sábado, 23 de fevereiro de 2013

Brasil vai comprar sistemas russos de defesa antiaérea.

Sistema russo de defesa antiaérea
O Pantsir S1, que o Brasil vai comprar

O governo brasileiro assinou na última quarta-feira (20) um acordo em Brasília no encontro entre a presidenta Dilma Rousseff e o primeiro ministro Dmitri Medvedev. Segundo informações disponíveis nesta quinta-feira, ficou descrito no acordo que o Brasil usará componentes nacionais, mas incluirá transferência de tecnologia.


O governo brasileiro vai comprar cinco baterias antiaéreas da Rússia - três do modelo Pantsir S1, de médio alcance, e duas Igla-S, com raio de ação curto.  


   
O Pantsir em ação

 Soldados treinam com o Igla S



O valor envolvido é estimado, na Europa, em US$ 1 bilhão. Cada bateria do sistema Pantsir, é composta por seis carretas lançadoras, mais veículos de apoio: carro de comando e controle, radar secundário, recarregadores e unidade meteorológica. O radar de detecção localiza o alvo - a rigor, podem ser até 10 por minuto - em uma área de 36,5 quilômetros e pode reagir contra ele em 20 segundos.

O preço final depende dos componentes que serão escolhidos. A cotação sairá entre maio e junho. Todavia, alguns avanços já ocorreram na reunião expandida da tarde de ontem (20). No Ministério da Fazenda, com a participação direta do ministro Guido Mantega, foi estabelecido que o pagamento inicial, da ordem de 40% sobre o total apurado, vai sofrer significativa diminuição.

A negociação pode levar a um desconto de 30% na cotação final. Certos componentes do Pantsir devem ser substituídos por equivalentes produzidos no Brasil. As carretas blindadas, por exemplo, seriam trocadas pelo eficiente 6x6 da Avibrás, de São José dos Campos (SP), usadas no conjunto Astros-2, de foguetes livres. O radar de campo também pode ser trocado pelo Saber M200, de 200 km de raio de ação. Produzido pela OrbSat, subsidiária da Embraer Defesa e Segurança, rastreia até 40 objetivos simultaneamente, priorizando a reação pelo grau de ameaça.

O Ministério da Defesa está negociando três baterias e os suprimentos. Cada disparador é carregado com 12 mísseis 57E6 e leva, ainda, dois canhões de 30mm de tiro rápido, além de acessórios digitais que permitem localizar e abater alvos no limite entre 15 km e 20 km, a 15 mil metros de altitude. Segundo o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, “agora começa a discussão que resultará na redução do preço de aquisição”. A análise do contrato deve demorar cerca de três meses a quatro meses. As primeiras entregas, 18 meses após a assinatura definitiva. “Esperamos contar com os sistemas para os Jogos Olímpicos de 2016”, acredita o general De Nardi.

O acerto da segunda parte dessa transação é mais simples. Envolve duas baterias do míssil Igla, versão S/9K38, a mais recente da arma antiaérea leve disparada do ombro de um soldado. As Forças Armadas do Brasil utilizam modelos de gerações anteriores. A versão atual tem alcance de 6 km, é mais pesado que as séries anteriores, usa sensor de localização de alvos de eficiência expandida e é mais resistente à interferência eletrônica de despistamento.

O Brasil tem realizado compras de porte na área de Defesa, sempre exigindo como contrapartida a transferência de tecnologia. Na viagem de Dilma a Moscou, foi acertada a compra de 14 helicópteros russos para a Petrobras. O país já havia comprado helicópteros e submarinos da França.

Transferência de tecnologia.

Há informações de que o interesse brasileiro é dominar a tecnologia envolvida no sistema de detecção e ataque antiaéreo negociado. Os russos, em reunião com o general José Carlos de Nardi, garantiram estar dispostos a permitir a transferência de tecnologia “sem caixa-preta”, embora toda a operação estará coberta por cláusulas rígidas de transferência de tecnologia. O acordo assinado prevê que haverá “transferência efetiva de tecnologia, sem restrições”.

Está prevista a formação de uma joint venture para fabricar o Igla-S no Brasil, que caberia a uma espécie de consórcio formado pelas principais empresas do setor, como a Odebrecht Defesa e Tecnologia, Embraer Defesa e Segurança, Avibrás, Mectron e Logitech.

Com informações de O Estado de S.Paulo e Valor Econômico.

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