CEZAR CANDUCHO

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Petroleiros convocam resistência ao desmonte da Petrobras.

 



"O que está em risco não é só um patrimônio construído há mais de 60 anos, mas toda a cadeia produtiva de um setor estratégico para a soberania e o desenvolvimento do país. Este crime, além de comprometer o futuro da petrolífera, cujas reservas já retrocederam 15 anos, está desmontando a engenharia nacional e a indústria naval, como nos anos 90", diz a entidade.


Na resistência para que a Petrobras volte a ter papel decisivo na política industrial brasileira, a FUP defende um calendário de mobilizações. Segundo a nota da entidade, na próxima quarta (8), as assessorias jurídicas do movimento sindical petroleiro realizam um encontro para discutir estratégias jurídicas de enfrentamento ao golpe e ao desmonte da estatal.

Para o dia 14 de fevereiro, a FUP convoca os trabalhadores e os movimentos sociais para que participem do Dia Nacional de Luta Contra a Privatização do Sistema Petrobras.

"Nos anos 90, quando os governos neoliberais sucatearam a Petrobrás, aplicando na empresa o mesmo modelo de gestão do setor privado, centenas de petroleiros perderam a vida em acidentes, alguns deles com impactos ambientais gigantescos. Assim como hoje, efetivos e investimentos foram reduzidos, serviços, equipamentos, navios e plataformas, contratados no exterior", escrevem os petroleiros.

Na nota, eles destascam a retomada da estratégia de sucatemaneto e enfraquecimento da companhia, levada adiante pelo atual presidente da Petrobras, Pedro Parente. "Cabe, mais uma vez, aos petroleiros assumir o protagonismo dessa luta e entrar de coração e alma nas mobilizações que a FUP e seus sindicatos estão convocando. Não estamos defendendo só nossos empregos e direitos, mas sim um país soberano para as próximas gerações de brasileiros", concluem. 

A categoria avalia que, pela importância a Petrobras no setor de petróleo e gás - e seus desdobramentos para a economia -, a defes ada companhia é uma bandeira que precisa ser defendida por toda a sociedade. 

"Apesar de toda a campanha da mídia para desconstruir a identidade estatal da Petrobras, atacando e desmoralizando seus trabalhadores, a empresa continua sendo um orgulho nacional, cujo patrimônio precisa ser defendido por todos nós".

Confira a íntegra abaixo:

Privatizar a Petrobras faz mal ao Brasil!

A privatização que o governo golpista vem impondo ao Sistema Petrobras reflete diretamente na queda do PIB e no desemprego que atinge mais de 20 milhões de brasileiros. O que está em risco não é só um patrimônio construído há mais de 60 anos, mas toda a cadeia produtiva de um setor estratégico para a soberania e o desenvolvimento do país. Este crime, além de comprometer o futuro da petrolífera, cujas reservas já retrocederam 15 anos, está desmontando a engenharia nacional e a indústria naval, como nos anos 90.

É preciso que os trabalhadores e a sociedade reajam para que a Petrobras volte a ter papel central na política industrial brasileira, atuando de forma integrada com suas subsidiárias em prol dos interesses nacionais. Em reunião esta semana, o Conselho Deliberativo da FUP aprovou uma agenda de lutas para barrar a privatização da empresa. Na próxima quarta-feira (08), as assessorias jurídicas do movimento sindical petroleiro realizam um encontro técnico para construir e implementar estratégias jurídicas de enfrentamento ao Golpe de Estado e ao desmonte da companhia.

A FUP também está convocando os trabalhadores e os movimentos sociais para que participem em 14 de fevereiro do Dia Nacional de Luta Contra a Privatização do Sistema Petrobras. Além de mobilizações nas unidades da empresa, será realizado um ato político no Espírito Santo, em memória das vítimas da explosão no navio-plataforma Cidade de São Mateus, da BW Offshore, que matou 09 trabalhadores e feriu outros 26. O acidente, ocorrido no dia 11 de fevereiro de 2015, evidenciou como as empresas privadas atuam na indústria petrolífera, precarizando as condições de trabalho e negligenciando a segurança.

Nos anos 90, quando os governos neoliberais sucatearam a Petrobras, aplicando na empresa o mesmo modelo de gestão do setor privado, centenas de petroleiros perderam a vida em acidentes, alguns deles com impactos ambientais gigantescos. Assim como hoje, efetivos e investimentos foram reduzidos, serviços, equipamentos, navios e plataformas, contratados no exterior. 

