A Caravana do coletivo petista Articulação Democrática (AD), liderado pelo presidente do PTMG Reginaldo Lopes, esteve nos últimos dias 13 e 14 de julho nas cidades de Caxambu e Alfenas, respectivamente. O grupo debateu com prefeitos, vices, vereadores e lideranças o Processo de Eleições Diretas (PED) 2013 e discutiu a necessidade do PT se renovar.
A AD tem dois pré-candidatos colocados para a disputa pela presidência estadual da legenda, o deputado estadual Pompílio Canavez e o membro da executiva do partido Cristiano Silveira. No entanto, Lopes ressaltou que o campo político busca o resultado que mais unifica o PT no estado, dando maior governabilidade para buscar a eleição de Fernando Pimentel para o Governo de Minas Gerais e a reeleição da presidenta Dilma Rousseff.
Pompílio lembrou que a AD é a única força política que tem percorrido o estado inteiro e fazendo um debate muito bem feito. “Com Reginaldo Lopes na presidência, o partido avançou em todos os indicadores e promoveu a maior interiorização da sigla”, salientou.
As vozes das ruas.
Nas duas cidades do sul de Minas, para uma plateia com representantes de mais de 30 municípios, Reginaldo Lopes fez uma profunda análise do momento político atual, quando manifestações tomam o país.
Para o parlamentar, as vozes das ruas pediram mais direitos, ainda que de maneira difusa. As pessoas reconhecem os avanços, porém, querem mais qualidade e eficiência na prestação de serviços públicos como saúde, educação e transporte, defendem um modelo mais sustentável e pedem mais valores na política. “É verdade que nunca se combateu tanto a corrupção. Mas, quando se combate e não se joga o problema para baixo do tapete, dá um sentimento de que a corrupção aumentou. Mas, isso significa que as instituições estão funcionando e que o estado está se fortalecendo. É uma reflexão que cabe ao PT que é um patrimônio ético e temos que reconhecer que não soubemos dialogar com esse momento e deixamos que esse patrimônio ficasse, pelo menos para alguns setores da sociedade, nublado do ponto de vista da opinião”.
De acordo com o dirigente petista, as ruas também clamam por mais representação e que ela seja legítima. “As instituições são peças fundamentais da democracia, mas é preciso que a representação política saiba ouvir o povo e não substituí-lo. Teremos que organizar métodos e fazer consultas permanentes à população”, acredita. Segundo ele, o parlamento ficou frágil e, entre os motivos, está o fato de legislar na área de conforto e não fazer debates sobre temas conflitantes na sociedade, como a união civil entre pessoas do mesmo sexo, onde a decisão ficou a cargo do Supremo Tribunal Federal. “O parlamento se omite e não tem coragem de enfrentar os grandes temas. As Casas Legislativas assumiram a função de apenas homologar determinações do Executivo, perdendo assim seu caráter representativo”.
Outro ponto destacado é que a mídia não suporta mais não ser a opinião pública do país, como foi na ditadura. Com a democratização, as instituições e as lideranças passaram a ser a opinião do povo, e agora com a internet houve a horizontalização da comunicação que é rápida e em tempo real. “As ruas deram grande contribuição à politica, nada será como antes, inclusive o nosso Governo que acelerou no rumo dos direitos”.
Lopes lembrou que, antes mesmo das manifestações, a presidenta Dilma Rousseff havia tomado diversas medidas para reduzir o custo da passagem de ônibus, mas que essa redução ainda não havia sido repassada aos usuários e este avanço só pode ser sentido a partir dos protestos que começaram em São Paulo.
Ainda que os protestos nas ruas sejam pedagógicos, por outro lado, historicamente, o movimento de massas significou retrocessos nas políticas e reformas do país, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Lopes citou como exemplos a Marcha da Família com Deus pela Liberdade contra as reformas de base de João Goulart, que acabou deposto pelo golpe militar; a multidão que cercou o Palácio do Catete no Rio de Janeiro e que culminou com o suicídio de Getúlio Vargas; ou as manifestações no Chile em 1973 que resultaram em um golpe de estado, entre outras. “Nosso sonho é que o povo esteja permanentemente nas ruas e que as reivindicações sejam canalizadas da maneira correta pelas instituições”.
