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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Cidade Linda começa 'varrendo' moradores de rua na zona leste - Pastoral denuncia que até medicamentos foram apreendidos durante remoção no parque da Mooca.

Rovena Rosa / Agência Brasil


Rede Brasil Atual

São Paulo – Horas depois de o novo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), posar para as câmeras vestido de gari, no lançamento do programa Cidade Linda, cerca de 70 moradores de rua foram expulsos do Parque da Mooca, na zona leste da capital, e tiveram todos os seus pertences apreendidos.
Um morador de rua que não quis se identificar explica como foi a operação, na última segunda-feira (2): "Levaram todos os pertences da gente. Coberta, manta, alimentação, blusas, tudo. A gente só está com a roupa do corpo. Se não fosse o padre ajudar, estaríamos dormindo no chão".
Coordenador da Pastoral da População de Rua, o padre Júlio Lancellotti questiona se as pessoas nessa situação continuarão a ser varridas junto com a sujeira. "O rapa tira a roupa, tira documentos, os remédios, tira tudo. Toda vez que fizerem, nós vamos denunciar", afirmou em entrevista à repórter Vanessa Nakasato, para o Seu Jornal, da TVT.

Indignado com a ação, o padre cobrou explicações da secretária municipal de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra. "O pessoal passou dos limites". Ele propõe uma reunião de emergência com as autoridades municipais para tratar da questão.
Ambulantes na mira

Também faz parte do programa Cidade Linda remover das ruas os ambulantes sem o chamado Termo de Permissão de Uso (TPU) para comércio ambulante. Segundo o Dieese, em 2015, existiam cerca de 150 mil ambulantes na capital paulista. Com a crise econômica, o Sindicato dos Microempreendedores e Economia Informal do Estado de São Paulo estima que este número subiu para 200 mil. Desse total, menos de 5% conta com autorização para trabalhar.

De acordo com o presidente do sindicato dos ambulantes, Jurassir Sampaio, desde 2002, durante a gestão Marta Suplicy, não são emitidas novas licenças. Entre 2005 e 2012, mais de 3.500 licenças foram cassadas.
"Ele (o prefeito João Doria) vai ter que negociar com, no mínimo, 200 mil pessoas. Aonde vai arrumar emprego para esse pessoal? Com ele, ou sem ele, o pessoal vai tentar a vida, para a sua sobrevivência", afirma Jurassir.

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