Na época, Pedro Parente era ministro e braço direito de FHC no Conselho de Administração da Petrobras, cujo nome ele tentou mudar para Petrobrax, visando facilitar a privatização da empresa. Só não chegou às vias de fato porque os petroleiros e a sociedade reagiram. A mesma luta se impõe novamente agora à categoria. 

Retomando a metodologia e os compromissos do passado, Parente já reduziu drasticamente os investimentos da Petrobras; colocou à venda ativos estratégicos, inclusive campos do pré-sal e subsidiárias lucrativas, ofertadas a preços de banana; voltou a encomendar navios e sondas no exterior e descartou empresas nacionais dos processos licitatórios, como fez recentemente no Comperj, convidando multinacionais envolvidas com corrupção. Seu próximo passo é abrir o controle societário das refinarias, como já vem sendo ventilado na imprensa.

Mesmo com o desmonte que vem impondo ao Sistema Petrobras, Pedro Parente ainda tem a desfaçatez de afirmar que privatização não está na sua agenda. Como os demais golpistas, ele sabe que a sociedade não admitirá a entrega de uma empresa com tanta simbologia e importância na história do país.

Apesar de toda a campanha da mídia para desconstruir a identidade estatal da Petrobras, atacando e desmoralizando seus trabalhadores, a empresa continua sendo um orgulho nacional, cujo patrimônio precisa ser defendido por todos nós. Cabe, mais uma vez, aos petroleiros assumir o protagonismo dessa luta e entrarem de coração e alma nas mobilizações que a FUP e seus sindicatos estão convocando. Não estamos defendendo só nossos empregos e direitos, mas sim um país soberano para as próximas gerações de brasileiros.

FUP


 Do Portal Vermelho

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Recessão derruba economia dos estados.


 


Segundo estudo da Tendências Consultoria Integrada, divulgado pelo jornal O Globo, nesses dois anos de recessão, o Produto Interno Bruto de todas as unidades da federação encolheu e, em 12 estados mais o Distrito Federal, a economia retornou ao mesmo patamar do início da década. Nesses estados, o recuo foi tão grande que anulou a expansão vivenciada entre 2011 e 2014.

De acordo com O Globo, as perdas mais expressivas ocorreram nos quatro estados do Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais), no Rio Grande do Sul e Paraná, no Amazonas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e na Bahia, além do Distrito Federal. Significa que a recessão não poupou ninguém, afetando tanto as regiões mais ricas do Sudeste e do Sul, como estados do Nordeste.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o PIB encolheu 7,2% em dois anos, conforme o estudo. Mas a maior queda acumulada em 2015 e 2016 foi do Amazonas, de 12,2%. A O Globo, Marcelo Souza, superintendente adjunto de Planejamento da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), polo industrial responsável por 92% da receita do estado do Amazonas, diz que a recessão levou o complexo a demitir 30 mil pessoas. E uma coisa alimenta a outra.

"Em casos de recessão, as empresas do polo reduzem os quadros momentaneamente, para manterem as plantas em funcionamento. São sempre as últimas a entrar na crise e continuam se mantendo fortes, porque têm incentivos fiscais garantidos em Constituição. Mas, como 95% do faturamento delas vêm do mercado interno e a demanda caiu muito, as demissões foram necessárias", disse. Mas, com trabalhadores sem emprego, será cada vez maios difícil recuperar o mercado interno.

O estudo da Tendências calcula que, em São Paulo, o recuo acumulado em 2015 e 2016 foi de 6,9%, uma vez que o peso da indústria é muito grande na economia do estado, apesar do setor de serviços já a ter ultrapassado. "Como os dois motores do setor, bens de consumo duráveis e de capital, são muito sensíveis ao crédito e ao emprego, é comum que retraia em momentos de recessão, desencadeando um efeito negativo em outros setores e segmentos atrelados", afirma a O Globo André Grotti, responsável pela Assessoria de Política Tributária (APT) da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

No Nordeste, a situação não é diferente. Região que, na década anterior à crise possuía estados com crescimento acima do PIB brasileiro, agora volta a enfrentar dificuldades. O horizonte também não projeta btranquilidade, já que o atual governo tem trabalhado para aniquilar muitos dos programas que garantiram o desenvolvimento do local.

"O desenvolvimento do Nordeste foi favorecido pelo aumento real do salário mínimo e da renda total, pelo sistema de proteção social do governo Lula e por governos estaduais saudáveis, o que aumentou a demanda por serviços e a arrecadação de impostos nesse período", defende Frederico Cunha, gerente das Contas Regionais do IBGE. 


 Do Portal Vermelho, com  O Globo


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