Renovar o PT.
Após essa onda de protestos, o presidente do PTMG avaliou que a postura da presidenta Dilma Rousseff é mais avançada que a do próprio PT, por isso é preciso discutir o partido que se quer para os próximos 30 anos. “Eu acho que o PT, especialmente nos últimos três anos, não pautou o Governo, não liderou, não pautou a governabilidade, não pautou o país programaticamente. Dilma foi muito corajosa, fez enfretamentos importantes do ponto de vista histórico como o combate aos juros, à redução da tarifa de energia, chamou um plebiscito para a Reforma Política, enfrentou o corporativismo médico e a reserva de mercado ao expor a necessidade de mais profissionais e implantou as cotas raciais e sociais nas universidades”, enumerou.
No entanto, para o deputado, é importante perceber que não reconhecer os avanços fundamentais advindos dos 10 anos de governo democrático e popular do PT é injusto com o Governo. “A partir das manifestações criou-se uma nova percepção como se tudo estivesse muito ruim no país, mas essa é uma narrativa que a mídia quer colocar na cabeça do povo”.
Apesar de afirmar que no sistema republicano brasileiro, que é altamente parlamentarista, não se governa sem uma composição entre partidos, o deputado reconheceu que o PT exagerou na conciliação que incluiu políticos como Paulo Maluf, Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor, por exemplo, no governo. “Temos que admitir que é ruim, que mesmo quem entende a governabilidade não dorme com a consciência tranquila e que o eleitor, capitalizado pela mídia, vai se sentir enrolado e achar que cabe qualquer um no nosso projeto”, afirmou.
Lopes analisa que o PT tem muitos desafios, já que não tem um cenário econômico positivo, nem de grande crescimento e tem uma mídia reposicionada de forma contrária ao Governo. “O desafio é reinventar o imaginário, os sonhos, é conseguir avançar mais, é resolver problemas, é admitir que a vida mudou de forma extraordinária da porta pra dentro do brasileiro, mas que da porta pra fora ainda há muito o que se fazer. Não conseguimos resolver os grandes gargalos da mobilidade urbana, apesar de ter recursos; o custo de vida aumentou, pagamos a taxa de energia, o seguro de carro, a telefonia, o plano de saúde e o IPVA mais caros do mundo”. E acrescentou: “O operário não foi pra rua, mas os setores da classe média que o PT promoveu foram. Eles não conhecem a história, não sabem como era no passado e não tem obrigação de saber. Por isso não adianta o partido se basear em comparações com os governos anteriores. São desafios de todos, mas principalmente do PT que governa e precisa dar respostas”.
Segundo o dirigente, pensar o PT para os próximos 30 anos não é só uma questão de renovação geracional, mas de ação política, de inovação, de criatividade. “Se o PT não for capaz de fazer isso, irá envelhecer geracionalmente. Porque essa massa de juventude que nós botamos na Universidade, que nós levamos para a classe média, que a vida do pai dela melhorou, quer mais. Essa juventude não dialoga com a gente, porque também não representamos mais a esperança, mas não tem outro partido que represente”, avaliou.
O PT tem que discutir, não pode achar que o projeto coletivo tem dono, que tem compromisso eterno, que a fila já foi organizada antes de fundar o PT e que os novos integrantes devem respeitar. “O PT tem mais crise geracional do que encontro. Eu entrei no partido pelos valores, não por cargo, e esses valores permanecem vivos, assim como deve ser com quem fundou. Tem que permitir que quem está entrando agora na militância, com valores parecidos, possa ocupar os espaços”.
Para finalizar, o parlamentar conclamou a militância a defender o governo Dilma Rousseff. “Nós temos a obrigação, enquanto companheiros e militantes, de fazer a defesa incondicional dessa mulher guerreira, lutadora e corajosa que é a presidenta Dilma”.
Alfenas
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Caxambu
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