CEZAR CANDUCHO

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Prefeito de SP economiza em Educação para combater pichação.

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Ano passado, São Paulo elegeu prefeito o apresentador de um programa de tevê que ninguém assistia. O multimilionário João Dória Júnior só conseguiu se eleger por conta do antipetismo fanático reinante na capital paulista, mas quem elegeu o atual prefeito foi, essencialmente, a periferia da cidade, como mostra o gráfico abaixo.

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É nas periferias da capital paulista que reside a maior parte da população. A Zona Leste da cidade abriga nada mais, nada menos do que 4 milhões de habitantes, população maior que a do Uruguai e quase igual à do Paraguai.
Apesar disso, não surpreende reportagem do jornal Folha de São Paulo publicada nesta terça-feira (31/01) sob o autoexplicativo título “Doria foca zeladoria e empresários e dedica à periferia só 1 em 5 visitas”.
Em seu primeiro mês de mandato, segundo a Folha, “o prefeito João Doria (PSDB) deixou a periferia de São Paulo em segundo plano”. Só se surpreendeu o povo pobre que a mídia e os grupos fascistas dos bairros “nobres” enganaram.
A matéria faz média com Dória afirmando que, em seu início de governo, Haddad fez a mesma coisa. Porém, não é a presença física do prefeito que fala pelo seu foco de atuação, mas as medidas que ele efetivamente toma.
Dória passou o primeiro mês de gestão ocupando-se de temas que pouco importam à grande maioria da cidade, que está muito longe da área à qual se dedicou simplesmente para, como diz outra matéria da Folha, “fazer merchan” e “bombar na Web”.
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É disso que a cidade precisa? É o centro expandido de São Paulo que precisa de maior atenção do prefeito?
Quem, como este blogueiro, reside nas regiões em que há de tudo – zeladoria, segurança, hospitais, escolas, transporte, comércio – sabe, também, que o centro expandido é a região menos populosa da cidade, apesar de ser seu cartão de visita porque é para lá que converge a população de todos os bairros nos dias úteis, para trabalhar, estudar etc.
Basta ir a esse “centro expandido” nos fins de semana para perceber que ninguém vive nessa região, que, quando as pessoas não têm que trabalhar ou estudar nela, fica vazia.
A população que lucrou com a eleição de Dória, ironicamente, é diminuta. Daria para elegê-lo vereador, mas nunca prefeito. Essa gente mora nos ditos bairros nobres, nos quais a concentração demográfica é muito baixa devido, também, ao tamanho dos imóveis.
Mas é a região que aparece na TV. Escorraçando ambulantes e pessoas em situação de rua da avenida Paulista e cobrindo paredes pichadas, por exemplo, os ricos dos Jardins e adjacências ficam contentes e passam a julgar esse um “bom prefeito”.
Essa é outra medida feita para atender a minoria da minoria dos paulistanos que vai trabalhar de carro enquanto a esmagadora maioria se espreme no metrô mais lotado do mundo, ainda que os ônibus tenham melhorado muitíssimo durante a gestão Haddad – hoje são novos, têm ar refrigerado, WI FI e trafegam em corredores de ônibus que funcionam, ao menos enquanto Dória não fizer como Kassab e encher esses corredores de carros particulares.
É justamente no tráfego, então, que Dória gastou boa parte de seu tempo em janeiro ao promover uma demagogia temerária que chegou às raias da loucura ao mentir para a população da cidade.
Dória divulgou dados falsos sobre mortes e acidente nas marginais Pinheiros e Tietê. Esses dados conflitaram com informações de relatório da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), órgão que também faz parte da gestão municipal.
De acordo com o insuspeito telejornal da Globo SPTV, os número divulgados pela equipe de Doria mostram que houve um aumento nas mortes e acidentes em 2016 na comparação com 2015, quando as velocidades nas vias foram reduzidas.
Com isso, o novo prefeito tentou desmoralizar o antecessor, que afirmava que com a redução da velocidade dos veículos o número de mortos no trânsito da cidade havia diminuído muito.
Segundo o gabinete da Secretaria de Comunicação da Prefeitura, os números reais que Dória acusou Haddad de distorcer seriam de 15 mortes em 2015 e 28 mortes em 2016. Ou seja, o prefeito anterior teria reduzido a velocidade dos veículos e as mortes no trânsito teriam aumentado.
Era óbvio que não poderia ser verdade. O que aconteceu foi que Dória simplesmente mentiu, achando que a mídia antipetista iria acobertá-lo. Ocorre que a nova gestão da capital paulista já preocupa muito essa mídia porque está tomando medidas extremamente irresponsáveis que fatalmente irão produzir escândalos em série.
A Globo, vendo a mentira ousada de Dória, chamou um técnico da administração municipal que, pelo visto, ficou com medo de cometer o que inclusive seria um crime e, assim, reconheceu que houve um “erro” na divulgação dos dados.
Na verdade, houve 46 acidentes com morte nas marginais em 2015, com 49 vítimas fatais e uma queda de 57,14% dessas mortes nas vias marginais paulistanas em 2016, com a implantação da redução da velocidade dos veículos.
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O pior, porém, não é isso. Além de todas as medidas inúteis e/ou perniciosas que a nova administração vem adotando, há um contrassenso entre o discurso e a ação que merece ser ressaltado.
Matéria do igualmente insuspeito Estadão publicada em 24 de novembro de 2016 mostra que o ex-prefeito Fernando Haddad deixou seis bilhões de reais em caixa para Dória. As contas da cidade perfeitamente arrumadas. Apesar disso, Dória, mais uma vez, mente para a população.
Há algumas semanas, o novo prefeito anunciou que, devido a “graves problemas orçamentários”, iria reduzir “gastos da Secretaria de Educação que não estejam ligados diretamente ao ensino”.
O primeiro “gasto” com Educação a ser reduzido será o programa Leve Leite, que hoje atende estudantes da creche ao 9º ano da rede municipal. Segundo o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, a compra de material escolar e o transporte de alunos também irão sofrer cortes.
Nos últimos dias, apesar do conflito com estudantes, Dória anunciou que irá montar um dispendioso aparato só para impedir a pichação, com instalação de câmeras por toda cidade e contratação de 500 guardas civis para caçar pichadores. Além disso, mobilizará policiais do Deic para combater esses terríveis malfeitores.
Com efeito, como a criminalidade em São Paulo está absolutamente sob controle, é uma ideia de “jênio” colocar policiais para caçar pichadores. As vítimas de latrocínio, que não param de subir no Estado, agradecem.
Um guarda civil metropolitano concursado pode custar até 5 mil reais mensais. Esses 500 GCM’s, pois, custarão 2,5 milhões de reais por mês, ou 30 milhões de reais por ano.
Some-se a isso o custo das câmeras, o dos policiais do Deic – que não vão trabalhar de graça – e teremos dinheiro que poderia garantir material escolar, transporte e muito mais para os estudantes.
Não se pode recriminar totalmente a população dos bairros ricos que não precisa de escolas públicas, que não precisa do poder público a não ser para embelezar os caminhos por onde passa com seus carrões, agora em alta velocidade. Essa gente tem o direito de pensar só em si, ainda que seja moralmente reprovável.
O que dói é ver toda a população pobre ou remediada, essa maioria dos paulistanos que vive na periferia, ser gravemente prejudicada só para os ricos da cidade não terem o desprazer de ver uma parede pichada. Como diz uma dessas pichações, “Em São Paulo falta Saúde e Educação, mas o problema é a pichação”

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