trabalhadora, que ainda está atônita, que sofre dessa overdose midiática que descontrói todos os nossos feitos 24 horas por dia. É preciso visitar o trabalhador onde ele está, radicalizar na política, oxigenar o movimento sindical”, ressaltou.
Trabalho de base
A retomada do chamado trabalho de base foi um dos desafios apontados por Guilherme Boulos. Na opinião dele, os movimentos sociais e sindicais se distanciaram de onde o povo está e do que o povo pensa.
Para ele, é preciso reconhecer a limitação dos movimentos no enfrentamento do golpe e na luta para impedir medidas que violam direitos sociais. “É necessário construir uma ampla unidade das forças sociais para resistir e enfrentar os ataques do governo Temer”.
De acordo com Boulos, essa ampla unidade precisa contar com um elemento para se concretizar: a classe trabalhadora, que ainda não aderiu à nenhum movimento político e que assistiu o golpe pela televisão. “Não conseguimos trazer a massa trabalhadora para a rua. O MTST sabe a dificuldade de trabalhar no território com os trabalhadores”, lembrou.
Ampliar e renovar a luta
João Paulo concordou e afirmou que a base dos Sem Terra também não aderiu aos protestos contra o golpe. “Não se sentiram com elementos para ir em defesa da Dilma”, contou. Por outro lado, ele enumerou fatos importantes na luta da esquerda atualmente.
“Houve uma politização da militância que há muito não havia, participação da juventude, unidade dos trabalhadores do campo e da cidade e a esquerda deu um salto na utilização das redes sociais o que ampliou a luta”, exemplificou.
O dirigente Sem Terra defendeu uma ampliação da narrativa de resistência e novas estratégias para fortalecer a capacidade de mobilização. “Por exemplo, somos contra o ajuste fiscal mas somos favoráveis a que?”.
Criminalização
João Paulo justificou a chegada com atraso porque teve que ir às pressas para a Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, há 70 km de São Paulo. Após a truculenta invasão da escola na sexta-feira (4) pela Polícia Civil de Mogi das Cruzes, funcionários, educadores e estudantes estão sob tensão. “Hoje pela manhã havia um comboio da polícia há alguns quilômetros da escola, o que causou preocupação mas depois vimos que as viaturas não iram para lá”, contou.
Guilherme Boulos lembrou que a escalada da repressão é marca do atual cenário do golpe. “A invasão da escola Florestan Fernandes é cena da ditadura militar assim como a repressão aos secundaristas com invasões sem ordem judicial”, declarou.
O período da ditadura militar também foi lembrado por Boulos quando se referiu ao ataque aos direitos trabalhistas. Segundo ele, nem a ditadura ousou mexer na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 
Para Boulos, o governo Michel Temer é o mais perigoso para os trabalhadores porque não foi eleito e não visa reeleição. “Ele pode praticar as piores atrocidades e não vai pagar preço político por isso”, justificou.
Golpe contra trabalhadores
“O golpe é contra a classe trabalhadora e os mais humildes. Estamos diante de um cerco em que os três poderes estão harmonizados no propósito de retirar direitos”, reiterou Adilson. Ele lembrou das recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que tem acatado ações que prejudicam os trabalhadores.
Nesta quarta-feira (9) julgamento no Supremo deve votar recurso sobre a terceirização para atividade-fim. “Parte da agenda do Eduardo Cunha, do golpe foi efetivada pelo STF. Se isso passar será a precarização total do trabalhador”, ressaltou Adilson. Antes da votação do recurso contestando os limites da terceirização, as centrais de trabalhadores se reúnem com o ministro do Supremo Edson Fachin.
Unidade das Frentes
“Unidade não significa ser a mesma coisa. Maturidade é lidar com as diferenças”, disse Boulos ao comentar a importância do papel das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo contra o golpe. O dirigente do MTST é integrante desta última frente.
“Há uma unidade sólida entre as duas frentes. Se pegar as grandes mobilizações de resistência vai ver que elas foram feitas pelas duas frentes. Assim como vai acontecer no dia 11”, reafirmou. Segundo o dirigente, o MTST realizará bloqueio de rodovias no Dia Nacional de Lutas com Paralisações e Greves.
Nesta quarta-feira (9), o tema é “Resistência contra o desmonte da escola pública”.

Do Portal Vermelho

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